Primeiro estágio retornou à plataforma; problemas com nave começaram após separação de estágios. Queda de destroços causou mudança de rotas e atrasos em voos.
O veículo Starship, em desenvolvimento pela SpaceX, sofreu sua segunda falha consecutiva em um voo de teste ontem, 6 de março, se desintegrando e reentrando sobre o Caribe.
O foguete de 123 metros decolou em sem 8º voo de teste integrado às 20h30 de Brasília de Starbase, a instalação da empresa no sul do Texas usada para desenvolver o veículo. A contagem regressiva pareceu ocorrer suavemente, exceto por uma espera na marca de T-40 segundos que durou apenas alguns segundos. Essa pausa faz parte do programa de lançamento e é usada pela equipe para revisar as condições do lançamento.
As fases iniciais do voo ocorreram conforme o planejado. Isso incluiu a ascensão do veículo, a separação de estágios e o retorno do propulsor Super Heavy, que foi capturado pela torre de lançamento cerca de sete minutos após o lançamento. Foi a terceira vez em quatro missões desde outubro de 2024.
A Starship, de 52 m, deveria fazer uma amerissagem controlada no Oceano Índico, próximo à costa da Austrália por volta de 50 minutos após o lançamento. No entanto, logo após a marca de oito minutos de voo, quatro dos seis motores Raptor do Starship, de 52 m, desligaram em rápida sucessão. O veículo imediatamente começou a girar, com a transmissão online com imagens de uma câmera na nave mostrando a Terra girando para dentro e para fora de vista.
“Obviamente, há muito o que analisar, muito o que escavar, e vamos direto ao ponto”, disse Dan Huot, da SpaceX, que comentava o lançamento na transmissão online. “Temos mais a aprender sobre este veículo.”
“Antes do fim da queima de subida, um evento energético na parte traseira da Starship resultou na perda de vários motores Raptor”, disse a SpaceX em uma declaração em seu site algumas horas após o voo. “Isso, por sua vez, levou a uma perda de controle de atitude e, finalmente, a uma perda de comunicações com a Starship. O contato final com a Starship ocorreu aproximadamente 9 minutos e 30 segundos após a decolagem.”
Vários minutos depois, observadores em partes do Caribe, da República Dominicana às Bahamas, e tão ao norte quanto a Costa Espacial, na Flórida, relataram ter visto o veículo explodir e destroços caírem.
A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) ativou áreas de resposta a detritos, fechando temporariamente o espaço aéreo em partes do Caribe, fazendo com que alguns voos entrassem em padrões de espera ou fossem desviados para outros aeroportos. A FAA também estabeleceu paradas em solo em vários aeroportos da Flórida, limitando os voos que se dirigiam a eles, resultando em atrasos.
Voo 7 “A FAA está exigindo que a SpaceX realize uma investigação de acidente sobre a perda do veículo Starship durante as operações de lançamento em 6 de março”, disse a FAA em uma declaração emitida logo após a perda da Starship. Essas investigações são típicas após incidentes como esse, incluindo o voo anterior da Starship, 17 em janeiro.
Na ocasião, o contato com a Starship foi perdido cerca de oito minutos e meio após a decolagem, pouco depois da separação dos estágios. Detritos caíram no Caribe, com alguns encontrados nas Ilhas Turks e Caicos.
Em 24 de fevereiro, a empresa anunciou que concluiu que o veículo sofreu uma “resposta harmônica várias vezes mais forte em voo do que foi visto durante os testes” que estressou as linhas de propulsão. Isso causou vazamentos que criaram incêndios na seção traseira do veículo, fazendo com que cinco dos seis motores realizassem desligamentos controlados.
A investigação ainda está em andamento, FAA deu permissão à empresa para lançar novamente após concluir uma revisão de segurança. A SpaceX disse que fez mudanças no hardware do veículo e nas operações para evitar que danos semelhantes acontecessem novamente. Ela também adicionou aberturas e um sistema de purga de nitrogênio gasoso para reduzir a inflamabilidade da seção afetada.
Antes do voo, a empresa fez um teste de acionamento estático de 60 segundos com a nave, um teste de “mudanças de hardware nas linhas de alimentação de combustível para motores a vácuo, ajustes nas temperaturas do propulsor e uma nova meta de empuxo operacional”, escreveu a SpaceX na atualização do mês passado.
A empresa cancelou uma tentativa de lançamento em 3 de março após relatar problemas técnicos com o Super Heavy e, mais tarde, com a Starship. “Muitas dúvidas sobre este voo”, incluindo baixa pressão em um sistema de partida do motor, postou Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX, após ao cancelamento. “É melhor desempilhar [os estágios da plataforma de lançamento], inspecionar os dois estágios e tentar novamente em um ou dois dias.”
Evolução Durante as missões operacionais, a SpaceX planeja trazer ambos os estágios de volta para captura na torre de lançamento. Essa estratégia reduzirá o tempo entre os lançamentos do foguete totalmente reutilizável – que a empresa pretende voar várias vezes por dia.
Para isso, a empresa fez algumas modificações para ajudar a facilitar a captura do segundo estágio. Por exemplo, removeu algumas placas de proteção térmica da nave para testar certas áreas vulneráveis.
“Várias opções de placas metálicas, incluindo uma com resfriamento ativo, testarão materiais alternativos para proteger a Starship durante a reentrada”, escreveu a SpaceX em uma descrição da missão. “Nas laterais do veículo, versões não estruturais dos encaixes de captura da Starship são instaladas para testar o desempenho térmico dos encaixes, junto com uma seção da linha de placas recebendo uma borda suavizada e cônica para tratar pontos quentes observados durante a reentrada no sexto voo de teste da Starship.”
Além disso, a empresa testou sensores de radar na torre de lançamento “com o objetivo de aumentar a precisão ao medir distâncias entre os hashis [braços de captura] e o veículo que retorna”.
O conjunto Super Heavy / Starship voou integrado pela primeira vez em abril de 2023. Ele voou duas vezes naquele ano e quatro em 2024. E devemos esperar outro aumento na cadência este ano, com a SpaceX solicitando aprovação para 25 lançamentos de Starship da Starbase em 2025.
O segundo fracasso consecutivo da Starship é um sério revés para o desenvolvimento do veículo. O veículo é essencial para os planos da SpaceX de implantar os satélites Starlink de próxima geração, que serão maiores. Este lançamento carregou quatro mockups desses satélites, que deveriam ter sido implantados pela Starship próximo aos 17 minutos e meio do voo suborbital.
A Starship também é essencial para o programa lunar Artemis, da NASA. Uma versão lunar da Starship será usada para pousar astronautas na Lua nos dois primeiros pousos tripulados do programa, Artemis 3 e 4, a partir de 2027.

