Empresa planeja desligamentos para “se alinhar a revisões do programa Artemis”. Contratos vencem em março, mas NASA não fez mudanças oficiais.
A Boeing está se preparando para emitir avisos de demissão para cerca de 200 funcionários que trabalham no Sistema de Lançamento Espacial (SLS) — o foguete central do programa lunar Artemis. Isso está acontecendo porque é possível que seus contratos com a NASA para esse foguete não sejam renovados após o vencimento, em março.
De cerca de 400 funcionários que a Boeing inicialmente considerou cortar até abril “para se alinhar às revisões do programa Artemis e às expectativas de custo”, a empresa conseguiu preservar metade dos empregos após conversas diárias com a NASA. Segundo a Bloomberg, David Dutcher, vice-presidente da Boeing e gerente de programa do SLS, notificou os funcionários em um e-mail na semana passada.
A notícia das demissões foi publicada pela primeira vez pela Ars Technica em 7 de fevereiro. Segundo a Reuters informou cinco dias depois, seis representantes da indústria espacial que aconselham o presidente Donald Trump e Elon Musk recomendam o cancelamento do SLS ou seu corte gradual ao longo de vários anos.
O desenvolvimento do SLS, do qual a Boeing é a principal contratada, custou US$ 23,8 bilhões entre seu início, em 2011, e seu primeiro voo de teste, a missão Artemis I, no final de 2022. Além de caro, o fogeute não é reutilizável – estando na contramão dos designs mais atuais da indústria. Seria possível lançá-lo apenas uma vez a cada dois anos ao custo de cerca de US$ 4,1 bi por lançamento. Essa combinação tira o SLS do futuro efetivo das missões Artemis.
Críticos frequentemente argumentam que a SpaceX, de Musk, poderia realizar missões à Lua a custos mais baixos com seu veículo reutilizável Starship. Atualmente em desenvolvimento, o Starship está programado para ser empregado na Artemis III, marcada para 2027.
Por outro lado, o desenvolvimento do SLS e da espaçonave Orion (liderada pela Lockheed Martin) recebeu financiamento substancial de uma ampla coalizão e sustentava mais de 69 mil empregos em 2019. O foguete e a nave utilizam componentes e sistemas derivados do programa do Ônibus Espacial. Dessa forma, foi possível preservar empregos, aproveitar instalações e reutilizar alguns materiais.
“Em relação ao espaço, a arquitetura Artemis é extremamente ineficiente, pois é um programa de maximização de empregos, não um programa de maximização de resultados”, Musk escreveu no X em 25 de dezembro. “Algo totalmente novo é necessário.”
Oficialmente, a NASA ainda não fez nenhuma mudança no programa. Na conferência SpaceCom, ocorrida na Flórida em janeiro, Kirk Shireman, gerente do programa Orion na Lockheed Martin, disse que a abordagem atual da NASA para Artemis continua eficaz, apesar das críticas sobre custos e atrasos, segundo o SpaceNews.
“O que precisamos fazer é dizer às pessoas da nova administração e a qualquer pessoa com quem possamos conversar sobre isso: ei, a maneira mais rápida de levar os humanos de volta à Lua é manter o curso”, disse Shireman.
“As coisas levam muito tempo para serem construídas e certificadas e, se você as joga fora a cada quatro anos e começa do zero, essa é provavelmente a coisa mais lenta e cara que poderíamos fazer.”
