Pesquisadores consideraram movimento de satélite ao fazer capturas de dados em diferentes bandas espectrais. Pesquisa foi parte de projeto de Harvard para encontrar sinais de vida extraterrestre inteligente.
Uma pesquisa recente mostrou como a detecção de objetos aéreos em movimento poderia ser realizada através da análise de imagens obtidas de satélites comerciais. Com isso, a detecção e o rastreio de fenômenos anômalos não identificados (UAPs) pode ganhar um reforço considerável.
Os pesquisadores demonstraram a técnica usando um dos mais notórios incidentes de UAPs dos últimos tempos: o voo de um balão espião chinês sobre os Estados Unidos no ano passado que terminou com um abate por um caça da Força Aérea sobre o Oceano Atlântico. Eles também analisaram imagens de outro balão espião que passou sobre a Colômbia quase ao mesmo tempo.
O artigo foi escrito por Eric Keto, da Universidade de Harvard, e Wesley Andres Watters, do Wellesley College, que propuseram sua técnica de análise de imagens em um estudo anterior. O novo estudo foi publicado no servidor ArXiv em 19 de junho e submetido ao Journal of Astronomical Instrumentation para revisão.
“Nosso método proposto parece ser bem-sucedido e permite medir a velocidade aparente de objetos em movimento”, relatam os pesquisadores.

Método Keto e Watters começaram com imagens multiespectrais capturadas pelos satélites SuperDove da Planet durante os voos dos balões. Essas imagens não são capturadas de uma vez. Em vez disso, os sensores do satélite registam uma sucessão de exposições que refletem diferentes bandas espectrais. Isso significa que um objeto aéreo seria visto em um local ligeiramente diferente em cada uma das imagens combinadas para produzir uma visão multiespectral, devido ao efeito de paralaxe criado pelo movimento do satélite.
Os pesquisadores disseram que os balões espiões eram objetos ideais para seu estudo. “Balões de grande altitude são alvos vantajosos porque o movimento do próprio balão pode ser ignorado na análise”, explicaram.
O objetivo do estudo foi criar uma linha de base para a interpretação de imagens de banda espectral. Os pesquisadores conduziram uma análise detalhada das imagens adquiridas na Colúmbia Britânica, Missouri e Colômbia e fizeram algumas suposições fundamentadas sobre as velocidades relativas. Eles levaram em consideração vários fatores, incluindo mudanças no terreno de fundo e os efeitos potenciais da distorção atmosférica. As imagens da Colúmbia Britânica acabaram não sendo tão úteis porque a neve e o gelo encobriram as características que normalmente seriam usadas como referência terrestre.
A análise não só forneceu uma base para rastrear objetos em movimento mas também possibilitou que os pesquisadores fornecessem estimativas para as altitudes dos balões. Eles disseram que um balão sobrevoou o Missouri a uma altura de cerca de 21,200 km (69,5 mil pés), enquanto a altitude do outro balão era de cerca de 21,5 km (70,5 mil pés) quando foi avistado sobre a Colômbia.
Keto e Watters não são os únicos que estão investigando como dados de satélites comerciais poderiam ser usados para rastrear objetos aéreos anômalos. Uma equipe de pesquisadores da RAIC Labs (anteriormente conhecida como Synthetaic) usou o arquivo de dados da Planet e o programa de análise de imagens baseado em IA da RAIC Labs para rastrear a rota do infame balão chinês dos EUA até seu ponto de origem perto de Hainan.
Galileo Essas técnicas poderiam ser usadas para detectar fenômenos ainda mais exóticos do que os balões espiões chineses: o estudo conduzido por Keto e Watters faz parte do Projeto Galileo da Universidade de Harvard, que visa encontrar maneiras de coletar dados de alta qualidade que possam ser úteis na busca por objetos de origem extraterrestre.
No ano passado, Avi Loeb, astrônomo de Harvard que lidera o Projeto Galileo, disse em um post em seu blog no Medium que sua equipe tem buscado por sinais de objetos incomuns no arquivo de dados da Planet.
“Equipamento extraterrestre pode ser distinguido de um objeto terrestre, não apenas pela resolução de parafusos ou etiquetas incomuns impressas no seu hardware, mas também com base no seu movimento”, explicou Loeb. “Conforme mencionado nos relatórios do DNI [Diretor de Inteligência Nacional] em 2021 e 2022, características de voo incomuns podem servir como um indicador de origem extraterrestre.”