Missão envolverá setor privado do país. ISRO tem planos para outras missões lunares e marcianas.

A Organização Indiada de Pesquisa Espacial (ISRO) está trabalhando nos planos da missão lunar Chandrayaan-4. Os indianos querem realizar coleta e envio de amostras para a Terra. Além disso, a organização incluirá o emergente setor espacial privado do país.

A Índia tem promovido o desenvolvimento do setor espacial privado, incluindo uma nova política espacial introduzida em 2023 e esforços para aumentar o número de lançamentos no futuro próximo. Fazer parte da Chandrayaan-4 seria um marco importante para esse setor.

A missão envolverá múltiplos lançamentos e naves espaciais. O local de pouso deverá ser o Ponto Shiv Shakti, mesmo local da Chandrayaan-3. A massa de amostras a ser coletada ainda não foi especificada.

Nilesh Desai, diretor do Centro de Aplicações Espaciais (SAC), revelou os detalhes em uma apresentação que marcou o Dia Nacional da Tecnologia no SAC, em Ahmedabad. “Estamos trabalhando nisso e esperamos que isso aconteça nos próximos quatro ou cinco anos. Isso também abre muitas novas tecnologias. O setor privado também estará envolvido de forma significativa.”

Ainda não está claro se o financiamento para a missão foi garantido, mas os planos da ISRO indicam que o lançamento não ocorrerá antes de 2028.

Lançamento da Chandraayan-3, em 14 de julho de 2023, com um foguete LVM-3 no Centro Espacial Satish Dhawan (ISRO)

Complexidade A Chandrayaan-4 será complexa, com dois veículos de lançamento lançando quatro espaçonaves. Um PSLV enviará um módulo de transferência (transfer module, TM) e um módulo de reentrada (reentry module, RM) para uma órbita de transferência abaixo da órbita geoestacionária. Essa órbita será elevada gradualmente até a Lua. Um LVM-3 lançará um módulo de aterrissagem (lander module, LM) e um módulo de ascensão (ascender module, AM). Um módulo de propulsão auxiliará esse último par.

O RM e o TM ficarão estacionados na órbita lunar enquanto o LM e o AM descerão até a superfície lunar. As operações na superfície ocorrerão em um único dia lunar. Um braço robótico transferirá as amostras coletadas pelo LM para o AM. Em seguida, ele será lançado na órbita lunar para se encontrar com o TM. Um braço robótico a bordo do TM transferirá as amostras para o RM antes de ir para a Terra. Em seguida, o RM se separará do TM próximo à Terra para reentrada e aterrissagem.

Como o perfil da missão inclui técnicas de encontro e acoplamento em órbita lunar, em vez de um retorno direto de amostras à Terra, ele também seria aplicável a missões tripuladas no futuro. Em outubro de 2023, Narendra Modi, Primeiro-Ministro da Índia anunciou a meta de colocar astronautas na Lua em 2040.

No ano passado, o presidente da ISRO, S. Somanath, fez uma apresentação incluindo a Chandrayaan-4 em um roteiro que previa astronautas indianos na Lua e uma base por volta de 2047.

Slide de apresentação de S. Somanath, presidente da ISRO, em 2023 ilustrando planos lunares da Índia (Reprodução, Andrew Jones, X)

Outras missões A Índia também está trabalhando na missão Exploração Lunar Polar (Lunar Polar Exploration, LuPEx) com o Japão. A LuPEx terá um módulo de pouso da ISRO e um rover da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) para explorar crateras permanentemente sombreadas. Segundo Desai, a missão terá como objetivo aterrissar exatamente a 90° de latitude, no polo sul lunar.

A missão será lançada em um foguete japonês H3. A participação da ISRO na missão também não está clara quanto a orçamento e aprovação. As datas de lançamento sugeridas pela Índia parecem ser posteriores às das declarações japonesas.

Desai também falou sobre os planos para uma missão de pouso em Marte, (Mars Lander Mission, MLM), uma continuação da missão marciana orbital de 2013 (Mars Orbiter Mission, MOM). Ele listou as tecnologias essenciais para a missão, como um paraquedas supersônico, um projeto aerodinâmico para pouso e um guindaste para a implantação do módulo de pouso. Um LVM-3 lançaria o MLM e um satélite de retransmissão seria lançado por um PSLV.

Uma série de cargas científicas propostas para uma missão com um rover inclui um radar de penetração de solo, espectrômetros de mapeamento de minerais, um espectrômetro Raman para buscar bioassinaturas, uma série de câmeras e um instrumento de utilização de recursos in situ.