Sonda está no Cinturão de Kuiper, a 8 bi km. Estudo mostra que fundo óptico tem fontes no universo observável.
No anos 60, cientistas da Bell Laboratories detectaram uma radiação em todas as direções e inicialmente atribuíram-no a excrementos de pombos que se aninhavam nos receptores de rádio. Após limpar a sujeira, o sinal permaneceu. Assim foi descoberta a radiação cósmica de fundo, o brilho fraco que permeia todo o universo, a radiação térmica que sobrou do Big Bang. Estudá-lo nos permite entender mais sobre o Universo quando ele tinha 380 mil anos.
No final dos anos 80 foi detectada a radiação infravermelha de fundo, o brilho infravermelho difuso que preenche o universo vindo de inúmeras fontes ao longo de sua história. É principalmente proveniente de emissões térmicas de grãos de poeira aquecidos pela radiação estelar.

Além disso, há o fundo de ondas gravitacionais, que ainda não foi detectado, e o fundo cósmico óptico (COB), a “luz de fundo” do universo. A maior parte desta luz vem de estrelas em galáxias, mas astrônomos sempre se perguntaram se existem outras fontes de luz preenchendo o nosso céu noturno.
O estudo do COB ganhou força com os Telescópios Espaciais Hubble e Spitzer, revelando que grande parte dessa radiação vem de galáxias fracas não distinguíveis. O estudo do COB nos permite explorar a produção total de energia do universo, sobre a formação de galáxias e estrelas ao longo da história do cosmos.
Na Terra e em sua órbita, a detecção do COB é um desafio. A luz zodiacal, por exemplo, reflexo da luz solar na poeira interplanetária espalhada próximo ao plano dos planetas, é dominante no sistema solar interno e dificulta os estudos do COB.
Além da órbita de Plutão, porém, a sonda New Horizons, da NASA está em uma posição ideal para esses estudos. A cerca de 8 bilhões de km, a espaçonave não experimenta interferência que temos na Terra. E o instrumento Imageador de Reconhecimento de Longo Alcance (LORRI) é uma ótima ferramenta para isso.

Usando imagens dessa câmera, uma equipe de astrônomos liderada por Marc Postman, do Institudo de Ciência de Telescópios Espaciais (STScI), tentou medir o COB em comprimentos de onda de 0,4 a 0,9 µm. As imagens eram de altas latitudes galácticas para garantir que não havia luz difusa da Via Láctea ou luz dispersa de estrelas brilhantes.
Isolar a contribuição do COB para os níveis totais de brilho do céu exigiu subtrair digitalmente a luz espalhada de estrelas e galáxias brilhantes e de estrelas fracas dentro do campo que eram mais fracas do que a detectável pelo LORRI. Curiosamente, os resultados mostraram que, com base nas contagens estimadas de galáxias nas regiões amostradas, o COB é o resultado da luz de todas as galáxias dentro da nossa região observável do universo.
O artigo com os resultados está disponível no ArXiv.