Essa é a segunda sonda chinesa a conseguir o feito. Missão enviará amostras para a Terra.
Ontem, 1° de junho, A sonda chinesa Chang’e-6 fez um pouso suave bem-sucedido no lado distante da Lua. A alunissagem ocorreu às 19h23 de Brasília (6h23 do dia 2 em Pequim), conforme anunciou a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) logo após o evento. O local de pouso é região sul da cratera Apollo dentro da Bacia do Polo Sul-Aitken.
A missão, lançada em 3 de maio, almeja trazer amostras lunares únicas e cientificamente valiosas para análise na Terra. A Chang’e 6 chegou à órbita lunar cerca de quatro dias após a decolagem e passou as semanas seguintes examinando o local. As pesquisas decadais dos EUA destacaram o retorno da amostra dessa região lunar como um objetivo científico da mais alta prioridade.
Na manobra de pouso, ela utilizou um motor de impulso variável de 7.500 newtons para diminuir sua velocidade na órbita lunar e iniciar sua descida. O módulo de pouso foi programado para fazer ajustes rápidos de posicionamento a cerca de 2,5 km acima da superfície lunar antes de continuar sua descida. A 100 m do solo lunar, iniciou uma fase de “voo pairado para evitar riscos. Foram usadas câmeras óticas e de detecção e alcance de luz (LiDAR) para encontrar um local de pouso seguro.
Essa é a terceira alunissagem desse ano, seguindo as sondas SLIM, da agência espacial japonesa, e a NOVA-C IM-1, da empresa americana Intuitive Machines. É a quarta alunissagem bem-sucedida da China, em quatro tentativas – e a segunda no lado distante. Em janeiro de 2019, a Chang’e-4 também pousou no lado distante, carregando um lander e um rover. Nenhum outro país alunissou no lado escuro ate agora.
Todas as missões à superfície lunar antes da Chang’e-4 visavam o lado mais próximo, especialmente porque ela é mais fácil de explorar. Para se comunicar com robôs no lado distante, por exemplo, é necessário um satélite de retransmissão. Para a Chang’e-6, antes da própria missão, a China langou o satélite Queqiao-2.
No programa da missão, a alunissagem é seguida por verificações iniciais dos sistemas da sonda e coleta de amostras. A Chang’e-6 coletará até 2 kg de amostras, usando uma concha para pegar o regolito da superfície e uma broca para extrair material de até 2 metros de profundidade.
Após a coleta, um veículo de ascensão no topo do módulo será lançado com as amostras rumio à orbita lunar. Pelos danos do lançamento, o módulo de pouso provavelmente encerrará suas operações. O lançamento é esperado cerca de 48 horas após o pouso, com o ascensor se aproximando e acomplando-se a uma nave em órbita. Então, as amostras serão transferidas para uma cápsula de reentrada atmosférica e serão trazidas à Terra. A nave liberará a cápsula por volta de 25 de junho. Ela deve aterrissar nas pastagens da Mongólia.
Cientistas estudarão detalhadamente o material coletado, buscando percepções sobre a história e a evolução da Lua e pistas sobre por que o lado mais distante é tão diferente do lado mais próximo. Por exemplo, os mares vulcânicos escuros são comuns no lado próximo, mas são raros no outro lado. E ainda não entendemos o motivo.
Os pesquisadores compararão o material da Chang’e 6 com as amostras coletadas no lado próximo da Lua pela Chang’e-5, que desceu à Terra em dezembro de 2020. As duas missões contam com arquiteturas praticamente idênticas.
Além de amostras O módulo de pouso da Chang’e-6 também carrega outras cargas úteis e espera-se que um pequeno rover seja implantado na superfície para operação curta.
As cargas úteis internacionais incluem a Negative Ions at the Lunar Surface (NILS), desenvolvida pelo Instituto Sueco de Física Espacial, e o instrumento francês Detection of Outgassing RadoN (DORN). Um retrorrefletor de laser passivo italiano também está a bordo.

O programa Chang’e, batizado em homenagem à deusa-lua chinesa, lança missões cada vez mais ambiciosas há 17 anos. As Chang’e-1 e -2 enviaram orbitadores à Lua em 2007 e 2010, respectivamente. A Chang’e-3 foi a primeira alunissagem chinesa, em 2013, colocando um lander e um rover na superfície lunar. Em 2019, a Chang’-4 repetiu o feito. A Chang’e 5-T1 lançou uma cápsula de teste ao redor da Lua e de volta à Terra em 2014, testando o equipamento de envio de amostras lunares – cumprido pela Chang’e 5 cumpriu em 2020.
As próximas duas missões já estão sendo planejadas. A Chang’e 7 está programada 2026 para avaliar o potencial de recursos da região polar sul da Lua, que se acredita abrigar grandes reservas de gelo de água. Dois anos depois, a Chang’e 8 testará maneiras de usar esses recursos no local – construindo uma estrutura com materiais lunares, por exemplo.
O país pretende lançar sua primeira missão lunar com tripulação até 2030. O objetivo maior é estabelecer uma base lunar permanente, a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, planejada para a década de 2030, com parceiros como Rússia, Belarus e Paquistão.
Os Estados Unidos têm objetivos semelhantes com seu programa Artemis. Atualmente, a primeira alunissagem do programa está marcada para o final de 2026. Como o programa enfrenta problemas técnicos e orçamentários, é muito provável que esse cronograma sofra atrasos, como já sofreu. Os EUA também estão formando uma coalizão para a exploração da lunar: os Acordos Artemis, já assinados por mais de 40 nações.
