Contrato de até US$ 843 mi não inclui custos de lançamento. Reentrada por volta de 2030 é melhor alternativa, segundo documento da NASA, com operação podendo ser estendida.
A NASA selecionou a SpaceX para desenvolver uma espaçonave que será usada para realizar as fases finais da deorbitação da Estação Espacial Internacional (ISS) por volta do final da década.
Na última quarta-feira, dia 26, a agência anunciou que concedeu à empresa de Elon Musk um contrato avaliado em até US$ 843 milhões para construir o Veículo de Deórbita dos Estados Unidos (USDV). Esse contrato cobre o desenvolvimento da espaçonave, cabendo à NASA realizar uma aquisição posterior para seu lançamento.
A NASA solicitou propostas para o USDV ao setor privado dos EUA pela primeira vez em março de 2023 e outra vez em setembro daquele ano. Esse veículo será um “rebocador” que deorbitará com segurança as seções americanas da ISS. A espaçonave irá acoplar-se à ISS e realizar a série de manobras necessárias para uma reentrada controlada da estação sobre uma região oceânica remota como o Pacífico Sul – o famoso Ponto Nemo. A espaçonave pertencerá à NASA e será operada por ela, em vez de ser adquirida como um serviço, como a agência faz com o transporte de carga e tripulação da ISS.
“A seleção de um Veículo de Deórbita dos EUA para a Estação Espacial Internacional ajudará a NASA e seus parceiros internacionais a garantir uma transição segura e responsável na órbita baixa da Terra no final da operação da estação”, disse Ken Bowersox, administrador associado da NASA para Operações Espaciais, em um comunicado anunciando o contrato.
“Esta decisão também apoia os planos da NASA para futuros destinos comerciais e permite a continuação uso do espaço perto da Terra”, disse ele, mencionando o apoio da agência ao desenvolvimento de estações espaciais privadas. “O laboratório orbital continua a ser um modelo para a ciência, exploração e parcerias no espaço para o benefício de todos”, acrescentou Bowersox.
A NASA não divulgou nenhum detalhe sobre o design da SpaceX e a empresa não respondeu às perguntas sobre o design que ofereceu à NASA. A expectativa é que a espaçonave seja baseada de alguma forma na espaçonave Dragon, atualmente usada para transporte de carga e tripulação.
Em sua solicitação para o USDV, a NASA enfatizou a importância da confiabilidade dos veículos. “Será um novo projeto de espaçonave ou modificação de uma espaçonave existente que deve funcionar em seu primeiro vôo e ter redundância suficiente e capacidade de recuperação de anomalias para continuar a queima crítica de deórbita”, disse em um comunicado quando divulgou o pedido de propostas.
Orçamento O valor do contrato parece se enquadrar nas expectativas estabelecidas pela agência para o programa. Quando a antecessora de Bowersox, Kathy Lueders, anunciou planos para o USDV, em março de 2023, ela disse que a NASA apresentou uma estimativa de custos internos “um pouco abaixo de cerca de um bilhão de dólares”, mas esperava que a indústria pudesse oferecer um preço mais baixo. A agência solicitou US$ 180 mi para o programa para o ano fiscal de 2024.
Em 30 de abril, numa audiência do Comitê Científico da Câmara sobre o pedido de orçamento da NASA para 2025, que busca US$ 109 mi para o USDV, o administrador da NASA, Bill Nelson, sugeriu que o custo aumentou para US$ 1,5 bi. Ele pediu aos membros que incluíssem o financiamento total para o programa no próximo projeto de lei de dotações de emergência.
“Não sabemos o que o presidente da Rússia vai fazer e podemos estar numa situação de emergência em que temos de desmontar esta estrutura que é tão grande como um estádio de futebol, e desmontá-la com segurança, em 2031”, disse ele como a justificativa para incluir o financiamento do USDV em um projeto de lei suplementar.
Vários parceiros importantes da ISS estão comprometidos com as operações até 2030, mas a Rússia confirmou seu apoio até 2028. O país tem planos para uma estação espacial própria, a ROSS, com lançamento planejado para 2027.
Junto com o anúncio do contrato, a NASA divulgou um white paper descrevendo as opções que levaram a agência a concluir que uma deórbita controlada era a melhor opção. Alternativas, como desmontar a ISS e retornar componentes à Terra ou reaproveitá-los em órbita, foram descartadas por razões técnicas – assim como empurrar a estação para uma órbita mais alta. Entregar a ISS a um operador comercial também não era viável, em parte porque seus componentes pertencem a vários países.
O documento concluiu que “deorbitar a estação espacial no final da sua vida é o método mais seguro e viável para descomissionar este símbolo histórico de ciência, tecnologia e colaboração”.
Outras estações Essa deorbitação está prevista para cerca de 2030 mas aquisição incluí opções para armazenar o USDV no solo até meados da década de 2030 – caso a NASA e os parceiros da ISS decidam prolongar a vida útil da estação para além do planejado. O white paper também incluía isso como uma opção.
“Se não houver destinos comerciais na LEO [órbita baixa da Terra] prontos para apoiar as necessidades contínuas da NASA naLEO até 2030, a extensão das operações da estação espacial é uma possibilidade”, afirmou o documento. “Se as operações forem estendidas para além de 2030 por qualquer motivo, o USDV poderá permanecer no local enquanto aguarda uma decisão final de deorbitação.”
“Não há nada de mágico acontecendo em 2030”, disse Steve Stich, gerente do programa de tripulações comerciais da NASA no Centro Espacial Johnson, em Houston, durante um briefing em 25 de janeiro. Ele informou que a ISS continuará as operações até que as estações espaciais comerciais estejam em órbita e prontas para receber tripulações. “Queremos que [as estações comerciais] apoiem e, quando estiverem prontas, a ISS sairá do caminho.”
Várias estações espaciais comerciais estão em diferentes estágios de desenvolvimento. Por exemplo, a Axiom Space está desenvolvendo a Axiom Station e a Blue Origin está planejando a Orbital Reef em parceria com Sierra Space, Boeing e Amazon. A Voyager Space está trabalhando em seu complexo Starlab com a apoio da Lockheed Martin e da Northrop Grumman. E a Vast Space planeja lançar sua Haven-1em 2025 a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX.

