Radioastrônomos tentavam estimar colisão da galáxia com nuvem de gás. Camadas interior da Via Láctea têm metade da espessura das exteriores.
Nos anos 1960, foi descoberta a Nuvem de Smith, uma nuvem de gás hidrogênio está se aproximando da Via Láctea e deve se chocar nossa galáxia em cerca de 27 milhões de anos. A nuvem está entre 36 e 45 mil anos-luz na constelação de Aquila. Desde a descoberta, cientistas estão intrigados com sua velocidade. Os principais instrumentos usados para estudá-la foram o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Green Bank (GBO).
Estudos do GBO, da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, mostraram que a nuvem contém pelo menos 1 milhão de vezes a massa do Sol e mede 9,8 mil anos-luz de comprimento por 3,3 mil anos-luz de largura. Recentemente, uma equipe do GBO esperava localizar a posição exata do local de impacto.
O plano era observar o local onde a nuvem está interagindo atualmente com a Via Láctea. No entanto, a observação é bastante complicada, pois a nuvem está do outro lado da galaxia e há muita coisa no caminho. A equipe, liderada por Toney Minter, usou o Telescópio Green Bank de 20 m para procurar poeira e emissões de moléculas de hidroxila (OH).
A equipe esperava ver uma diferença na composição na região da Via Láctea que interagia com a nuvem, que deveria ter muito pouca poeira e hidroxila. As nuvens da Via Láctea tendem a ter ambos, portanto, uma diferença deve ser detectável na região onde a interação está acontecendo.
“Eu sabia que havia uma baixa probabilidade de encontrar o que estava procurando – e não encontrei. Mas tudo isso faz parte do processo científico. Você aprende com o que encontra e com o que não encontra”, brincou Minter.
A equipe não detectou nenhuma diferença na composição, mas encontraram algo igualmente interessante. O estudo fez descobertas sobre a Via Láctea e a estrutura de suas regiões internas. A equipe teve que examinar as regiões internas da galáxia para seu estudo e determinaram a espessura da camada de moléculas no interior da galáxia.
Os resultados mostraram que essa camada tem 330 anos-luz (100 parses) de espessura, enquanto as das partes externas tem cerca de 660 anos-luz (200 parsecs). A observação mostra a diferença de espessura entre as regiões, mas não dá nenhuma pista sobre o que causa essa diferença. Agora, são necessárias mais observações para dar modelar o processo subjacente.

Outra questão permanece sem resposta, ligada à pesquisa inicial dos radioastrônomos: a natureza e a mecânica da Nuvem de Smith e como ela afetará nossa galáxia.
“Tudo o que posso dizer no momento é que os dados que vemos dessa parte da galáxia interna mostram que ela é diferente da galáxia externa. Precisamos de mais observações para saber mais sobre o que isso significa. É por isso que a astronomia é empolgante, nosso conhecimento está sempre evoluindo”, disse Minter, longe de estar desapontado por não alcançar os objetivos iniciais de sua pesquisa.
As descobertas foram divulgadas na 243ª reunião da American Astronomical Society, que ocorreu de 9 a 13 de junho, em Madison, Wisconsin.

