Descoberta foi feita de forma acidental. Achado desafia entendimento da região.

O rover Curiosity, da NASA, em seu 12º ano de missão, descobriu uma abundância de enxofre puro em Marte depois de passar por cima de uma rocha e abri-la acidentalmente. A descoberta surpreendeu cientistas.

O veículo espacial de seis rodas já detectou enxofre em Marte antes, mas apenas em uma mistura com outros minerais, incluindo magnésio e cálcio. O enxofre puro é inodoro e se forma em condições muito específicas que cientistas planetários não associam à localização do robô. Essa substância, porém, parece estar infundida em muitas rochas da região, de acordo com um comunicado da NASA .

“Encontrar um campo de pedras feito de enxofre puro é como encontrar um oásis no deserto”, disse Ashwin Vasavada, cientista de projeto da missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, no comunicado. “Não deveria estar lá, então agora temos que explicar.”

Cristais amarelos de enxofre descobertos pelo rover Curiosity após passar sobre uma rocha e quebrá-la (NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Na foto da rocha tirada pelo rover (acima), cristais amarelos de enxofre podem ser vistos aglomerados nas regiões internas da rocha quebrada. Esses cristais eram muito pequenos e quebradiços para o Curiosity coletar amostras com uma broca, então acabou estacionando perto de outra grande rocha, apelidada de Mammoth Lakes. Aqui, o rover usou uma broca na extremidade do seu braço robótico para abrir um buraco naquela rocha e guardou-o para análise posterior antes de partir.

O robô fez a descoberta em 30 de maio, quando explorava Gediz Vallis, um canal que desce pelas encostas do Monte Sharp, no centro da Cratera Gale. O rover começou a escalar esse relevo em 2014 e tem estudado o canal últimos dez meses em busca de sinais de vida microbiana antiga. Embora sulfatos (minerais encontrados anteriormente) contenham enxofre, não existe uma relação clara entre a formação dessas moléculas e os cristais puros. Cristais de enxofre elementar se formam apenas em uma faixa restrita de condições. E nada disso era esperado para esta região.

Uma vista do canal Gediz Vallis capturada pelo Curiosity em 31 de março (NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Pelo que se entende do passado de Marte, o Monte Sharp teria sido muito mais húmido há bilhões de anos. O canal Gediz Vallis, que serpenteia pela montanha, teria sido escavado quando o planeta começou a secar, possivelmente por ventos fortes ou mesmo fluxos violentos de água líquida.

Por meio de imagens feitas a partir da órbita, cientistas puderam ver a presença de grandes montes de detritos espalhados pela região. Ao examiná-los in loco, o Curiosity descobriu que rochas apresentam anéis ou halos claros perto de suas bordas, que os cientistas dizem serem causados ​​por reações químicas provocadas pela água depois que as rochas absorveram os minerais disponíveis depositados na área.

Em maio, o Curiosity capturou esta imagem de rochas que mostram anéis ou halos pálidos perto de suas bordas, semelhantes a marcas vistas na Terra quando a água subterrânea vaza para as rochas ao longo das fraturas, causando reações químicas que alteram a cor (NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Essas rochas teriam sido levadas por lá pelo fluxo de água e por deslizamentos. “Este não foi um período tranquilo em Marte”, disse Becky Williams, cientista do Instituto de Ciência Planetária, em Tucson, Arizona, e investigadora principal adjunta da Mast Camera (Mastcam), do Curiosity. “Houve uma quantidade emocionante de atividade aqui. Estamos observando vários fluxos no canal, incluindo inundações energéticas e fluxos ricos em rochas.”

Os cientistas não têm a certeza do papel que a história de Marte teria na formação do enxofre puro recém-descoberto ou se o elemento tem alguma ligação com outros minerais à base de enxofre previamente descobertos na região.