Estimava-se que asteroide descoberto em dezembro teria chances de colisão com a Terra. Novas observações permitiram refinação de órbita.

Nas últimas semanas, circularam noticias sobre a possibilidade de impacto com um asteroide em 2032. Mais recentemente, um observatório astronômico no Havaí descartou essa possibilidade.

O asteroide 2024 YR4 é um Asteroide Próximo à Terra (NEA) que pertence ao grupo Apollo, que orbita o Sol com um período de aproximadamente quatro anos. Durante a maior parte de sua órbita, o astro orbita longe da Terra, mas às vezes cruza a órbita do planeta.

Foi detectado pela estação chilena do Sistema de Último Alerta de Impacto Terrestre de Asteroide (ATLAS) em 27 de dezembro de 2024, logo após fazer uma aproximação da Terra no dia de Natal. Agora, está se afastando.

Observações subsequentes determinaram que ele tinha cerca de 1% de probabilidade de atingir a Terra quando em dezembro de 2032. Isso levou a Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), supervisionada pelo Gabinete da Organização das Nações Unidas para Assuntos de Espaço Sideral (UNOOSA), a emitir a primeira notificação oficial de risco de impacto para 2024 YR4.

A possibilidade de um impacto também levou vários telescópios importantes a coletar dados sobre o asteroide. Ao longo de fevereiro, medições refinadas da posição do asteroide alteraram a probabilidade estimada várias vezes, primeiro para 2,3% e depois para 3,1% , antes de cair significativamente para 0,28%.

Em 20 de fevereiro, o Telescópio Subaru no Observatório Mauna Kea, no Havaí, capturou imagens de 2024 YR4 usando a Hyper Suprime-Cam (HSC), uma câmera de foco principal de campo amplo que capturou imagens do asteroide conforme ele ficava mais escuro.

As observações foram conduzidas a pedido da Equipe de Defesa Planetária da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA) em resposta ao apelo da IAWN para melhor rastreamento orbital.

“Embora 2024 YR4 parecesse relativamente brilhante no momento de sua descoberta, ele vem desaparecendo constantemente à medida que se afasta da Terra. No final de fevereiro, as observações teriam sido extremamente desafiadoras sem um grande telescópio”, explicou Dr. Tsuyoshi Terai, do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ). “Esta missão foi realizada com sucesso graças à poderosa capacidade de coleta de luz do Telescópio Subaru e ao alto desempenho de imagem da HSC.”

Graças aos dados posicionais atualizados dessas observações, astrônomos refinaram a órbita do asteroide e determinaram que ele não atingirá a Terra, com a chance de impacto reduzida para 0,004%. O cálculo foi feito pelo Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA, o Centro de Coordenação de Objetos Próximos à Terra (NEOCC) da ESA e o Site de Dinâmica de NEOs (NEODyS).

As observações foram encaminhadas ao Centro de Planetas Menores (MPC) da União Astronômica Internacional (IAU).

Com base nessas observações, a IAWN relatou que 2020 YR4 “passará a uma distância além dos satélites geossíncronos [35,8 mil km ] e possivelmente além da Lua [distância média de 384,4 mil km]”. A IAWN também afirmou que continuará a rastrear 2024 YR4 até o início de abril. Neste ponto, ele estará muito fraco para ser imageado, não sendo observável da Terra até 2028.

A IAWN também indicou que não há potencial significativo de que o asteroide colida com a Terra no próximo século.