Vikram-1 foi apresentado em novembro. Startup quer conquistar 10% de lançamentos de pequenos satélites até 2030.
Foi apresentado na Índia o lançador orbital Vikram-1. Além dos avanços tecnológicos no setor espacial, o foguete representa a entrada do país no mercado privado. A apresentação foi feita em 25 de novembro do ano passado em Hyderabad, no Infinity Campus da empresa Skyroot Aerospace, pelo primeiro-ministro Narendra Modi.
A Skyroot Aerospace foi fundada em 2018 por Pawan Chandana e Bharat Daka, ambos ex-cientistas da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO). Eles abandonaram a estabilidade do setor público para construir a primeira empresa privada de foguetes do país. No inicio, os recursos eram limitados e a equipe era pequena. Hoje, a companhia opera uma fábrica de cerca de 18 mil m² com capacidade de produzir um foguete orbital por mês.
Vikram-1 O foguete, chamado Vikram-1, tem seu projeto como continuidade do Vikram-S – o primeiro foguete privado do país a alcançar o espaço em uma missão suborbital, em novembro de 2022. O Vikram-S validou tecnologias da Skyroot para seguir para o lançador orbital.
Com 26 m de altura e quatro estágios, o Vikram-1 foi projetado para transportar até 350 kg de carga útil para a órbita terrestre baixa. Utiliza motores Raman fabricados com impressão 3D, tecnologia que reduz o peso em quase 50% e diminui o tempo de produção em cerca de 80%. Construído com materiais compósitos de carbono, o veículo também se destaca por ser mais leve, econômico e ágil em comparação aos modelos tradicionais, podendo estar pronto para lançamento em até 24 horas após chegar à base.
O voo inaugural está previsto para 2026 a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota. Será a primeira tentativa de uma empresa privada indiana de colocar um satélite em órbita.
Mais do que inovação técnica, o avanço reflete uma mudança estrutural em políticas do setor no país. Até 2020, a ISRO detinha exclusividade nas atividades espaciais na Índia. Reformas lideradas pela agência reguladora IN-SPACe abriram o mercado para a iniciativa privada, permitindo o surgimento de startups.
Atualmente, a Índia detém pouco mais de 2% do mercado espacial comercial global, estimado em cerca de US$ 450 bilhões. A Skyroot pretende conquistar até 10% do segmento de lançamentos de pequenos satélites até 2030.

