Satélite privado faz parte de programa japonês para demonstração tecnológica de inspeção e remoção de detritos espaciais. Operações de aproximação continuarão.

Há milhões de objetos orbitando a Terra, de pedaços de tinta a satélites desativados. Muitos objetos são resultado de colisões e, viajando a mais de 28 mil km/h, representam uma ameaça para os astronautas e para naves espaciais operacionais em órbita.

A Astroscale, empresa fundada em 2013, foi selecionada pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) para a primeira fase do programa Demonstração Comercial de Remoção de Detritos. Nesse programa, a empresa lançou o satélite Active Debris Removal by Astroscale-Japan (ADRAS-J).

No último dia 14, a empresa anunciou que o satélite completou com sucesso a aproximação segura e controlada de um detrito espacial não preparado – o estágio superior de um foguete – a uma distância relativa de cerca de 50 metros, recolhendo imagens e dados enquanto manteve-se nessa posição.

Estágio superior de foguete japonês registrado pelo satélite ADRAS-J a menos de 50 metros (Astroscale)

O ADRAS-J tem uma missão inovadora, sendo a primeira tentativa de aproximação segura, caraterização e levantamento do estado de um grande detrito através de operações de encontro e proximidade. O satélite foi concebido para se encontrar com o estágio superior de um foguete japonês com cerca de 11 metros de comprimento, 4 metros de diâmetro e cerca de 3 toneladas, demonstrar operações de proximidade e recolher imagens para avaliar o movimento foguete e o estado de sua estrutura.

Objetos despreparados em órbita representam um desafio adicional, uma vez que não foram concebidos com quaisquer tecnologias que permitam acoplagem ou eventual manutenção ou remoção.

O satélite foi lançado em 18 de fevereiro e as operações começaram quatro dias depois. Durante esta fase, o ADRAS-J começou a manobrar em direção à órbita do alvo utilizando GPS e dados de observações terrestres. Em 9 de abril, o satélite detectou o alvo com a sua câmara e iniciou a fase de aproximação, marcada pelo início da Angles Only Navigation, um método de navegação que estima posição relativa e velocidade através das câmeras de bordo.

Quando o ADRAS-J se encontrava a poucos quilômetros do alvo, a equipe conseguiu fazer a transição do controle da navegação relativa para a câmera de infravermelho com os algoritmos de Model Matching Navigation (MMN) desenvolvidos pela Astroscale. Este método de navegação estima a distância relativa comparando imagens ou dados com um modelo pré-existente. Em 16 de abril, o o satélite começou a utilizar MMN para processar dados sobre as características do alvo, como a forma e a atitude, e aproximou-se com sucesso de uma distância relativa de várias centenas de metros em 17 de abril. Em maio, o ADRAS-J aproximou-se com segurança até cerca de 50 metros e fez observações de ponto fixo.

Na fase seguinte, o ADRAS-J tentará captar mais imagens do foguete através de várias operações de aproximação controlada.