Recentemente, cientistas compartilharam novas informações sobre dois cânions que se ramificam de uma grande cratera de impacto na Lua, a bacia de Schrödinger, perto do Polo Sul. Ela se formou pela colisão de asteroide ou talvez até de planetesimal remanescente da formação dos planetas. O processo de formação das crateras e das duas fendas, Vallis Schrödinger e Vallis Planck, levou apenas alguns minutos.

“Quase quatro bilhões de anos atrás, um asteroide ou cometa voou sobre o polo sul lunar, passou pelos picos das montanhas de Malapert e Mouton e atingiu a superfície lunar. O impacto ejetou fluxos de rocha de alta energia que esculpiram dois cânions que rivalizam com o tamanho do Grand Canyon da Terra. Enquanto o Grand Canyon levou milhões de anos para se formar, os dois grandes cânions na Lua foram esculpidos em menos de 10 minutos”, explicou David Kring, do Lunar and Planetary Institute (LPI), em Houston.

Vista da órbita da Bacia Schrödinger e de seus cânions, Vallis Schrödinger e Vallis Planck (NASA/SVS/Ernest T. Wright)

Vallis Schrödinger tem pouco menos de 300 km de comprimento, 20 km de largura e 2,7 km de profundidade. Vallis Planck tem duas unidades. Uma é um cânion profundo dentro do cobertor de ejeção de detritos lançados pelo impacto. O resto compreende uma fileira de crateras criadas pela queda de rochas lançadas pelo impacto. Elas caíram de volta para a Lua criando “crateras secundárias”. A parte do cânion tem cerca de 280 km de profundidade, 27 km de largura e 3,5 km de profundidade.

Impacto O corpo que se cochou contra a lua provavelmente atingiu a superfície a quase 55 mil km/h. O choqueproduziu a enorme bacia de impacto Schrödinger, de 320 km de diâmetro. No rescaldo, os detritos rochosos varreram os cânions profundos.

Schrödinger se formou na margem externa da bacia do Polo Sul-Aitken (SPA). Com um diâmetro de cerca de 2.400 km, é a maior e mais antiga bacia de impacto na Lua. A borda da bacia fica a cerca de 300 km do Polo Sul e a 125 km do local de exploração proposto para a missão Artemis.

Bacia Schrödinger e dois cânions esculpidos por ejeção de impacto (NASA\SVS\Ernest T. Wright)

Schrödinger tem um anel de pico de cerca de 150 km de diâmetro e toda a área é cercada por um cobertor de ejeção de impacto que “espirrou” em um padrão irregular a até 500 km. O anel mais externo se assemelha a uma cadeia de montanhas circular elevando-se de 1 a 2,5 km acima do fundo da bacia. Foi produzido pelo colapso de uma elevação central após o impacto.

Após o impacto, fluxos de lava basáltica inundaram a área. Uma grande abertura piroclástica expeliu mais material no fundo da bacia. Essa atividade vulcânica terminou há cerca de 3,7 bilhões de anos.

Anomalias Uma análise cuidadosa da bacia, dos cânions e do material ejetado ao redor por Kring e uma equipe de cientistas do Lunar Planetary Laboraotry forneceu detalhes sobre o impacto. Em um artigo recente publicado na Nature, os cientistas discutem suas características e algumas descobertas incomuns. Por exemplo, os raios do cânion não convergem no centro da bacia, como seria de se esperar de impactos típicos. Eles parecem se juntar em um ponto diferente e isso implica um impacto de explosão pontual.

A localização dos raios convergentes sugere que a trajetória do asteroide era cerca de 33,5 a oeste do norte. As evidências também apontam para um impacto distribuído. Isso pode significar um ângulo de impacto baixo. Ou que o material ejetado pelo impacto veio em ângulos baixos. Há muitas crateras secundárias na área que ajudam a explicar as possibilidades.

Projeção centrada na bacia de Schrödinger, com o cobertor de ejeção contínuo demarcado e raios radiais da cratera secundária (vermelho); Vallis Schrödinger e Vallis Planck se cruzam perto da borda sul da bacia (ponto branco), com o tamanho do ponto indicando a incerteza; o rumo projetado do impacto primário (amarelo) passa pelo ponto de intersecção e pelo centro da bacia; uma terceira característica sem nome se estende para cima (Azimuthal Equidistant Projection of the Moon / LRO LROC WAC Global Morphology Mosaic 100)

Exploração “A cratera Schrödinger é semelhante em muitos aspectos à cratera Chicxulub, que matou dinossauros, na Terra. Ao mostrar como os cânions de quilômetros de profundidade de Schrödinger se formaram, este trabalho ajudou a iluminar o quão energéticos o material ejetado desses impactos pode ser”, disse Gareth Collins, membro da equipe de Kring.

A depender do futuro do programa lunar Artemis, essas regiões poderão ser pontos de exploração interessantes. As evidências indicam uma distribuição desigual, particularmente na área onde as primeiras missões estão planejadas. Isso permitirá que astronautas e sondas robóticas alcancem amostras subjacentes da crosta primordial da Lua sem ter que cavar rochas de uma idade mais jovem.

Como a bacia é a segunda mais jovem da Lua, as rochas derretidas pelo impacto serão uma ótima maneira de testar a idade real do impacto. O entendimento geral é que há cerca de 3,8 bilhões de anos, a Lua e a Terra passaram por muitas dessas colisões no Bombardeio Pesado Tardio, que acredita-se ter durado até 200 milhões de anos.

Os impactos contínuos marcaram as superfícies dos corpos planetários (incluindo a Lua) e dos asteroides. As rochas lunares criadas como resultado de fluxos de lava naquela época abrirão uma janela para suas idades e mineralogia, especialmente em comparação com outras formações rochosas mais antigas. Elas também devem melhorar nossa compreensão desse período da história do Sistema Solar. Em particular, podem ajudar os cientistas a caracterizar os impactos na Terra – que afetaram não apenas a superfície, mas a vida no planeta.