Objeto orbita a 0,1 ano-luz do buraco negro supermassivo Sagittarius A*. Observações em diferentes comprimentos de onda foram combinadas.

Um dos tipos mais raros de buracos negros pode ter sido encontrado incrivelmente perto de Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia. Este novo buraco negro é de massa intermediária: não é leve o suficiente para ter se formado a partir de uma estrela em supernova, nem pesado o bastante para ser classificado como supermassivo.

Apenas cerca de 10 desses objetos são conhecidos, com o mais recente anunciado há algumas semanas, localizado no maior aglomerado estelar da Via Láctea, Omega Centauri.

A nova descoberta vem do aglomerado estelar IRS 13, rico em estrelas quentes e massivas. Originalmente, considerou-se que o objeto em seu centro era uma estrela massiva, mas observações de alta resolução fez com que pesquisadores entendessem que não se tratava de uma estrela.

Estima-se que o buraco negro tenha 30 mil massas solares. A evidência vem do movimento das estrelas num padrão ordenado e das emissões de raios X e do gás ionizado que gira em torno deste objeto a várias centenas de km/s. Foram combinadas de observações em múltiplos comprimentos de onda do Very Large Telescope (VLT), do Atacama Large Millimiter/submillimeter Array (ALMA) e do Chandra X-ray Observatory.

O artigo relatando os achados foi publicado no The Astrophysical Journal.

A forte possibilidade de seja um buraco negro intermediário tem consequências generalizadas. Há muito tempo, cientistas propõem que uma dieta constante de buracos negros de massa intermediária pode ajudar o crescimento dos supermassivos. Os intermediários são “devorados” quando se aproximam demais dos supermassivo. Acredita-se que o IRS 13 tenha se aproximado do centro da Via Láctea e de Sagittarius A* nos últimos 10 milhões de anos.

“O IRS 13 parece ser um alicerce essencial para o crescimento do nosso buraco negro central [Sagitário A*]”, disseo Dr. Florian Peißker, principal autor do estudo, em comunicado.

“Este aglomerado estelar fascinante continua a surpreender a comunidade científica desde que foi descoberto, há cerca de vinte anos. A princípio, pensou-se que fosse uma estrela extraordinariamente pesada. Com os dados de alta resolução, no entanto, podemos agora confirmar […] um buraco negro de massa intermédia no centro.”

Mais observações serão necessárias para confirmar que se trata mesmo de um buraco negro de massa intermediária e aprender mais sobre o aglomerado.