Satélite lançado no dia 16 seguiu padrões de outras cargas russas que se aproximaram de satélites espiões americanos. Desde fevereiro, há rumores de arma nuclear espacial russa.

O governo dos EUA alega que um satélite russo lançado recentemente é, na verdade, uma arma antissatélite. A carga russa foi implementada próxima à órbita de um satélite de reconhecimento americano.

O embaixador Robert Wood, representante suplente dos EUA para assuntos políticos especiais na Organização das Nações Unidas (ONU), fez a alegação durante um debate em ontem, 20 de maio, no Conselho de Segurança da Organização (CSNU) sobre uma resolução russa que propõe a proibição da colocação de armas de qualquer tipo no espaço.

“Na semana passada, em 16 de maio, a Rússia lançou um satélite na órbita baixa da Terra que os Estados Unidos avaliam ser provavelmente uma arma contraespacial, presumivelmente capaz de atacar outros satélites na órbita baixa da Terra”, disse ele. “A Rússia colocou essa nova arma contraespacial na mesma órbita de um satélite do governo dos EUA”.

No dia 16, a Rússia lançou um foguete Soyuz-2.1b do Cosmódromo de Plesetsk, no norte do país. A carga útil principal era o satélite designado como Cosmos 2576, mas o governo russo não divulgou detalhes sobre o satélite ou sua missão.

No dias seguintes, observadores independentes de satélites notaram que o Cosmos 2576 está em uma órbita com parâmetros semelhantes aos do satélite americano USA 314, que se acredita ser de reconhecimento. O Cosmos 2576 está em uma órbita mais baixa, mas os observadores notaram que, em 2022, outro satélite russo, o Cosmos 2558, foi lançado em uma órbita semelhante e elevou a órbita para se aproximar de outro satélite de reconhecimento americano, o USA 326.

Wood, em seus comentários, não discutiu como o governo dos EUA chegou à conclusão de que o novo satélite é uma arma contraespacial ou quais são suas capacidades, mas observou que esse lançamento “segue os lançamentos anteriores de satélites russos, provavelmente de sistemas contraespaciais para a órbita baixa da Terra em 2019 e 2022”.

Suas observações foram feitas durante um debate do CSNU sobre uma resolução proposta pela Rússia que buscaria proibir a colocação de armas de qualquer tipo no espaço. A Rússia ofereceu a resolução depois de ter vetado, em 24 de abril, uma resolução proposta pelo Japão e pelos EUA que buscava reafirmar as disposições do Tratado do Espaço Sideral que proíbe a colocação de armas no espaço. Segundo relatos, a motivação seria o desenvolvimento de uma arma nuclear antissatélite.

Wood e representantes de outras nações ocidentais disseram que se opunham à resolução russa devido a preocupações de longa data sobre as dificuldades de verificação de uma proibição de armas no espaço. Também alegaram que a Rússia não agiu de boa-fé nas negociações sobre a resolução, com Wood dizendo que a resolução era “o ápice da campanha russa de gaslighting [manipulação psicológica com mentiras e omissão] e dissimulação diplomáticos”.

O CNSU não aprovou a resolução da Rússia, com 7 dos 15 membros, incluindo Rússia e China, votando a favor. Sete outras nações, incluindo França, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, votaram contra. A Suíça se absteve.

Nuclear Vasily Nebenzya, embaixador da Rússia na ONU, argumentou que a resolução russa era mais abrangente. “A votação de hoje é um momento único de verdade para nossos colegas ocidentais”, disse ele. “Se eles não apoiarem a resolução, mostrarão claramente que sua principal prioridade continua sendo manter a liberdade para acelerar a militarização do espaço sideral.”

Quanto às afirmações de Wood sobre o Cosmos 2576 ser uma arma antissatélite, Nebenzya fez apenas um comentário breve negando saber do que se tratava o assunto. “Agora, agora há pouco, o representante dos EUA se referiu a algum tipo de satélite que, em sua opinião, mais uma vez em um estilo altamente provável, pode ser provavelmente, possivelmente, colocado em um motor nuclear. Eu nem sequer entendi do que ele estava falando”, disse ele. “Mas isso não é o mais importante.”

Em seus comentários, Wood não afirmou que o satélite russo era uma arma nuclear ou que era movido a energia nuclear. Além disso, as autoridades americanas já haviam dito anteriormente que não acreditam que a Rússia já tenha implantado uma arma nuclear no espaço.

Em fevereiro, a comissão permanente de inteligência do Congresso dos EUA emitiu um alerta de segurança nacional e pediu ao presidente Joe Biden para quebrar o sigilo sobre o assunto. Rapidamente, correram rumores sobre planos russos de uma arma nuclear antissatélite. No início desde mês, o Pentágono confirmou sua convicção nesses planos.

Armas nucleares foram detonadas no espaço pela União Soviética e pelos EUA na Guerra Fria. A maior uma bomba de 1,45 megaton detonada pelo EUA em 9 de julho de 1962 no experimento Starfish Prime, cerca de 450 km acima do nível do mar. A explosão criou um pulso eletromagnético e cinturões de radiação que inutilizaram 8 dos 24 satélites então em órbita, incluindo um do Reino Unido.