Ao passar perto da Terra, nave extraterrestre ejetaria sondas menores que poderiam chegar a nosso planeta. Artigo foi escrito por chefe de gabinete do Pentágono para estudo de fenômenos anômalos e astrônomo líder de Harvard.
(Galera das conspirações e da ufologia, vamos ler isso com calma, ok? Se você também se empolgou com a manchete, não deixe de ler meu comentário no final do texto.)
É possível que uma espaçonave extraterrestre esteja enviando “mini sondas” para estudar os planetas do nosso sistema solar, de maneira semelhante ao que as agências espaciais humanas fazem, disse o chefe do escritório de pesquisa de fenômenos anômalos não identificados do Pentágono em um relatório preliminar com coautoria de um astrônomo de Harvard.
As características de certos objetos interestelares incomuns e inexplicados levaram pesquisadores a considerar a possibilidade de “uma nave mãe que libera muitas pequenas sondas durante sua passagem próxima à Terra, um conceito operacional não muito diferente das missões da NASA”, escreveu Sean Kirkpatrick, diretor do Gabinete de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios (All-domain Anomaly Resolution Office, AARO), do Departamento de Defesa (Department of Defense, DoD, com sede no Pentágono) num relatório preliminar recente com coautoria de Abraham “Avi” Loeb, líder do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard.
Kirkpatrick, que anteriormente atuou como cientista chefe do Centro de Inteligência Espacial e de Mísseis da Agência de Inteligência de Defesa, lidera o AARO desde sua fundação, em julho de 2022. O escritório tem a tarefa de, entre outras coisas, avaliar relatórios de fenômenos anômalos não identificados arquivados por todos os servidores.
Loeb, por outro lado, é conhecido por seu trabalho estudando o objeto interestelar ‘Oumuamua. Na universidade onde atua, lançou e dirige o Projeto Galileo, que visa identificar e examinar “assinaturas tecnológicas extraterrestres” usando métodos científicos.
Sementes Esse relatório preliminar, intitulado “Restrições Físicas em Fenômenos Aéreos Não Identificados” (Physical Constraints on Unidentified Aerial Phenomenona) e tornado público em 8 de março, aborda especificamente dois objetos: ‘Oumuamua e IM2.
‘Oumuamua foi o primeiro objeto interestelar descoberto dentro do Sistema Solar. Descoberto em outubro de 2017 por um telescópio no Havaí, parece ter uma forma extremamente plana e não possui a cauda cometária de gás e poeira que se esperava. Durante sua passagem pela região planetária do Sistema Solar, foi constatado que sua trajetória seguiu uma aceleração diferente da esperada naturalmente, embora não tenha sido detectada atividade no objeto que possa justificar essa aceleração. Rapidamente, ganharam espaço as especulações de que poderia tratar-se de um objeto artificial não construído por humanos. (Note minha cautela para evitar a expressão “nave alienígena”.)
IM2 foi o segundo meteoro de origem interestelar descoberto. Ele tinha cerca de um metro e se desintegrou ao entrar na atmosfera terrestre em alta velocidade a centenas de quilômetros da costa de Portugal em março de 2017. Loeb, que também participou dessa descoberta, escreveu que a análise do meteoro concluiu que seu material não era semelhante ao material rochoso encontrado nos planetas e era mais forte que os meteoritos ferrosos. Segundo o cientista, supernovas podem criar “balas ricas em ferro”, dando origem a objetos como esse.
Nave-mãe “Essas ‘sementes de dente-de-leão’ podem ser separadas da nave-mãe pela força gravitacional das marés do Sol ou por uma capacidade de manobra”, escreveram os autores, indicando que a suposta nave-mãe poderia lançar uma sonda de um lugar distante com uma velocidade de lançamento pequena.
“Com um projeto adequado, essas minúsculas sondas alcançariam a Terra ou outros planetas do sistema solar para exploração, com a nave mãe passando dentro de uma fração da separação Terra-Sol – assim como ‘Oumuamua fez”, explicaram. “Astrônomos não seriam capazes de perceber o spray de mini sondas porque elas não refletem luz solar suficiente para que os telescópios de pesquisa existentes as notem.”
O artigo também analisou o provável propósito de tal jornada. Em analogia com as sementes reais de dente-de-leão, disseram os autores, as sondas poderiam “propagar o projeto de seus remetentes”.
“Assim como as sementes biológicas, as matérias-primas na superfície do planeta também podem ser usadas por eles como nutrientes para autorreplicação ou simplesmente exploração científica.” Dito isso, os autores argumentaram que tal exploração provavelmente não tem nada a ver com a espécie humana, considerando sua escala de tempo.
Financiamento O artigo da AARO foi feito após um grupo bipartidário de 16 senadores pedir ao governo Biden para financiar totalmente o gabinete. A solicitação inicial de fundos do DoD no ano fiscal de 2023 financiaria apenas as despesas operacionais básicas do AARO.
“O AARO oferece a oportunidade de integrar e resolver ameaças e perigos para os EUA, ao mesmo tempo em que oferece maior transparência ao povo americano e reduz o estigma”, escreveram os legisladores em uma carta de 16 de fevereiro ao Pentágono. “O sucesso do AARO dependerá de um financiamento robusto para suas atividades e da cooperação entre o Departamento de Defesa e a Comunidade de Inteligência.”
O gabinete “enfrenta um déficit de financiamento que impedirá sua capacidade de cumprir sua missão”, de acordo com os senadores, liderados por Marco Rubio, (republicano da Flórida) e Kirsten Gillibrand (democrata de Nova Iorque).
Calma! Tomei a liberdade de encerar esse post com meu comentário pessoal. (Sim, a notícia mesmo acabou.) Fui surpreendido por essa manchete nas redes sociais na tarde de ontem e só pude me dedicar à leitura adequada no final da noite. É claro que a manchete é muito chamativa, mas, considerando o perfil onde vi, achei que não fosse tanto. Após ponderar o assunto, optei por manter os termos chamativos na manchete a fim de preservar a “experiência da leitura”.
A questão é que existe, inicialmente, um apelo ao fato de que Kirkpatrick é o chefe da AARO e Loeb é… bem, ele é Avi Loeb! Se você está aqui, muito provavelmente sabe sobre a posição dele – contrária à da comunidade científica – sobre a possibilidade de ‘Oumuamua ser um artefato extraterrestre.
Além disso, a manchete dá a entender que trata-se de uma posição oficial do Pentágono sendo divulgada no mês seguinte à derrubada de três objetos não identificados em espaço aéreo norte-americano.
Que fique claro: não estou de forma alguma desqualificando o trabalho das fontes que deixei nos “prints” nesse post. Uma vez que não são especializados no tema, não cabe a esses veículos fazer uma análise com essa profundidade – apenas divulgar as informações conforme as colhem, o que é muito importante, dada a própria disseminação da informação.
O que temos no artigo publicado por eles é uma discussão sobre como uma “nave mãe” interestelar poderia passar relativamente perto do Sol (como ‘Oumuamua) e, nessa trajetória, liberar sondas pequenas que alcançariam a Terra (ou outros planetas) com pouca aceleração (como IM2 chegou à Terra). Quase como um poético dente-de-leão soltando sementes ao vento…
Ao contrário do que um leitor entusiasmado pode pensar ao ver a manchete, não há evidência de uma nave interestelar alienígena em alguma região mais distante do Sistema Solar enviando pequenas sondas ufológicas para nosso planeta. E usar avistamentos ufológicos para justificar a ideia discutida no artigo não faz sentido, sendo um salto ilógico gigantesco.
Enquanto refletia sobre isso, me lembrei da história de Black Knight – um suposto satélite alienígena que orbitaria a Terra há milênios. Além de ter explorado a ideia aqui no BdA, fiz um episódio sobre ele no Podcast X, onde mencionei um artigo de 1960 de Ronald Bracewell, professor da Universidade de Stanford. Ao verificar as referências no artigo na AARO, encontrei o artigo de 60.
As distâncias entre as estrelas tornam viagens tripuladas entre elas inviáveis. Para contornar este problema, Bracewell levanta a ideia de que uma civilização extraterrestre poderia enviar uma sonda não tripulada para entrar em contato conosco.
Se você ainda não conhece o Podcast X, fica aí o convite.
Para aqueles que esperavam que a notícia trouxesse esperanças de que o acobertamento governamental está acabando, não foi dessa vez…


