Talvez em 2014 uma sonda partirá da Terra medindo 2,7 m de largura e 9,4 de comprimento. A Sonda Solar (Solar Probe) enfrentará as temperaturas da coroa solar (cerca de 2 milhões de graus Celsius) ao passar a apenas 2 milhões de quilômetros da “superfície” do Sol.

         Enviamos sondas para todos os planetas. Voyagers 1 e 2, agora, exploram os limites do Sistema Solar. Mas até hoje nenhuma missão foi para as proximidades do astro-rei.

         Pode parecer inconcebível um equipamento que consiga operar na radiação presente a uma distância tão pequena do Sol. A sonda deve suportar temperaturas mais que 3 mil vezes maiores que a do Sol na distância da Terra. Por mais fantástico que possa parecer, existe tecnologia para construir tal máquina.

Para a construção da sonda será usada a tecnologia de materiais resistentes ao calor, utilizada na fabricação de mísseis e revestimento de ônibus espaciais para criar o sistema de proteção térmica (SPT) com formato de cone, que fará sombra à sonda.

Essa proximidade com o Sol possibilitará imagens e medições que ampliarão enormemente nosso conhecimento sobre a coroa e o vento solares. A sonda também ajudará na questão da radiação em ambientes em que futuros exploradores espaciais (não só humanos) irão trabalhar. A única maneira de saber por que a coroa é tão mais quente que a “superfície” solar e como o vento solar é acelerado é coletar dados perto do Sol.

Em 2003, o National Research Council deu prioridade para a área de física solar e espacial na próxima década. Um estudo da instituição destacou a importância científica de uma missão ao Sol e recomendou que ela fosse implantada o mais cedo possível.

No fim de 2003, a NASA estabeleceu a equipe da ciência e tecnologia para a missão. Essa equipe entregou, em setembro de 2005, um relatório oficial que delineava uma missão de US$ 1 bilhão, com lançamento dentro de aproximadamente 10 anos e riscos aceitavelmente baixos. O financiamento desta missão exigirá aprovação especial do congresso.

 

A longa espera da Sonda Solar

Cientistas recomendaram, pela primeira vez, uma missão ao Sol em 1958. Naquele ano a Comissão Simpson da Academia Nacional de Ciência fez recomendações para futuras missões da então recém-criada NASA. Elas incluíam o envio de uma máquina ao interior da órbita de Mercúrio para estudar o Sol.

Quatro anos depois, a sonda Mariner 2 fez as primeiras medidas definitivas do vento solar. A década seguinte vivenciou várias missões que estudaram o vento solar, mas nenhuma tão perto quanto a órbita de Vênus.

Em meados da década de 70 o projeto Hélios, desenvolvido pelos Estados Unidos e Alemanha, lançou duas sondas em órbitas altamente elípticas, que se aproximavam mais do sol que Mercúrio. Essas sondas coletaram dados que são, até hoje, os próximos do Sol já obtidos, mas a aproximação máxima foi de 60 raios solares.

Desde então a NASA realizou estudou de diversas missões solares (por exemplo, a SOHO). Alguma versão de sonda solar sempre esteve no topo de várias listas de prioridades da Academia Nacional de Ciência e da NASA. Um plano que durou pouco tempo chegou a propor uma missão conjunta entre os E.U.A. e a Rússia.

 

Animação da Sonda Solar:

http://www.astronomy.com/toc

 

Para saber mais:

Astronomy Brasil, vol. 1, num. 8, dez 2006