Contrato assinado em evento em São Paulo prevê lançamento a partir de Alcântara. Missão rideshare levará satélites comerciais e universitários.
Na semana passada, entre os dias 21 e 23, aconteceu a SpaceBR Show, feira do setor espacial na cidade de São Paulo. Durante o evento, foi assinado um contrato entre a empresa sul-coreana Innospace e a Agência Espacial Brasileira (AEB) para um lançamento orbital a partir de Alcântara, MA.
Segundo o acordo, em março de 2025, o foguete HANBIT-Nano fará uma missão rideshare com três satélites financiados pela AEB e construídos por universidades brasileiras e satélites comerciais estrangeiros e brasileiros. O foguete chegará ao Brasil em novembro desse ano para ser preparado para lançamento no Centro de Lançamento de Alcântara em campanha semelhante à Operação Astrolábio, que lançou o foguete HANBIT-TLV.
Em março de 2023, o HANBIT-TLV fez um lançamento suborbital em Alcântara em uma missão de teste. Foi o primeiro lançamento comercial feito nas instalações e estavam abordo cargas projetadas por instituições brasileiras. Entre essas cargas, estava o SISNAV, um sistema de navegação inercial desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Força Aérea Brasileira (FAB).
Em entrevista ao Brasil com Ciência, do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT), Arthur Bahdur, diretor de negócios da Innospace no Brasil, disse que o voo também levará experimentos de sistemas eletrônicos de lançadores brasileiros. Isso pode significar um segundo teste em vôo do SISNAV.
Segundo Bahdur, a fabricação de partes do HANBIT em território brasileiro ainda está prevista. Partes não sensíveis como tanques, envelope-motor, bomba elétrica de oxidante e coifa seriam feitas no Brasil enquanto partes sensíveis protegidas pelo Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares seriam feitas na Coreia do Sul.
Em março de 2025, também acontecerá o primeiro voo suborbital do foguete brasileiro de combustível sólido VS-50. Será testado o motor S-50 – que será usado no Veículo Lançador de Minissatélites (VLM), se o projeto chegar a esse ponto.