Pesquisadores usaram levantamentos de rádio para estudar candidatas a Esferas de Dyson. Em novo artigo, propõem que galáxias distantes podem explicar as assinaturas observadas.

Na busca por inteligência extraterrestre, Esferas de Dyson têm sido uma digressão e tanto. Recentemente, sete estrelas foram identificadas como candidatas em potencial, com a maior parte de sua radiação emitida nos comprimentos de onda do infravermelho. Potencialmente, essa é a assinatura do calor de uma matriz de espaçonaves ao redor da estrela.

Leia mais: “Cientistas acreditam ter encontrado Esferas de Dyson”, 16/05/2024.

Agora, um novo artigo apresentou outra explicação um pouco menos empolgante: galáxias obscurecidas por poeira, uma forma de “contaminação” nas observações

O conceito de Esferas de Dyson foi proposto pela primeira vez por Freeman Dyson em 1960 para descrever como uma civilização tecnologicamente avançada posicionaria coletores de energia e até mesmo habitats ao redor de uma estrela. Eventualmente, essa infraestrutura poderia envolver toda a estrela e Dyson argumentou que uma assinatura seria detectável em infravermelho.

Publicadas recentemente, as descobertas do Projeto Hephaistos – conduzido por uma equipe internacional de cientistas – revelaram sete estrelas do tipo M candidatas a terem Esferas ou Enxames de Dyson. A equipe examinou uma amostra de 5 milhões de estrelas observadas pelo satélite astrométrico europeu Gaia. Dados da pesquisa 2MASS (Two Micron All Sky Survey) e do telescópio espacial infravermelho WISE (Wide Field Infrared Survey Explorer) também foram usados para identificar as estrelas que pareciam apresentar o excesso de infravermelho esperado.

Galáxias obscurecidas por poeira feitas pelo telescópio espacial WISE

Em artigo mais recente, liderado por Tongtian Ren, foi proposta outra explicação para esses dados, cruzando dados do Very Large Array Sky Survey (VLASS) e de outros levantamentos de rádio do céu. Eles procuraram por fontes de rádio em um raio de 10 segundos de arco a partir das posições das candidatas levantadas com o Gaia. (A lua cheia tem 1.860 segundos de arco de diâmetro.)

Foram encontradas fontes de rádio para três das candidatas: A, B e G. A precisão das fontes estava dentro de 4,9, 0,4 e 5,0 segundos de arco, respectivamente, e a candidata G foi encontrada em vários levantamentos de rádio.

A conclusão da equipe é que é mais provável que as candidatas a Esferas de Dyson sejam, na verdade, algum tipo de fenômeno extragaláctico. A explicação mais provável é uma galáxia distante obscurecida por poeira. A presença da poeira contaminaria a distribuição de energia infravermelha nos espectros dos dois objetos. A outra candidata, B, também é considerada uma galáxia distante, mas que estava dentro de uma linha de visão muito próxima de uma estrela anã do tipo M.

Muito semelhante às candidatas A e B, a candidata G tem um espectro que revela núcleos galácticos ativos (AGNs) com ruídos de rádio e jatos superluminais que se estendem. É provável que as galáxias sejam quasares distantes que emitem enormes quantidades de radiação, mas as nuvens de poeira quente obscurecem a maior parte dela, exceto a infravermelha.

Até o momento, não foi encontrada nenhuma fonte de rádio correspondente às outras quatro estrelas. Isso não significa que o modelo de “galáxia quente obscurecida por poeira” não seja uma explicação adequada, mas apenas que são necessárias pesquisas de rádio de maior resolução.

É claro que não podemos também descartar que sejam Esferas de Dyson. Podem ser? Podem ser, sim… Mas ainda não há evidências suficientes para bater o martelo.