Órbita de telescópio espacial está decaindo lentamente pelo aumento da atividade solar aumenta. Há 14 anos, observatório caça asteroides próximos da Terra.

Um telescópio espacial caçador de asteroides da NASA está chegando ao fim de sua vida, abrindo caminho para a próxima geração de esforços de defesa planetária.  A missão NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer, Explorador de Pesquisa em Infravermelho de Campo Amplo para Objetos Próximos à Terra) terminará no dia 31 de julho – data programada para sua última observação.

Baseado na espaçonave do telescópio infravermelho da missão WISE, a NEOWISE busca por asteroides que orbitam o Sol próximos à órbita da Terra – chamados de objetos próximos da Terra (Near-Earth Objects, NEOs).

O fim da missão NEOWISE foi causado pela aproximação do máximo solar, o período com maior atividade durante o ciclo solar de cerca de 11 anos. O aumento da atividade, incluindo erupções e ejeções de massa coronal mais frequentes, aquece a atmosfera da Terra e faz com que ela se expanda. Isto cria mais resistência atmosférica aos satélites em órbita. Como o NEOWISE não possui um sistema de propulsão, a nave espacial não será capaz de se manter em órbita. 

Após sua última observação, a nave será colocada em modo de hibernação em 8 de agosto, antes de começar a aproximar-se progressivamente da Terra. Entre o final de 2024 e o início de 2025, queimará ao reentrar na atmosfera.

Ilustração do NEOWISE diante de uma imagem do céu em infravermelho que a missão capturou; a série de pontos vermelhos movendo-se no céu perto do centro da imagem é Holda, o primeiro asteróide detectado pelo NEOWISE, logo após ser reativado em 2013. (NASA/JPL-Caltech)

Lançada como WISE em 2009, a nave espacial excedeu em muito seus objetivos científicos de varrer todo o céu em infravermelho. Quando a missão foi estendida pela primeira vez até 2011, o telescópio espacial estudou atividade cósmica distante e NEOs, incluindo o primeiro asteroide troiano terrestre conhecido.  A missão foi estendida pela segunda vez em 2013, redesignada NEOWISE e encarregada de procurar, rastrear e caracterizar NEOs que com forte sinal infravermelho de aquecimento pelo Sol.

Depois de observar o céu durante mais de 14 anos, o NEOWISE fez 1,45 milhões de medições infravermelhas de mais de 44 mil objetos do Sistema Solar e pesquisou mais de 3 mil NEOs – 215 descobertos usando o próprio telescópio.  

“A espaçonave superou todas as expectativas e forneceu grandes quantidades de dados que a comunidade científica usará nas próximas décadas”, disse Joseph Hunt, gerente de projeto do NEOWISE no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, no sul da Califórnia, em comunicado da agência espacial.

“Cientistas e engenheiros que trabalharam no WISE e através do NEOWISE também construíram uma base de conhecimento que ajudará a informar futuras missões de pesquisa infravermelha.”

Ilustração do telescópio espacial NEO Surveyor, da NASA (NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona)

NEO Surveyor Com base nos 14 anos de sucesso da missão, a NASA lançará o NEO Surveyor (Pesquisador de NEOs) em 2027. Esse será o primeiro telescópio espacial infravermelho construído especificamente para caçar NEOs, avançando a estratégia de defesa planetária da agência.

“É uma missão precursora”, disse Amy Mainzer, investigadora principal do NEOWISE e do NEO Surveyor, no comunicado. “Depois de desenvolver novas técnicas para encontrar e caracterizar NEOs escondidos em grandes quantidades de seus dados de pesquisa infravermelha, o NEOWISE tornou-se fundamental para nos ajudar a desenvolver e operar o telescópio espacial infravermelho de próxima geração da NASA.”

“O NEO Surveyor procurará os asteroides e cometas mais difíceis de encontrar, que poderiam causar danos significativos à Terra se não os encontrarmos primeiro”, disse Mainzer, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, em um comunicado da NASA.