Sonda operou por mais de 14 dias com 10 cargas úteis e observou eclipse. Todos os objetivos foram concluídos com sucesso.

A Firefly Aerospace informou que sua sonda lunar Blue Ghost 1 encerrou as operações conforme o esperado, concluindo todos os objetivos. A nave tocou o solo lunar em 2 de março em Mare Crisium. Foi a primeira tentativa da Firefly de pousar na lua.

As operações terminaram com uma transmissão final por volta das 20h15 de Brasília de ontem, 16 de março, após 346 horas — quase 14 dias e meio — de sob luz solar e mais cinco horas após o pôr do sol. A espaçonave enviou mais de 119 gigabytes de dados, incluindo 51 gigabytes de dados científicos e tecnológicos de suas 10 cargas úteis patrocinadas pela NASA.

As observações após o pôr do sol tinham a intenção de caracterizar o ambiente de poeira, incluindo a busca por qualquer evidência de levitação de poeira. As cargas úteis também incluem câmeras para monitorar a pluma de material lançada pelos motores da espaçonave durante a alunissagem. Outras cargas examinaram a viabilidade de um escudo de poeira eletrodinâmico para remover regolito das superfícies da espaçonave e um sistema que usa gás nitrogênio para coletar amostras de regolito.

“Estamos extremamente orgulhosos das demonstrações que a Blue Ghost possibilitou, desde o rastreamento de sinais de GPS na Lua pela primeira vez até a perfuração robotizada mais profunda na superfície lunar”, disse hoje Jason Kim, presidente-executivo da Firefly, em uma declaração sobre o fim da missão.

Em 14 de março, a sonda foi capaz de observar um eclipse, com o disco solar bloqueado pela Terra, criando um anel brilhante conforme a luz do sol passava pela atmosfera terrestre.

Sucesso A Firefly não relatou grandes problemas com a Blue Ghost desde seu pouso. As operações do módulo foram reduzidas durante o meio do dia lunar, algo que a empresa planejou para compensar o calor durante esse período.

A Firefly recebeu uma ordem de serviço de US$ 101,5 milhões do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), da NASA ,para transportar as cargas úteis na sonda. Autoridades da agência já haviam elogiado o sucesso da missão como prova de que o CLPS está funcionando conforme o esperado, depois que três outras sondas falharam – não conseguiram chegar à Lua ou tiveram pousos duros que limitaram sua atividade.

“Então, no geral, foi uma prova positiva fabulosa e maravilhosa de que o modelo CLPS funciona”, disse Brad Bailey, administrador adjunto para exploração na Diretoria de Missões Científicas da NASA, durante uma reunião pública na Conferência de Ciências Lunares e Planetárias em 10 de março.

“Esta equipe continua a fazer conquistas quase impossíveis parecerem fáceis, mas não existe pouso fácil na lua, especialmente na primeira tentativa”, disse Will Coogan, engenheiro-chefe do Blue Ghost, na declaração da empresa. “Testamos em batalha todos os sistemas do módulo de pouso e simulamos todos os cenários de missão que conseguimos pensar para chegar a este ponto.”

“Nossa equipe pode parecer mais jovem e menos experiente do que aquelas de muitas nações e empresas que tentaram pousos na Lua antes de nós, mas o apoio que temos uns pelos outros é o que alimenta o trabalho duro e a dedicação para encontrar cada solução que fez desta missão um sucesso.”

A Firefly tem mais duas missões de pouso lunar sob contrato no CLPS. A Blue Ghost 2, com lançamento previsto para o ano que vem, tentará pousar no lado distante da Lua, entregando cargas úteis para sismologia lunar e cosmologia. Ela também implantará o satélite de comunicações Lunar Pathfinder, da ESA, enquanto a nave espacial Elytra Dark, da própria empresa, servirá como um retransmissor de comunicações em órbita. A Blue Ghost 3, com lançamento previsto para 2028, pousará ao lado visível da Lua, levando cargas úteis de astrofísica e ciência lunar, incluindo um pequeno rover.