Galáxias distantes, objetos longínquos e planetas revelados em imagens nítidas. Grande parte dessas belezas do Universo nunca poderia ser vista por humanos não fosse um conjunto de gigantes telescópios desenvolvidos para explorar os confins do espaço.

Telescópio Hobby-Eberly, no Texas, com design diferenciado e meta de fornecimento de dados científicos a baixo custo

Com grandes espelhos, esses observatórios permitem que astrônomos analisem pequenos detalhes de estrelas, planetas e outros objetos espaciais. "Quando maior o espelho, mais luz você consegue detectar. Então você pode observar objetos mais fracos [em termos de luminosidade] e mais distantes, ou fazer essas observações de modo mais rápido", afirma Gustavo Porto de Mello, do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Telescópio japonês Subaru tem espelho de 8,2 metros de diâmetro e fica em Mauna Kea, no Havaí

Em geral, a função de um telescópio é coletar e concentrar em um feixe a radiação vinda de uma determinada área do céu. No caso dos telescópios ópticos, o objetivo é coletar a luz visível — lentes e espelhos são usados para direcionar o caminho dos raios, concentrando-os em um ponto, o que faz com que eles sejam visíveis.

No começo de novembro de 2008, a China anunciou oficialmente sua entrada nessa briga com a construção do Lamost, que diz ser o telescópio óptico com maior espectro do mundo, entre os equipamentos que fazem varreduras sistemáticas em campos largos no céu. Veja abaixo três dos maiores telescópios já instalados na Terra.

►Very Large Telescope (VLT)

Complexo do VLT com quatro telescópios de 8,2 metros de diâmetro que podem funcionar separadamente ou em conjunto

Instalado no Monte Paranal (norte do Chile), o VLT é composto por quatro telescópios de 8,2 metros de diâmetro, que podem funcionar separadamente ou em conjunto — neste modo, combinando as luzes de cada unidade, o complexo equivale a um observatório de 16 metros.

Com apenas um telescópio, é possível ver objetos que são 4 bilhões de vezes mais "apagados" do que o nosso olho é capaz de observar.

Mais de 2.000 estudos foram publicados em revistas científicas com base nas observeções deste complexo, que é operado pela ESO (European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere). Uma curiosidade: o complexo no Chile abrigou filmagens da última produção de James Bond, "007 – Quantum of Solace", que estreou no dia 07 de novembro de 2008 no Brasil.

►Keck

Telescópios Keck, no Havaí, com dois espelhos de 10 metros de diâmetro

O observatório W. M. Keck é composto por dois telescópios com espelho de 10 metros de diâmetro. Eles estão localizados no cume de Mauna Kea, um vulcão extinto no Havaí. Trata-se de um dos maiores telescópios do mundo para observação de infravermelho, permitindo uma melhor observação dos processos de formação de planetas e estrelas.

"O fato de você poder combinar os feixes de luz dos dois telescópios permite ver detalhes muito pequenos das estruturas", afirma Roberto Costa, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo).

Saiba mais sobre o Keck no artigo "Observatório capta um céu único" da Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u2645.shtml

►Gemini

Telescópio Gemini Sul, localizado no Chile; projeto tem participação do Brasil

O observatório Gemini é formado por dois telescópios "gêmeos" — daí a origem do nome –, localizados em dois dos melhores lugares para observação astronômica. Uma montanha nos Andes chilenos chamada Cerro Pachon e Mauna Kea, no Havaí. "São locais com pouca chuva e estão em alta altitude, o que melhora a qualidade das imagens", afirma Mello, da UFRJ.

Os telescópios têm espelhos de 8 metros de diâmetro e também conseguem detectar luz infravermelha.

A idéia é que, juntos, os dois observatórios, que ficam em hemisférios separados, consigam ver todo o céu. O complexo foi construído por um consórcio de sete países, incluindo o Brasil.

Fotos: Divulgação

Fonte: Folha online