Análise indica 70% de chance de HLS estar pronto quase um ano e meio após cronograma atual. Relatório feito por agência teve pouca divulgação e ganhou atenção após menção do GAO.
Enquanto a NASA planeja uma alunissagem tripulada na missão Artemis III em setembro de 2026, uma análise da própria agência estima que há quase uma chance em três de o módulo de pouso ficar pelo menos um ano e meio atrasado.
Essa avaliação veio de uma revisão de confirmação do projeto de Capacidade Inicial do Human Landing System (HLS, sistema de pouso tripulado), que está apoiando o desenvolvimento da versão lunar da Starship, da SpaceX, a ser usada na Artemis III. A revisão de confirmação, conhecida como Key Decision Point (KDP, ponto de decisão chave) C, define compromissos de custo e cronograma para projetos da NASA.
A revisão ocorreu em dezembro de 2023 e estabeleceu uma linha de base de cronograma para fevereiro de 2028 com 70% de confiança conjunta. Isso significa que há 70% de chance de que a Starship esteja pronta para um pouso lunar – um marco formalmente conhecido como revisão de verificação de órbita lunar – até fevereiro de 2028.
“O nível de confiança conjunta de custo e cronograma é uma análise integrada do custo, cronograma, risco e incerteza de um projeto, que indica a probabilidade de um projeto atingir um determinado conjunto de metas de custo e cronograma”, explicou o Government Accountability Office (GAO, Gabinete de Responsabilidade do Governo) em um relatório de 20 de junho avaliando os principais programas da NASA.
Essa data é quase um ano e meio após o cronograma atual da NASA para a Artemis III, setembro de 2026. O nível de confiança conjunta de 70% também significa que a agência acredita que há 30% de chance de que o HLS não esteja pronto antes de fevereiro de 2028.
A revisão de confirmação, não foi divulgada amplamente pela NASA quando foi concluída, mas foi mencionada no relatório do GAO. Observou que a avaliação do cronograma independe da prontidão de outros aspectos da missão, como o foguete Space Launch System (SLS, Sistema de Lançamento Espacial), a espaçonave Orion e os novos traje lunares.
Ao site SpaceNews, a NASA confirmou as datas mencionadas no relatório do GAO, reiterando que a Artemis III permanece dentro do cronograma para setembro de 2026. “Os números básicos de custo e cronograma do relatório do GAO são estimativas precisas e informadas sobre o risco, com 70% de nível de confiança conjunta (JCL [joint confidence level]). O uso da agência de um JCL de 70% para informar as estimativas de base é uma abordagem conservadora que pressupõe uma contemplação ampla de riscos”, afirmou.
“A NASA continua a confiar na SpaceX como fornecedora para ajudar a cumprir a missão Artemis III”, acrescentou o comunicado da agência ao site.
O KDP-C também estabeleceu um custo de US$ 4,9 bilhões para a capacidade inicial do HLS com o mesmo nível de confiança conjunta de 70%. Isso inclui o contrato de preço fixo de US$ 2,9 bilhões com a SpaceX, prêmios para a SpaceX, Blue Origin e Dynetics na fase inicial do projeto e custos de gabinete de projeto da NASA.
Cathy Koerner, administradora associada da NASA para desenvolvimento de sistemas de exploração, reiterou a data de 2026 para Artemis 3 em uma reunião de 7 de junho do Conselho de Estudos Espaciais das Academias Nacionais. Essa reunião ocorreu um dia após o quarto voo de teste integrado da Starship e seu booster Super Heavy .
“A partir do status de projeto de Human Landing System, a SpaceX continua fazendo grandes progressos”, disse ela, citando o voo mais recente e outros trabalhos, como um teste integrado do elevador que os astronautas usarão para descer à superfície a partir da cabine da Starship.
Mas ela também mencionou que os trabalhos no HLS enfrentam “muitos desafios técnicos”. O próximo marco importante, disse ela, seria um teste de transferência de propelente criogênico no espaço, que ela disse estar planejado para o início de 2025.
O relatório do GAO também enfatizou a importância desse teste. Durante a revisão de confirmação, um conselho de revisão permanente “recomendou que os testes de transferência de propelente no espaço da SpaceX informem a revisão crítica do projeto do programa, atualmente planejada para 2025”.
Na reunião do Conselho de Estudos Espaciais, Koerner minimizou relatos de que a NASA estava considerando um plano alternativo que testaria a Starship e a Orion em órbita baixa da Terra, análoga à missão Apollo 9, mas reconheceu que a agência estava planejando contingências.
Segundo ela, NASA fez muitas avaliações do “próximo pior fracasso”, analisando o que aconteceria se um elemento da missão não estivesse disponível. “Estamos sempre fazendo esse tipo de plano alternativo”, disse ela. “Não fizemos nenhuma alteração no plano atual conforme descrevi aqui hoje, mas temos muitas pessoas analisando muitos planos de backup para que possamos fazer a devida diligência.”