Estrelas podem ser aceleradas ao se aproximarem de outras estrelas ou buracos negros. Super-Netuno foi mantido por estrela viajando a 540 km/s.

Estrelas de hipervelocidade viajam pelo espaço a velocidades extraordinariamente elevadas, frequentemente acima de centenas de quilômetros por segundo. Elas alcançam essa velocidade devido a forças gravitacionais, talvez de encontros próximos com buracos negros supermassivos ou outras estrelas. Algumas delas se movem tão rápido que podem se libertar da atração gravitacional da Via Láctea.

É importante estudá-las porque oferecem insights cruciais sobre a dinâmica da Galáxia, interações com buracos negros e até mesmo a distribuição de matéria escura. Além disso, entender mais sobre essas estrelas curiosas desafia os modelos atuais de evolução estelar.

Posições e órbitas de 20 estrelas de hipervelocidade representadas junto à uma ilustração da Via Láctea (Composição e ilustração: ESA; posições e trajetórias estelares: Marchetti et al. 2018; galáxias de fundo HST/NASA/ESA)

Agora, cientistas da NASA identificaram uma estrela de hipervelocidade que tem um exoplaneta super-Netuno. A descoberta pode remodelar nossa compreensão da mecânica planetária e orbital. Como quer que tenha se formado e alcançado a “hipervelocidade”, ela conseguiu manter seu planeta durante o processo.

A pesquisa foi liderada pelo astrônomo Sean Terry, da Universidade de Maryland, e os detalhes foram publicados em um artigo no The Astronomical Journal. Estimou-se a velocidade do sistema em 540 km/s. Se estivesse alinhado com nosso Sistema Solar e a estrela estivesse onde nosso Sol está, a órbita do planeta estaria entre as órbitas de Vênus e da Terra.

Encontrar objetos como esse no espaço é muito complicado. Esse objeto foi visto pela primeira vez em 2011 após análise de dados da pesquisa Observações de Microlentes em Astrofísica, conduzida pela Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. O estudo estava à procura de evidências de exoplanetas ao redor de estrelas distantes. 

As microlentes gravitacionais são criadas pela presença de uma massa entre a Terra e um objeto distante. Conforme essa massa passa entre nós e uma estrela, por exemplo, sua presença pode ser revelada por meio da análise de sua curva de luz. Nos dados de 2011, os sinais revelaram um par de corpos celestes e permitiram que os pesquisadores calculassem que um era cerca de 2.300 vezes mais massivo que o outro. 

Campo de visão do centro galáctico feito pelo Hubble com microlente gravitacional nos quadros; estrela indicada pela seta brilhou momentaneamente por efeito causado por buraco negro em primeiro plano flutuando, voltando a seu brilho normal conforme o buraco negro passava (HST/NASA/ESA)

O estudo de 2011 sugeriu que a estrela tinha cerca de 20 % da massa do Sol e um planeta com 29 massas terrestres. Ou era um planeta mais próximo, com cerca de quatro vezes a massa de Júpiter, talvez até com uma lua. Então, a equipe pesquisou dados do Observatório Keck, no Havaí, e do satélite europeu Gaia e encontraram a estrela, localizada a cerca de 24 mil anos-luz, ainda dentro da Via Láctea. Ao comparar a localização da estrela em 2011 e dez anos depois, em 2021, a equipe conseguiu estimar sua velocidade: cerca de 540 km/s. 

Agora, a equipe está ansiosa para conseguir fazer mais observações nos próximos anos. Se a velocidade da estrela for por volta de 600 km/s, é provável que ela escape da gravidade da Via Láctea e entre no espaço intergaláctico milhões de anos no futuro.