Bilionário assumirá liderança de agência espacial no segundo governo Trump. Isaacman foi ao espaço duas vezes como astronauta privado e lidera programa espacial privado em parceria com SpaceX.
O bilionário de tecnologia e astronauta privado Jared Isaacman foi escolhido por Donald Trump para ser o próximo administrador geral da NASA. O presidente eleito fez o anúncio ontem (04/12/2024) nas redes sociais.
“Jared conduzirá a missão de descoberta e inspiração da NASA, abrindo caminho para conquistas inovadoras em ciência espacial, tecnologia e exploração”, escreveu Trump em um post no Truth Social, rede que ele lançou em 2022.
“A paixão de Jared pelo espaço, a experiência de astronauta e a dedicação em expandir os limites da exploração, desvendar os mistérios do universo e desbloquear a nova economia espacial o tornam idealmente adequado para liderar a NASA em uma nova era ousada”, postou Trump.
“Estou honrado em receber a nomeação do presidente Trump para servir como o próximo administrador da NASA. Tendo tido a sorte de ver nosso incrível planeta do espaço, sou apaixonado pela América liderando a aventura mais incrível da história humana”, escreveu Isaacman no X.
“Eu nasci depois dos pousos na lua; meus filhos nasceram depois do último lançamento do Ônibus Espacial”, escreveu Isaacman X. “Com o apoio do presidente Trump, posso prometer a vocês isto: nunca mais perderemos nossa capacidade de viajar para as estrelas e nunca nos contentaremos com o segundo lugar. Vamos inspirar as crianças, as suas e as minhas, a olhar para cima e sonhar com o que é possível. Os americanos caminharão na Lua e em Marte e, ao fazer isso, tornaremos a vida melhor aqui na Terra.”
Isaacman Isaacman, 41 anos, fundador e CEO da empresa de processamento de pagamentos Shift4 Payments tem experiência como aviador e astronauta. É um piloto talentoso que ajudou a fundar o Ghost Squadron, uma equipe de acrobacias com jatos, e a Draken International, uma empresa que treina pilotos para o exército dos EUA.
O bilionário organizou, financiou e comandou o primeiro voo espacial orbital sem astronautas profissionais: a missão Inspiration4, que passou três dias no espaço em setembro de 2021. Isaacman também lidera e financia o programa espacial privado Polaris, em parceria com a SpaceX.
A primeira missão ocorreu me setembro de 2024 e durou cinco dias. A Polaris Dawn chegou mais longe da Terra do que qualquer voo tripulado desde as missões Apollo e fez a primeira caminhada espacial privada, realizada por Isaacman e Sarah Gillis, engenheira da SpaceX.
Para a segunda missão, a equipe do Polaris ofereceu à NASA realizar manutenção no Telescópio Espacial Hubble sem custo à agência. Por questões técnicas, a NASA recusou a oferta. A terceira missão será o primeiro voo tripulado da Starship – a nave interplanetária sendo desenvolvida pela SpaceX.
Choque? “Na minha última missão ao espaço, minha tripulação e eu viajamos mais longe da Terra do que qualquer um em mais de meio século. Posso dizer com segurança que esta segunda era espacial apenas começou. O espaço tem um potencial inigualável para avanços na fabricação, biotecnologia, mineração e talvez até mesmo caminhos para novas fontes de energia. Haverá inevitavelmente uma economia espacial próspera — uma que criará oportunidades para inúmeras pessoas viverem e trabalharem no espaço. Na NASA, buscaremos apaixonadamente essas possibilidades e inauguraremos uma era em que a humanidade se tornará uma verdadeira civilização espacial”, postou Isaacman.
Com uma visão mais voltada para os empreendimentos espaciais privados, Isaacman poderá trazer uma nova abordagem à agência estatal, justamente numa época em que ela enfrenta rumores de lobby e favorecimento a empresas com maior legado. Se o novo administrador realmente quiser trazer essa visão à NASA, ele precisará confrontar defensores de programas caros e ineficientes, como o Artemis.
O programa lunar Artemis acumula elevações de custos e atrasos. Utiliza o foguete SLS, liderado pela Boeing, e a nave Orion, liderada pela Lockheed Martin. Ambos passam por desafios técnicos e orçamentários – enquanto a iniciativa privada mais ampla aponta projetos mais viáveis. Surpreende, por exemplo, o fato de o SLS não ter nenhum estágio reutilizável, estando na contramão das inovações da indústria.
A indicação de Isaacman ainda precisa ser validada pelo Congresso.

