Amerissagem ocorreu na manhã de quinta no Pacífico com astronautas em boas condições. Líderes da NASA enfatizaram preparação para operação.
Os quatro tripulantes da Crew-11, a 11ª missão de transporte da SpaceX para a NASA à Estação Espacial Internacional (ISS), retornaram à Terra e estão em boas condições. A viagem durou cerca de 10,5 horas e foi a primeira evacuação médica da ISS.
A nave Crew Dragon Endeavour se desacoplou da ISS as 19h20 de Brasília de quarta-feira, dia 14, com Zena Cardman e Mike Fincke, da NASA, Kimiya Yui, da JAXA e Oleg Platonov, da Roscosmos. Às 5h41 do dia seguinte, a nave amerissou no Oceano Pacífico, perto de San Diego, na Califórnia.
“É tão bom estar em casa!”, disse Cardman, comandante, logo após o pouso. “Com profunda gratidão às equipes que nos levaram até lá e nos trouxeram de volta.”
A missão durou 167 dias, sendo 165 deles a bordo da ISS. Foi o primeiro voo espacial de Cardman e Platonov, o segundo de Yui e o quarto de Fincke. Yui acumula 309 dias no espaço, enquanto Fincke passou 549 dias fora da Terra.
Em uma coletiva de imprensa após o pouso, Jared Isaacman, administrador da NASA, disse que o tripulante em questão está “bem” e que a agência compartilhará mais informações quando for adequado. Ele acrescentou que a capacidade da agência de trazer a tripulação de volta para casa mais cedo e resgatá-la em segurança demonstra o que a NASA faz de melhor.
“Embora esta tenha sido a primeira vez que tivemos que retornar a tripulação um pouco antes do previsto, a NASA estava preparada”, disse ele. “É exatamente por isso que treinamos, e isso é a NASA em sua melhor forma.”
“Fundamentalmente, estamos no espaço para aprender. É por isso que a NASA se prepara para o inesperado para que estejamos prontos para responder de forma decisiva e segura. O retorno bem-sucedido da Tripulação 11 é um resultado direto dessa preparação.”
“Essa tripulação esteve no espaço por pouco menos de 170 dias. Eles realizaram pouco menos de 900 horas de experimentos científicos a bordo. São experimentos científicos práticos que abrangem cerca de 140 experimentos diferentes”, disse o Vice-Admnistrador Associado para Operações Espaciais, Joel Montalbano. “Isso nos beneficia e nos ensina, para a exploração espacial, o que usaremos no programa Artemis quando retornarmos à Lua e a Marte.”
MedEvac A Crew-11 foi lançada em 1º de agosto do ano passado e estava prevista para retornar no final de fevereiro, após a chegada da Crew-12. A NASA decidiu encurtar a missão devido a um problema médico com um dos tripulantes. A agência não divulgou a condição e qual astronauta estava doente por questões de privacidade, mas informou que a condição era “estável” e não se tratava de uma emergência.
Isaacman, anunciou o a decisão de adiantar o retorno da Crew-11 no dia 8. Em uma coletiva de impressa, ele disse que, apesar das agências espaciais possuírem a capacidade de evacuações de emergência, a decisão fora tomada porque a estação não possui recursos para diagnosticar e tratar adequadamente a condição.
Os preparativos para a partida da tripulação incluíram uma cerimônia de troca de comando na qual Fincke transferiu a chave simbólica da ISS para Sergey Kud-Sverchov, da Roscosmos.
No dia 15, antes da desacoplagem, a NASA realizou outra coletiva sobre a situação dos tripulantes da ISS, assegurando que estavam bem. Joel Montalbano, da NASA, afirmou que os médicos de voo da agência trabalhariam em conjunto com especialistas médicos em um hospital de San Diego e utilizariam seus equipamentos nos exames médicos após a amerissagem e no tratamento inicial do tripulante debilitado.
A NASA e a SpaceX têm a capacidade de trazer astronautas de volta à Terra em questão de horas, graças a um acordo com as Forças Armadas dos EUA para que uma cápsula Dragon chegue a qualquer lugar da Terra em 24 horas, explicou Montalbano, acrescentando que a própria cápsula Dragon pode permanecer em órbita por até cinco dias após deixar a ISS.
Isaacman disse que, embora trate-se de uma evacuação médica, o fato de a NASA ter levado uma semana para planejar o retorno demonstra que a situação era estável e não uma emergência urgente. “Esta foi a NASA em sua melhor forma”, comentou.

Tripulação reduzida Agora, a ISS conta com uma tripulação mínima de três pessoas: Kud-Sverchov e Sergei Mikaev, da Roscosmos, e Chris Williams, da NASA. Eles chegaram à estação em 27 de novembro em uma nave russa Soyuz.
O lançamento da Crew-12 está previsto para a partir de 15 de fevereiro. A NASA afirmou que poderá tentar antecipar um pouco o lançamento, mas qualquer mudança provavelmente não seria significativa.
Autoridades da agência afirmam não estarem preocupadas com a escassez de pessoal, que deixa Williams operando sozinho o segmento americano da estação. “Chris é treinado para realizar todas as tarefas que lhe pedirmos a bordo da espaçonave”, disse Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, durante a coletiva do dia 8.
“É claro que também realizamos muitas das operações da espaçonave a partir de nossos diversos centros de controle ao redor do mundo, incluindo centros de controle comerciais que operam muitas de nossas cargas úteis de pesquisa”, acrescentou Kshatriya. “Portanto, ele terá milhares de pessoas acompanhando seu trabalho, assim como nossas equipes fazem o tempo todo para garantir a continuidade das pesquisas científicas inovadoras.”

Três pessoas foi o padrão por quase uma década na ISS, que tem sido tripulada continuamente por equipes rotativas desde novembro de 2000. O número mínimo de tripulantes foi dobrado para seis em 2009 e aumentado para sete em 2020.
Na coletiva do dia 8, James Polk, diretor médico e de saúde da NASA, disse que análises estatísticas sugerem um evento desse tipo aproximadamente a cada três anos. Então, estavam surpresos que a primeira evacuação médica da ISS tenha levado 25 anos para ocorrer.
História Um exemplo de evacuação médica na história da astronáutica aconteceu em novembro de 1985, quando a União Soviética trouxe três cosmonautas da estação espacial Salyut-7 de volta à Terra antes do previsto porque um deles, Vladimir Vasyutin, de 33 anos, havia adoecido.
Vasyutin, o comandante da Salyut-7, foi hospitalizado após seu retorno à Terra. Alguns pesquisadores especulam que ele sofria de uma infecção na próstata, que ele pode ter ocultado dos planejadores da missão antes do lançamento.

