Sonda operou por horas após tombar na alunissagem, retornando dados de cargas úteis. Missão é a segunda alunissagem mal-sucedida da Intuitive Machines.

Hoje, a Intuitive Machines informou que sua segunda missão de pouso lunar encerrou-se após concluir que a nave, tombada na superfície, não consegue gerar energia suficiente.

Em uma declaração, a empresa disse que sua missão IM-2 terminou menos de 24 horas após a nave espacial Nova-C Athena pousar e tombar, na região de Mons Mouton, perto do polo sul da Lua. Em outra declaração, a NASA disse que as operações de pouso terminaram à 3h15 de Brasília, menos de 13 horas após o pouso.

“Com a direção do sol, a orientação dos painéis solares e temperaturas extremamente baixas na cratera, a Intuitive Machines não espera que Athena recarregue”, declarou a empresa. “A missão foi concluída e as equipes continuam a avaliar os dados coletados ao longo da missão.”

A empresa divulgou uma imagem do módulo de pouso que o mostrava de lado na superfície. Enquanto o lado voltado para cima estava iluminado pelo sol, a espaçonave estava em uma região sombreada de uma pequena cratera.

Nave Athena tombada em uma cratera na região polar sul da Lua (Intuitive Machines)

“A energia é interessante no polo sul porque é impactada não apenas pela iluminação solar e nosso consumo, mas pelo ambiente térmico”, disse Tim Crain, vice-presidente sênior da Intuitive Machines, em um briefing após o pouso, em 6 de março. o importante, ele disse, era quanta energia os aquecedores exigiriam para manter a espaçonave aquecida.

Na época, ele disse que a nave espacial estava gerando energia e carregando. “Assim que descobrirmos exatamente em qual orientação estamos, seremos capazes de descobrir qual é a longevidade e como planejar essa energia.”

Segundo a Intuitive Machines, a Athena pousou a 250 metros do local pretendido e estava dentro de uma cratera. Os ângulos baixos do sol tornam pousos e operações desafiadores. No entanto, a NASA disse em sua declaração que o módulo pousou a mais de 400 metros do local alvo.

No briefing de 6 de março, algumas horas após o pouso da espaçonave, a empresa disse acreditar que a espaçonave havia pousado em Mons Mouton, mas fora de uma elipse de pouso planejada de 50 metros de diâmetro.

Na ocasião, executivos disseramque dados “com ruido” de um altímetro a laser podem ter contribuído para o pouso problemático. Na época, a empresa ainda estava tentando entender a atitude e a orientação do módulo de pouso para ver quais cargas úteis poderiam ser operadas.

Leia mais: “Athena pousa na Lua, mas suas condições são incertas”,07/03/2025

Cargas úteis “Após o pouso, os controladores da missão conseguiram acelerar vários marcos do programa e da carga útil, incluindo o conjunto PRIME-1 da NASA, antes que as baterias do módulo de pouso se esgotassem”, disse a empresa em sua declaração mais recente. O PRIME-1 era a principal carga útil da NASA a bordo, uma broca destinada a sondar até um metro abaixo da superfície para procurar gelo de água e outros voláteis.

A NASA declarou que os controladores foram capazes de demonstrar toda a amplitude de movimento da broca PRIME-1 no ambiente espacial, enquanto seu espectrômetro de massa detectou elementos provavelmente do sistema de propulsão do módulo de pouso.

A empresa não revelou quais outros dados outras cargas úteis forneceram. Entre essas cargas estava um “saltador” da Intuitive Machines que teria usado propulsores para saltar de um local para outro na superfície. A Athena também portava uma carga útil 4G/LTE da Nokia para testar a capacidade de usar tecnologias sem fio para se comunicar com o saltador e com um pequeno rover da emprea Lunar Outpost, também a bordo.

Desafios “Cada sucesso e revés são oportunidades de aprender e crescer, e usaremos essa lição para impulsionar nossos esforços para avançar a ciência, a exploração e o desenvolvimento comercial enquanto nos preparamos para a exploração humana de Marte”, disse Nicky Fox, administradora associada da NASA para ciências, no comunicado da agência.

O fim precoce da IM-2 entra para o histórico irregular do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), da NASA. Além da IM-1, que também tombou ao pousar no ano passado, mas ainda operou por uma semana, o módulo de pouso Peregrine, da Astrobotic, sofreu uma anomalia de propulsão horas após o lançamento, em janeiro de 2024, que impediu a alunissagem. O primeiro pouso bem-sucedido do programa aconteceu em 2 de março, quando a nave Blue Ghost 1, da Firefly Aerospace, tocou o solo lunar. Ela ainda está em operação.

Leia mais: “Blue Ghost, da Firefly, pousa da Lua”, 03/03/2025

“Embora estejamos decepcionados com o resultado da missão IM-2, continuamos comprometidos em dar suporte aos nossos fornecedores comerciais enquanto eles realizam a difícil tarefa de pousar e operar na Lua”, afirmou Joel Kearns, administrador associado adjunto da NASA para exploração na Diretoria de Missões Científicas.

A Intuitive Machines e a NASA enfatizaram que a natureza acidentada da região de pouso, com seus ângulos de luz solar e dificuldade de alcance, torna tentativas de pouso particularmente desafiadoras. Limitações de comunicação direta com a Terra também são fatores importantes.

“É esse espaço crepuscular de sombras e cinzas que era interessante”, disse Crain sobre a iluminação da cratera durante a descida de Athena. “Estou realmente orgulhoso de quão bem nosso sistema de rastreamento de crateras se saiu nessa condição de iluminação muito incomum. Então, vamos conseguir da próxima vez.”

As ações da Intuitive Machines, que caíram 20% no pregão de ontem, caíram outros 22% no fechamento de hoje.