Venera-D incluiria balão, módulo de pouso e sonda orbital. Missão retomaria histórico bem-sucedido de sondas soviéticas.
No dia 10 de março, a mídia estatal russa noticiou que o país planeja uma missão ambiciosa ao planeta Vênus. A Venera-D teria múltiplos veículos, incluindo um módulo de pouso, um balão e um orbitador, e seria lançada em 2036. A missão está em desenvolvimento desde 2003. Antes da invasão da Ucrânia, em 2022, chegou a ser considerada uma parceria com a NASA.
A Venera-D faz parte de um conjunto de sondas que a Rússia planeja enviar à Lua e a Vênus, que “atualmente ocupam um lugar central” nas ambições da agência espacial russa Roscosmos. Essas foram as palavras do primeiro vice-primeiro-ministro Denis Manturov em entrevista ao jornal Razvedchik, citada no dia 10 agência estatal TASS.
Um dos objetivos da Venera-D será procurar vida microbiana nas nuvens do planeta, dando sequência às recentes descobertas controversas de fosfina e amônia (possíveis biomarcadores) na atmosfera venusiana.

Venera Uma nova missão a Vênus retomaria uma série de missões bem-sucedidas realizadas nos anos 60, 70 e 80 pelas espaçonaves Venera, da União Soviética – que continua sendo a única nação a ter pousado e operado com sucesso uma espaçonave na superfície venusiana.
“Gostaria de lembrar que, em 1970, nosso país conseguiu pousar com sucesso uma espaçonave em outro planeta do sistema solar . E esse planeta foi Vênus. Portanto, provavelmente avançaremos nessa direção primeiro”, disse Manturov.
A União Soviética lançou mais de uma dúzia de missões Venera ao longo de 22 anos. As sondas Venera 1 e 2, lançadas em fevereiro de 1961 e novembro de 1965, respectivamente, foram projetadas para sobrevoar Vênus, mas não enviaram os dados necessários. A Venera 3 entrou na atmosfera conforme planejado, em março de 1966, mas permaneceu inativa.
As três missões seguintes entraram na atmosfera e enviaram dados para preparar a primeira tentativa de pouso, a Venera 7, lançada em agosto de 1970 e citada por Manturov na entrevista.
A Venera 7 foi uma das quatro espaçonaves soviéticas que pousaram com sucesso em Vênus e enviaram imagens da superfície. As sondas suportaram temperaturas de 480 °C pressão de mais de 90 vezes superior à da Terra ao nível do mar. As fotografias revelaram uma superfície rochosa vulcânica com um tom amarelado – efeito das nuvens de ácido sulfúrico.
Após a Venera 7, a União Soviética enviou mais nove missões a Vênus, entre sondas e orbitadores, concluindo com o sucesso da Venera 16 em 1983.
Outros países A NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) a Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa enviaram diversas missões orbitais a Vênus nas últimas décadas.
Hoje, a ESA e a NASA têm missões em desenvolvimento. Os projetos VERITAS e DAVINCI, da NASA, escaparam por pouco de ameaças de cancelamento no orçamento para 2026. A Índia planeja enviar sua própria missão por volta de 2028, enquanto a Rocket Lab e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) querem lançar a espaçonave privada Venus Life Finder ainda em 2026.