Voo foi abortado por segurança após detecção de anomalia. FAB classificou evento como “incidente”.

Na segunda-feira, dia 26, a empresa Innospace anunciou o início de uma investigação sobre a falha em voo do foguete Habit-Nano durante a missão Spaceward. A investigação é realizada em parceria com o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

O CENIPA, órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), é a autoridade responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos e espaciais. O órgão é encarregado de conduzir análises científicas de incidentes envolvendo aeronaves e veículos lançadores seguindo padrões internacionais.

A falha aconteceu no voo inaugural do foguete, no Centro Espacial de Alcântara, MA, em 22 de dezembro. O Hanbit-Nano decolou às 22h13 de Brasília e uma anomalia foi detectada com cerca de 30 segundos de voo. Seguindo procedimento de segurança, a missão foi abortada. Não houve registro de feridos nem de danos adicionais às instalações.

Em 12 de janeiro, um comunicado do CENIPA classificou o lançamento do Hanbit-Nano como um “incidente”, não um “acidente”.

Fatores contribuintes Antes do início da investigação, o CENIPA notificou formalmente a Innospace de que a apuração não tem como objetivo determinar responsabilidade legal, mas sim identificar tecnicamente a causa do evento e aumentar a segurança e as taxas de sucesso de lançamentos futuros.

“A investigação tem foco em análises técnicas, e não na determinação de culpa, com o objetivo de aumentar a segurança e o sucesso das missões em lançamentos futuros”, menciona a nota divulgada pela empresa na segunda-feira. “As conclusões da investigação conjunta serão consideradas na definição do cronograma do próximo lançamento, que avançará após a obtenção da autorização de lançamento junto à Administração Aeroespacial da Coreia (KASA).”

A investigação será conduzida com base nas análises iniciais realizadas imediatamente após o lançamento, em coordenação com a FAB. O processo envolve uma revisão abrangente dos dados de telemetria de voo e rastreamento e dos sistemas em solo, assim como registros de lançamento e operações. A sequência do lançamento será avaliada objetivamente para a identificaão de fatores contribuintes ao incidente.

“Os dados de telemetria de voo e rastreamento obtidos durante a missão representam ativos técnicos valiosos para o avanço da tecnologia do nosso veículo lançador”, afirmou Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace. “Ao integrar os dados obtidos neste voo com os resultados da investigação conjunta, iremos aprimorar ainda mais a maturidade técnica, a confiabilidade e a taxa de sucesso das missões do veículo lançador Hanbit.”

O cronograma para o próximo lançamento será construído com base nos resultados da investigação, considerando as melhorias técnicas e os planos de validação. Após a conclusão da investigação e a implementação das medidas corretivas, a Innospace almeja obter a autorização de lançamento da KASA para prosseguir com o lançamento.

Compensação Na noite de 22 de dezembro, estavam a bordo do Hanbit-Nano cinco pequenos satélites para clientes do Brasil e da Índia, além de três cargas úteis para demonstração tecnológica. Entre as cargas, estavam satélites da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Na terça-feira, dia 27, o Brazilian Space noticiou que a startup coreana apresentou um plano de compensação pela perda das cargas da UFMA. O plano foi apresentado no dia anterior em uma reunião de representantes da Innospace com o Professor Carlos Brito, coordenador do Curso de Engenharia Aeroespacial.