A sonda lunar se desligou do veiculo lunar. O objetivo principal da missão é procurar Hélio 3.
Uma sonda lunar da primeira missão indiana não-tripulada para a Lua, a Chandrayaan-1, pousou no satélite natural e começou a enviar suas primeiras imagens, disseram autoridades da agência espacial indiana (ISRO), nesta sexta-feira (14/11/2008).
A sonda lunar se desligou do veiculo lunar Chandrayaan-1 a aproximadamente 100 quilômetros da superfície da lua e pousou no pólo sul às 13h01 (horário de Brasília), cerca de 25 minutos após se separar da nave-mãe, disseram autoridades em Bangalore.
"Foi uma operação impecável", disse SK Shivakumar, diretor de comando e rastreamento de telemetria da ISRO.
A sonda, que receberá o nome de "Aditya", tem o objetivo de recolher um pouco de terra, que será analisada depois por instrumentos do próprio aparelho. A sonda já começou a enviar imagens para a nave mãe, disse Shivakumar.
O objetivo principal da missão é procurar Hélio 3, um isótopo muito raro na Terra e que pode ser utilizado para providenciar energia em processos de fusão nuclear. O Hélio 3 poderá se tornar uma valiosa fonte energética no futuro. Estima-se que haja uma quantidade maior do isótopo na lua, mas ele ainda é raro e difícil de ser encontrado.
A Índia lançou a Chandrayaan-1 no dia 22 de outubro, começando a participar da corrida espacial asiática e seguindo os passos da China para reforçar sua posição como potência mundial.
O foguete indiano PSLV levava a bordo o satélite Chandrayaan-1, equipado com uma sonda lunar, do centro espacial Satish Dhawan de Sriharikota, uma península do sudeste da Índia. A missão inédita consta de várias etapas e deve durar dois anos.
O aparelho espacial leva instrumentos científicos indianos, europeus e americanos, para uma série de experiências e observações ao redor e na Lua durante dois anos, incluindo estudos topográficos, a busca de água, minerais e substâncias químicas.
A índia, com ambições de superpotência, quer demonstrar que é um líder em termos de tecnologias espaciais, em meio a uma disputa com China e Japão. Pequim tem uma grande vantagem neste campo, já que em setembro conseguiu realizar uma caminhada espacial humana e reiterou a ambição de realizar um vôo tripulado à Lua.
A Chandrayaan-1, uma espaçonave construída pela ISRO, também é vista como um impulso para as ambições do país na área de negócios espaciais.
Em abril, a Índia colocou em órbita 10 satélites utilizando apenas um foguete. O gigante do sul da Ásia cobra 35% a menos por seus lançamentos que as outras agências espaciais internacionais. E a ISRO diz que planeja mais lançamentos antes de uma missão tripulada para o espaço. O passo seguinte é seguir para Marte, após quatro anos.
Disputa As grandes potências da Ásia lutam pela conquista da Lua, que pretendem transformar em plataforma de exploração espacial, e de Marte.
Além do envio de uma missão lunar tripulada, a China quer construir um laboratório no espaço, concorrente da ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês). O Japão lançou uma sonda lunar no fim de 2007 e deseja enviar um astronauta ao satélite até 2020.
A Índia tem previstos 60 vôos espaciais até 2013, também à Lua e Marte. A agência espacial nacional sonha em mandar um indiano ao espaço. Para preparar esse vôo tripulado, Nova Délhi conseguiu recuperar na Terra, em 2007, uma cápsula enviada ao espaço.
Esta nova potência econômica também almeja entrar para o seleto e restrito clube de países lançadores de satélites comerciais. Estados Unidos, Rússia, China, Ucrânia e a Agência Espacial Européia compartilham este mercado, que deve render US$ 145 bilhões nos próximos 10 anos.
O programa espacial do país teve início em 1963, mas até pouco tempo atrás estava reservado aos lançamentos dos próprios satélites, o primeiro deles em 1980.
Fontes: G1 e Folha Online