Satélite russo de defesa, alinhou-se com satélite do governo americano. Desde o lançamento, em maio, EUA classificam satélite como arma contra-espacial.
O Comando Espacial dos EUA (USSPACECOM) está se preparando para a possibilidade de satélites americanos serem alvos de ações russas, segundo seu comandante.
O General Stephen Whiting, chefe do USSPACECOM, comentou informes recentes indicando que a Rússia implantou naves espaciais “coplanares” posicionadas para monitorar satélites dos EUA.
No último dia 24, segunda-feira, no Instituto Mitchell de Estudos Aeroespaciais, Whiting disse que o satélite Cosmos 2576, lançado em em 16 de maio, entrou em órbita com “capacidade operacional”.
Na época do lançamento, o General Brigadeiro Pat Ryder, porta-voz do Pentágono, disse que “a Rússia lançou um satélite na órbita baixa da Terra que avaliamos ser provavelmente uma arma antiespacial”. Ryder disse que ele estava na “mesma órbita” de um satélite do governo dos EUA, acrescentando que Washington continuaria a monitorar a situação e teriam que estar prontos para proteger seus interesses. A Rússia não respondeu a essa declaração.
De forma independente, um porta-voz do USSPACECOM disse o satélite era “provavelmente uma arma contraespacial, presumivelmente capaz de atacar outros satélites na órbita baixa da Terra”. Ainda segundo esse porta-voz, o Cosmos 2576 foi lançado do cosmódromo russo de Plesetsk, cerca de 800 km ao norte de Moscou.
Em declaração, a Roskosmos, agência espacial disse que o lançamento era “no interesse do Ministério da Defesa da Federação Russa” e que o veículo de lançamento usado foi um foguete Soyuz-2.1b.
Nem Moscou nem Washington forneceram mais detalhes, mas analistas espaciais comentaram que o Cosmos 2576 parecia estar na mesma órbita que o satélite americano USA 314.
“E quando você olha onde eles colocaram o satélite, no que chamamos de coplanar em relação a um satélite de segurança nacional, isso não parece ser acidental”, disse Whiting no início dessa semana.
A implantação coplanar indica posicionamento de satélites no mesmo plano geométrico no espaço, com órbitas alinhadas. Este alinhamento permite que a espaçonave russa monitore, rastreie e potencialmente interfira com um satélite dos EUA.
Whiting observou que esta implantação não foi surpresa. “Temos rastreado objetos em órbita há décadas”, disse ele. “Podemos olhar para esses parâmetros orbitais e comparar esse lançamento com os lançamentos que os russos fizeram em 2017, 2019 e 2022 que se parecem com esta classe de arma antiespacial que eles testaram anteriormente, e que agora parece que eles colocaram em órbita com capacidade operacional.”
O USSPACECOM leva essas atividades a sério ensaia ativamente uma resposta a potenciais ataques a recursos espaciais dos EUA, disse Whiting.
Um ataque a satélites pode ter grandes consequências, podendo perturbar serviços críticos como navegação por GPS, previsão do tempo e comunicações militares. Nos últimos anos, o Departamento de Defesa dos EUA enfatizou a importância dos recursos espaciais para a segurança nacional.

Os comentários de Whiting ocorrem em meio a tensões crescentes entre os EUA e a Rússia no domínio espacial. Relatórios de inteligência indicaram que a Rússia estaria desenvolvendo uma arma nuclear antissatélite, mas ainda não foi implantada. Segundo autoridades americanas a detonação de um dispositivo nuclear em órbita poderia produzir uma enorme onda de radiação e um pulso eletromagnético capaz de destruir ou incapacitar satélites.
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Whiting não comentou esse assunto, concentrando sua fala na preparação para possíveis ataques aos recursos espaciais do país – sem especificar o método utilizado. “Nossa prioridade número um […] é nos prepararmos e nos posicionarmos para maximizar a prontidão de combate até 2027”, disse o militar. “Portanto, estamos executando testes, operações e exercícios com nossos componentes de serviço para melhorar nossas táticas, técnicas e procedimentos.”
O General enfatizou que o Comando Espacial está trabalhando em estreita colaboração com aliados para desenvolver estratégias para mitigar os efeitos de qualquer possível ataque. “Estamos fortalecendo nossas parcerias por meio de iniciativas como a Operação Olympic Defender, que nos permite compartilhar informações e planejar medidas defensivas conjuntas”, afirmou.
A Operação Olympic Defender é uma iniciativa multinacional liderada pelos EUA que visa fortalecer a defesa e dissuadir ações hostis no espaço. Os membros atuais incluem Austrália, Canadá e Reino Unido. Whiting disse que França, Alemanha e Nova Zelândia foram convidadas a aderir. “Esperamos ter uma resposta positiva deles nos próximos meses.”
