Efeméride coloca planetas “alinhados” no céu noturno. Textos em redes sociais propagam informações incorretas sobre fenômeno.
Neste mês, ocorre uma efeméride astronômica que está chamando a atenção em redes sociais – especialmente entre leigos em astronomia. Infelizmente, também estão sendo veiculadas informações falsas a seu respeito. O “desfile dos planetas” é apresentado como um “alinhamento planetário raro”, mas nem tudo o que se diz a seu respeito é verdade.
Esse alinhamento celeste envolve seis planetas: Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, visíveis a olho nu, Urano e Netuno. Mas esse “desfile” dos planetas no céu não representa um “alinhamento planetário”.
Os planetas orbitam o Sol em trajetórias elípticas aproximadamente no mesmo plano – o plano da eclíptica, o caminho aparente do Sol no céu. Então, os planetas podem ser vistos ao longo de uma linha imaginária no céu, dando a impressão de estarem desfilando alinhados.

Mas isso é apenas uma perspectiva visual da Terra das trajetórias orbitais desses planetas. Um alinhamento planetário verdadeiro, em que os planetas se posicionam em uma linha reta perfeita, é extremamente raro por conta de variações nas inclinações orbitais e aos diferentes períodos de revolução de cada planeta.
Equívoco Alguns textos em redes sociais mencionam que o fenômeno ocorre uma vez a cada 396 bilhões de anos. Isso é absurdo não apenas por ser múltiplas vezes a idade estimada do Universo, mas também por ser uma interpretação equivocada de uma discussão feita pelo meteorologista e astrônomo amador belga Jean Meeus no livro Mathematical Astronomy Morsels, de 1997. Meeus, especialista em mecânica celeste e matemática astronômica, especulou sobre a possibilidade dos planetas serem visíveis simultaneamente no céu terrestre a, no máximo 1,8° uns dos outros.
O fenômeno mais próximo dessa descrição é justamente “desfile dos planetas”: a visão de múltiplos planetas no céu noturno ao mesmo tempo. Este evento ocorre com relativa frequência e não representa um alinhamento celestial específico.

Observação O “desfile dos planetas” oferece oportunidades não apenas para a compreensão de conceitos básicos sobre o Sistema Solar e dinâmica orbital, mas também para a observação astronômica. Em eventos como esse, amadores podem desenvolver habilidades de observação fundamentais para qualquer interessado na prática de astronomia.
Para observar este fenômeno, não é necessário ter equipamentos elaborados e custosos. Busque um local com pouca poluição luminosa e um horizonte claro. Os planetas podem ser identificados por suas cores distintas e brilho constante, em contraste com a estrelas cintilantes.
Pouco após o pôr do sol, olhe para o oeste (poente) e identifique Vênus e Saturno. A leste (nascente), Júpiter e Marte se destacam. Em março, especialmente na primeira semana, Mercúrio se junta ao desfile, ficando visível no poente logo após o anoitecer.
Efemérides como essa são importantes não só para a astronomia amadora, mas também para o ensino de astronomia. Eles representam uma oportunidade de aproximar o público da ciência de uma maneira tangível e acessível, fomentando o interesse e a curiosidade sobre o universo. Procure por observações, oficinas, palestras, workshops e outros eventos na sua região.