Nave passou por vazamentos no sistema de propulsão e falha em motores. Limite de 45 dias foi imposto por baterias, mas pode ser ultrapassado com segurança.
A espaçonave Starliner, da Boeing, está tendo desempenho bom o suficiente em sua primeira missão tripulada e provavelmente será capaz de permanecer em órbita além do limite inicialmente previsto de 45 dias, diz a NASA. A declaração foi feita apesar vazamentos no sistema de propulsão e falhas em alguns de deus motores – que dificultaram a acoplagem com a Estação Espacial Internacional (ISS).
Lançada em 5 de junho, a nave está acoplada à ISS em missão estendida por tempo indeterminado. A Starliner está em boas condições e preparada para deixar a ISS em caso de emergência. Porém, tanto a NASA quanto a Boeing ainda estão tentando entender o motivo de problemas em alguns propulsores do sistema de controle de reação (RCS) antes da acoplagem, no dia 6 de junho. Na ocasião, não foi possível acoplar na primeira tentativa, com a acoplagem acontecendo horas depois na segunda.
Também querem entender a causa de vários vazamentos de hélio surgiram na cápsula – inclusive, antes do lançamento. Dessa forma, a nave permanecerá no espaço à medida que os testes e análises continuam.
Os testes do último dia 15 de junho não conseguiram encontrar a raiz dos problemas, embora funcionários da agência tenham enfatizado no dia 28 que houve progresso: os vazamentos de hélio se estabilizaram e todos os propulsores defeituosos, exceto um, estão adequados para uso no retorno à Terra.
Tempo extra Como o RCS está no módulo de serviço da nave, que será alijado antes da reentrada, o tempo extra em órbita permitirá que as equipes entendam como proceder. Isso será crucial para mudanças no projeto que serão necessárias para futuras missões de rotação da ISS – que a Starliner deverá realizar já em 2025. Mas para dar às equipes de solo tempo para testes, a NASA diz que o Starliner precisa permanecer na ISS por mais de 45 dias, o limite inicial para esta missão. A boa notícia é que a espaçonave parece bem o bastante para durar o dobro desse tempo – ou até mais.
“Falamos sobre um limite de 45 dias, limitado pelas baterias do módulo tripulado da Starliner e estamos no processo de atualizar esse limite”, disse Steve Stich, gerente do Programa de Tripulações Comerciais da NASA, a repórteres durante a teleconferência no dia 28.
“Estivemos observando essas baterias e seu desempenho em órbita. Elas estão sendo recarregadas pela estação e esse risco realmente não mudou. Portanto, o risco para os próximos 45 dias é essencialmente o mesmo dos primeiros 45 dias”, comentou ele.
“Ainda não decidimos por quanto tempo vamos estendê-la”, respondeu à pergunta do site Space.com sobre até quando a missão poderia durar.
Stich ressaltou que, na verdade, a Starliner está estimada para permanecer até 210 dias em órbita assim que as missões operacionais começarem. Mas, como esta é apenas a terceira missão no espaço e a primeira tripulada, a NASA não tinha certeza sobre o desempenho da bateria em órbita até agora.
Starliner tem 12 baterias diferentes, ele explicou. Antes do voo, baterias semelhantes permaneceram no solo por um ano e foram testadas para garantir que não houvesse defeitos. E nenhum foi encontrado.
“O que realmente estamos fazendo agora é observar o desempenho da bateria em voo. Não vemos qualquer degradação em nenhuma das células onde estão as baterias”, acrescentou.
Leia mais:
“Starliner acopla-se à ISS em teste tripulado”, 07/06/2024
“Com vazamentos, missão de teste da Starliner é estendida”, 15/06/2024
“Retorno da Starliner adiado para julho”, 22/06/2024
Missão Originalmente, o Teste de Voo Tripulado, (Crew Flight Test, CFT), deveria durar cerca de 10 dias. É tripulado por dois astronautas da NASA, Butch Wilmore e Suni Williams, ex-pilotos de testes da Marinha dos EUA com décadas de experiência no desenvolvimento de aeronaves e veículos espaciais.
Em 1º de maio, Wilmore disse ao Space.com que a Marinha deu aos astronautas habilidades altamente relevantes para a CFT, como testar como os sistemas funcionam juntos. “Bem, meu Deus, essa é realmente a razão pela qual estamos aqui”, disse ele, refefrindo-se às milhares de horas de experiência de pilotagem da dupla. Mais tarde, ele acrescentou que a experiência deles foi “inestimável para o processo” de trabalho na Starliner.
A CFT foi planejada para examinar o inesperado no espaço e tem flexibilidade em termos de agendamento. Os testes de solo extras são conduzidos nas instalações de testes de White Sands, no Novo México, para tentar replicar como os propulsores RCS foram usados durante o voo e especialmente durante a acoplagem.
Williams e Wilmore estão auxiliando a tripulação da ISS em outras tarefas enquanto aguardam os resultados dos testes de White Sands – que levarão pelo menos cerca de mais dez das. A NASA tem postado em seu blog o trabalho da dupla na manutenção da ISS: cuidaram de tubulações da Estação e auxiliaram na organização de itens no Módulo Multiuso Permanente, por exemplo. Também trabalharam no Módulo Experimental Japonês na segunda-feira “para desmontar um NanoRacks CubeSat Deployer vazio na preparação das próximas missões”.
Transporte espacial As duas primeiras missões da Starliner foram complicadas. A primeira, em dezembro de 2019, não conseguiu chegar à ISS devido a falhas de computador que a colocaram na órbita errada. O segundo, em maio de 2022, chegou à ISS com segurança depois que a Boeing fez dezenas de reparos, mas os propulsores do Starliner tiveram alguns problemas. Essa é outra razão pela qual a NASA e a Boeing estão adiando o retorno da CFT: entender o que fez os propulsores da espaçonave se comportaram mal em 2022 e 2024.
A Boeing é uma das duas fornecedoras de missões tripuladas à ISS para a NASA, sendo a SpaceX a outra. A empresa de Elon Musk usa sua cápsula Crew Dragon, que teve um caminho mais rápido para a órbita: uma missão não tripulada em 2019, seguida por um teste tripulado (equivalente à CFT) em 2020. A Dragon enviou 11 tripulações para a ISS desde então: 8 missões operacionais de rotação de tripulação de seis meses para a NASA e três missões privadas de curta duração para a Axiom Space.
A Crew Dragon também foi usada no voo de turismo espacial e Inspiration4, em 2022, e deve ser usada em duas missões do programa espacial privado Polaris, bancado pelo bilionário Jared Isaacman, que também financiou a Inspiration 4. Além disso, a SpaceX já fechou acordos com a Vast para enviar uma tripulação à sua estação espacial privada Heaven-1, em desenvolvimento.