País já soma três planos de constelações com mais de 10 mil satélites. Outras megaconstelações devem começar a entrar em órbita em breve.

Uma empresa chinesa apresentou uma notificação à União Internacional de Telecomunicações (UIT) para uma constelação de 10 mil satélites. Sim, 10 mil satélites. (Você provavelmente achou que os quase 6 mil já lançados pela SpaceX na rede Starlink eram muitos…)

A Shanghai Lanjian Hongqing Technology Company, ou apenas Hongqing Technology, apresentou uma Informação de Publicação Antecipada à UIT em 24 de maio. Esse documento notifica a UIT e seus estados membros sobre a intenção de lançar uma rede de satélites para que possam analisar a proposta e avaliar qualquer possível interferência a seus satélites existentes ou planejados.

O registro descreve os planos para uma constelação chamada Honghu-3 – composta por 10 mil satélites em 160 planos orbitais. A fonte de financiamento desses planos não estava clara no momento da publicação.

Essa é a terceira megaconstelação de mais de 10 mil satélites planejada por entidades chinesas. As outras são o plano nacional Guowang e a G60 Starlink. Ambas, já aprovadas pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, devem ter seus primeiros lotes de satélites lançados nos próximos meses.

Isso eleva as preocupações sobre aglomeração, colisões e detritos na órbita baixa da Terra. Essa preocupação já existe com os satélites atuais. Atualmente, a Starlink, da SpaceX, é a maior constelação operacional, com cerca de 5.600 satélites operacionais e planos para até 42 mil.

Desenvolvimento Fundada em 2017, a Hongqing Technology tem 48% de participação na Landspace, fabricante de foguetes com sede em Pequim. Jinwu-200 (JW-200), o propulsor de efeito Hall de propelente de criptônio da empresa, foi testado no satélite Honghu-2, lançado por um foguete Zhuque-2, da Landspace, em dezembro do ano passado. O satélite foi desenvolvido em conjunto com a Spacety, fabricante de pequenos satélites.

A Hongqing Technology está construindo uma instalação de fabricação de satélites na cidade de Wuxi, na província de Jiangsu, perto de Xangai. Sua sede fica no distrito de Songjiang, em Xangai, e faz parte de planos para desenvolver a Internet via satélite na região, onde a G60 Starlink também está localizada. Xangai deseja alavancar um ecossistema espacial comercial – parte da estratégia nacional da China para criar um sistema de Internet via satélite líder mundial e se tornar uma potência espacial abrangente.

A China já havia anunciado um plano nacional para uma rede de informações integrada espaço-terra, ou SGIIN. O objetivo é criar um sistema integrado que combine comunicações, sensoriamento remoto, navegação, clima e outros recursos de satélite.

Enquanto isso, a Landspace está desenvolvendo um lançador reutilizável de aço inoxidável movido a metano e oxigênio líquido, o Zhuque-3. O foguete de 4,5 m de diâmetro deve ser capaz de transportar 21 t para a órbita baixa da Terra em missões descartáveis. Seu primeiro lançamento está programado para 2025. Além disso, a empresa também já realizou os primeiros testes de salto, com um veículo de teste realizando decolagem e pouso verticais.

A Landspace, como outras startups chinesas de foguetes comerciais – por exemplo Space Pioneer, Galactic Energy e iSpace -, planeja lançar satélites para as megaconstelações chinesas.

Atualmente, a China está construindo um espaçoporto comercial perto de Wenchang para ajudar a aliviar um gargalo no acesso às plataformas de lançamento. Isso será necessário para o país aumente sua taxa de lançamentos – inclusive visando colocar suas megaconstelações em órbita.