Nave da Boeing teve problemas de desenvolvimento e falhas em voos de teste. Próximo voo deve ocorrer a partir de abril de 2026; voos tripulados serão opcionais.
Na última segunda-feira, 24, a NASA anunciou que a próxima missão da nave Starliner, da Boeing, para a Estação Espacial Internacional (ISS) transportará apenas carga e suprimentos, sem tripulação. Segundo comunicado da agência, o voo não deve acontecer até abril de 2026.
“O próximo voo da Starliner, conhecido como Starliner-1, será usado pela NASA para entregar carga necessária ao laboratório orbital e permitir a validação em voo das atualizações do sistema implementadas após a missão de teste de voo tripulado do ano passado”, menciona o comunicado da NASA.
A NASA e a Boeing também concordaram em reduzir o número de voos tripulados: em vez dos até seis voos de rotação de tripulação da Starliner que a Boeing concordou em realizar para a NASA sob um contrato de US$ 4,2 bilhões firmado em 2014, a empresa só precisará realizar até quatro missões, com “as duas restantes disponíveis como opções”.
Desafios Este será o primeiro voo operacional da Starliner. Na década passada, a NASA escolheu a Boeing e a SpaceX para desenvolver veículos para transporte de astronautas para a ISS. Os contratos bilionários iniciais incluíam seis voos em cada nave ao custo de bilhões. No caso da SpaceX, bem sucedida no desenvolvimento de sua nave Dragon, os voos tripulados ocorrem desde 2020, com contratos adicionais formados com a agência.
A Boeing teve problemas com a Starliner, com o projeto causando prejuízos à empresa e interferindo no cronograma da ISS. Após vários atrasos o primeiro voo de teste não tripulado falhou em alcançar a órbita da ISS por um erro de programação, em dezembro de 2019. Isso acabou levando a um segundo teste não tripulado em maio de 2022
Em 2024, foi realizada o voo de teste tripulado, com os astronautas Butch Wilmore e Sunita Williams. Vários problemas aconteceram, incluindo perda de motores durante a acoplagem com a ISS. Wilmore e Williams planejavam passar 10 dias no espaço, mas a missão foi estendida para avaliar melhor o desempenho e o comportamento de sistemas e componentes da nave. Por segurança, foi decidido que a Starliner retornaria para a Terra sem tripulação em setembro de 2024, com a dupla aguardando uma “carona” em uma Dragon até março deste ano.
Desde o pouso da Starliner, a Boeing trabalha para solucionar problemas e tentar iniciar os voos tripulados operacionais. Com a alteração no contrato, esse objetivo fica ainda mais distante.
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Futuro “A NASA e a Boeing continuam testando rigorosamente o sistema de propulsão da Starliner em preparação para dois possíveis voos no próximo ano”, disse Steve Stich, gerente do Programa de Tripulações Comerciais da NASA, no comunicado. “Essa modificação permite que a NASA e a Boeing se concentrem na certificação segura do sistema em 2026, executem a primeira rotação de tripulação da Starliner quando estiver pronta e alinhem nosso planejamento de voos para futuras missões da Starliner com base nas necessidades operacionais da estação até 2030.”
A NASA planeja desativar a ISS em 2030, marcando o fim de 30 anos de operações tripuladas contínuas. A estação de 450 toneladas será direcionada para a reentrada na atmosfera e se desintegrará sobre o Oceano Pacífico. Espera-se que grandes partes dela sobrevivam e mergulhem no Ponto Nemo – uma região isolada do oceano usada como “cemitério de espaçonaves”.
