Nos anos 1950, USAF queria detonar bomba nuclear na Lua como demonstração de poder na Guerra Fria. Plano sereto teve participação de Gerard Kuiper e Carl Sagan.

Recentemente, o Spotify me recomendou um episódio de podcast sobre conspirações envolvendo a Lua. Alguns pontos chamaram minha atenção e, aproveitando o início das minhas férias da faculdade, resolvi tirar o pó do blog.

Foram várias groselhas ao melhor estilo Transformers: Dark Side o the Moon: bases alienígenas, mensagens dos ETs dizendo que não deveríamos retornar à Lua, supostas imagens de sondas soviéticas mostrando estruturas aparentemente artificiais e por aí vai. Também falou-se brevemente sobre o astro ser uma estação espacial gigante usada para vigiar nossa civilização. (That’s no moon…)

Minha favorita não ficou de fora: Apollo 20, a missão que teria visitado uma antiga estrutura alienígena e filmado o cadáver razoavelmente preservado de uma criatura humanoide. Para algumas pessoas, esse é um dos argumentos mais fortes contra a ideia de que a ida à Lua foi forjada.

Também foi mencionado o Cavaleiro Negro, um suposto satélite alienígena em órbita da Terra que observa a humanidade há milênios. Ele já foi tema de outro post do BdA.

Cena de Transformers: O Lado Oculto da Lua retratando o encontro da Apollo 11 com uma nave alienígena na Lua (Paramount Pictures)

Em meio a tantas groselhas, houve um tópico real que me interessou. No final dos anos 1950, militares americanos planejaram detornar uma bomba nuclear na superfície da Lua. Trata-se do Project A119.

Em plena Guerra Fria, a União Soviética (URSS) deu o primeiro passo marcante da Corrida Espacial com o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, em 4 de outubro de 1957. Nos Estados Unidos, a segunda falha do Project Vanguard ao lançar um satélite gerou o ímpeto necessário para que começassem uma competição declarada.

Tentando assumir a liderança da Corrida, o país iniciou uma série de projetos e estudos que levaram ao lançamento do Explorer 1 e à criação da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (Defense Advanced Research Projects Agency, DARPA) e da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (National Aeronautics and Space Administration, NASA).

Demonstração de força  Nessa época, periódicos já reportavam o rumor de que os soviéticos estavam planejando detonar uma bomba de hidrogênio na Lua. Foi veiculado pela imprensa em 1957 que uma fonte anônima havia informado um agente do Serviço Secreto que a URSS planejavam comemorar o aniversário da Revolução com uma explosão nuclear na Lua, aproveitando o eclipse lunar de 7 de novembro.

“O último rumor correndo é de que os russos planejam explodir uma bomba H lançada por foguete na lua em 7 de novembro ou próximo disso”, reportou o Pittsburgh Press em 1° de novembro. Mencionou-se que o alvo era a região escura do terminador, a linha que divide o dia da noite. Também foi noticiado que, se o míssil falhasse, poderia atingir a Terra.

Dois dias após a publicação do artigo, os soviéticos lançaram o Sputnik 2, levando uma cadela ao espaço. Como se não bastasse, ao mesmo tempo, o presidente americano Dwight Einsenhower recebeu informações de que as capaciades de defesa americanas estavam muito aquém das soviéticas, especialmente em relação a mísseis.

No mesmo ano, Edward Teller, “o pai da bomba H”, sugeriu a detonação de dispositivos nucleares tanto na superfície da Lua quanto a certa distância dela para analisar os efeitos das explosões.

Dr. Leonard Reiffel no IIT, 1963 (Robert W. Kelley/The LIFE Picture Collection/Getty Images)

Dr. Leonard Reiffel, físico respeitado, obteve seu doutorado em 1953 no Instituto de Tecnologia de Illinois (Illinois Institute of Technology, IIT), em Chigago. Ele chegou a posições importantes na NASA, inclusive na direção do programa Apollo, e trabalhou com outros físicos renomados, como Enrico Fermi, a mente por trás do primeiro reator nuclear, no Instituto de Estudos Nucleares da Universidade de Chicago (Institute for Nuclear Studies, Univversity of Chigago). Reiffel também colaborou com cientistas importantes do Terceiro Reich que trabalharam em solo americano através da Operação Clipe de Papel. Em 1958, oficiais da Força Aérea (USAF) o abordaram a respeito da possibilidade de detonar um dispositivo nuclear na Lua.

De 1949 a 1962, a Fundação de Pesquisa Armour (Armour Research Foundation, ARF), no IIT, estudou os efeitos de explosões nucleares no ambiente. Em maio de 1958, a ARF começou a pesquisa das potenciais consequencias de uma explosão nuclear na Lua – este era o Projeto A119. O programa correu sob os auspícios da USAF, que o propôs, e tinha como objetivo causar uma explosão nuclear que seria visível da Terra.

Esperava-se que isso elevasse a moral do povo americano, afetada pelas tenções da Guerra Fria e o atraso do país na Corrida Espacial. Também defendia-se que a explosão ajudaria a resolver algumas questões sobre a composição do astro, por exemplo.

Estudos  Uma equipe de 10 membros liderada por Reiffel foi reunida no IIT para estudar a possível visibilidade da explosão, potenciais benefícios à ciência e efeitos na superfície lunar. Nesta equipe, estavam Gerard Kuiper (astrônomo famoso pela região povoada por pequenos mundos além da órbita de Netuno) e seu aluno de doutorado de 24 anos Carl Sagan (ele mesmo), responsável pela projeção matemática da expansão de uma nuvem de poeira no espaço ao redor da Lua – elemento essencial para determinar a visibilidade a partir da Terra.

Inicialmente, consideraram usar uma bomba de hidrogênio, mas a USAF vetou a ideia pelo dispositivo ser muito pesado para o lançador que usariam. Decidiram usar uma ogiva W25, de 1,7 quilotons. Pequena e leve e com potência relativamente baixa. Para comparação, Little Boy, lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 1945 tinha de 15 kilitons.

A ogiva detonaria no impacto com a superfície. A nuvem de poeira resultante seria iluminada pelo Sol e seria possível vê-la da Terra. Segundo Reiffel, o progresso da USAF no desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais tornaria o lançamento possível em 1959.

Montagem de explosão na Lua (Collective Evolution)

Em janeiro de 1959, a USAF cancelou o projeto por receio de reação negativa do público e pelo risco à população caso algo desse errado no lançamento. Também consideraram que isso significaria uma militarização direta do espaço e que uma alunissagem seria um feito mais aceito pelos públicos americano e internacional. Segundo Reiffel, as implicações da contaminação radioativa para projetos de pesquisa e colonização também levaram a essa decisão.

Soviéticos  A contra-parte soviética do A119 também nunca foi executada. De fato, houve esse projeto soviético. Os únicos documentos oficiais revelados acerca dele indicam que começou em 1958, não em 1957, como a fonte anônima teria informado. O plano oficial soviético também difere do que foi relatado pela imprensa.

Iniciado em janeiro de 1958, era parte de uma série de propostas sob o codinome E. E-1 era sobre alcançar a Lua. E-2 e E-3 envolviam o envio de uma sonda ao lado distante da Lua para fotografar a superfície. A fase final, E-4, era uma explosão nuclear na Lua como demonstração de força. Como ocorreu aos americanos, os soviéticos optaram por cancelar os projetos E ainda no planejamento por preocupações quanto às segurança e confiabilidade do veículo lançador.

O Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares, de 1963, e o Tratado do Espaço Sideral, de 1967, impediram maiores estudos a respeito de uma detonação nuclear na Lua. A essa altura, EUA e URSS já haviam conduzido várias explosões nucleares de grande altitude, como as Operações Hardtack I, Argus, Dominic I e II e o Projeto K.

Em 1969, os EUA conseguiram sua vitória na Corrida Espacial com a aluissagem da Apollo 11. Em dezembro daquele ano, Gary Latham, cientista do programa Apollo sugeriu detonar um dispositivo nuclear “pequeno” na Lua para facilitar a pesquisa de sua composição geológica. A ideia foi dispensada pois interferiria com a medição da radiação natural do astro.

Segredos  A existência do Projeto A119 permaneceu altamente secreta até meados dos anos 1990, quando o escritor Keay Davidson descobriu a história pesquisando para a biografia de Carl Sagan. O envolvimento de Sagan com o projeto apareceu em sua aplicação para uma bolsa acadêmica no Instituto Miller, da Universidade da Calofórnia, em Berkeley, em 1959.

Carl Sagan na Universidade Cornell, 1974 (Santi Visalli Inc./Getty Images)

Na aplicação, Sagan deu detalhes da pesquisa, o que Davidson sentiu ser uma violação da segurança nacional. O vazamento consistia na revelação de dois papers secretos do A119: Possible Contribution of Lunar Nuclear Weapons Detonations to the Solution of Some Problems in Planetary Astronomy (Possível Contribuição de Detonações Lunares de Armas Nucleares à Solução de Alguns Problemas na Astronomia Planetária), de 1958, e Radiological Contamination of the Moon by Nuclear Weapons Detonations (Contaminação Radiológica da Lua por Detonações de Armas Nucleares), do ano seguinte.

Em um paper de 1961 para o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, Sagan mencionou um paper de 1958 atribuído a I. Filosofo, Cosmic Radiation and Lunar Radioactivity (Radiação Cósmica e Radioatividade Lunar). Os papers mencionados por ele estavam entre oito documentos criados pelo A119 – todos destruídos em 1987.

A biografia Carl Sagan: A Life foi publicada em 1999. Pouco tempo depois, uma resenha publicada na Nature destacou a descoberta do vazamento de informações. Foi aí que Reiffel decidiu quebrar o anonimato em uma carta ao periódico confirmando que a atividade de Sagan era considerada uma brecha na confidencialidade do projeto.

Reiffel também revelou detalhes dos estudos e suas palavras foram amplamente divulgadas. A admissão pública do projeto foi acompanhada da denúncia do trabalho realizado, com o cientista notando que estava “horrorizado” por tal projeto, que mexeria tanto com a opinião pública, um dia ter sido considerado.

Capa de A Study of Lunar Research Flights, estudo desenvolvido pela USAF com a intenção de detonar uma bomba atômica na Lua como demonstração de força no início da Corrida Espacial (Domínio público)

Volume I  Como resultado da publicidade criada pela correspondência, foi protocolado um requerimento de liberdade de informação a respeito do A119. Foi então que o documento A Study of Lunar Research Flights – Volume I (Um Estudo de Voos de Pesquisa Lunar – Volume I) foi tornado público. Uma busca pelos outros volumes concluiu que eles foram destruídos em 1987 pelo IIT.

Ele está disponível em PDF aqui.

O documento colocou na balança os prós e contras da explosão atômica lunar, descrevendo os benefícios como científicos, militares e políticos. O mundo descobriria que um conflito nuclear espacial era sim possível e a nuvem de poeira levantada pela explosão seria uma mensagem mais do que clara aos soviéticos.

Trata-se de uma tese sobre tudo o que os cientistas sabiam sobre a Lua na época, incluindo o campo magnético, a ausência de atmosfera, propriedades geológicas e a possibilidade de matéria orgânica escondida em bolsões. Cada detalhe serviu para responder a pergunta sobre a possibilidade de uma explosão nuclear.

O documento não aborda o meio de transporte da ogiva à Lua. Entrevistas dadas por Reiffel não revelaram muito sobre isso, a não ser que era tecnicamente plausível. Ele chegou a dizer que um míssil balístico poderia acertar um alvo na Lua com precisão de duas milhas.

Também não está claro como a ogiva seria rastreada da Terra, mas muitos métodos foram abordados, especialmente o rastremento visual com telescópios no solo e em balões. Uma opção era o uso de sinalizadores de vapor de sódio, testados por ambas as potências naquela década, que se mostravam intensamente incandescentes. A equipe até calculou a quantidade necessária de sódio para que o veículo fosse vísivel na Lua, à luz e na sombra.

A forma como a explosão seria conduzida também não estava decidida e muitas opções foram exploradas. O documento sugere, com base em várias simulações, a colocação de três pacotes de instrumentos para avaliar a explosão no hemisfério visível da Lua. A explosão poderia ocorrer no limite entre os lados visíveis e oculto para facilitar a visão lateral da nuvem de poeira.

A ogiva poderia ser acionada acima, no mesmo nível ou abaixo do solo lunar. De qualquer forma, as ondas de choque criariam lunamotos (terremotos lunares), abalando o corpo sismicamente silencioso. Com uma detonação de 1 megaton, tremores seriam detectados em qualquer lugar da Lua em poucos momentos.

A primeira transmissão ao vivo na TV de uma explosão atômica foi em 01/02/1951: a KTLA, em Los Angeles, mostrou a detonação de um dispositivo nuclear em Frenchmen Flats, Nevada (via Wired)

Quanto à nuvem de poeira, precisamos esclarecer um ponto interessante. A forma de cogumelo que vemos em vídeos de explosões nucleares na Terra é criada pelo movimento de poeira e detritos levantados por ar quente em uma atmosfera densa – coisa que a Lua não tem. Por lá, não haveria resistência para a expansão da nuvem. Não veríamos uma pluma gigantesca, não haveria som, não haveria onda de choque no ar – e nem cogumelo atômico. Apenas muita poeira. Da Terra, seria possível sim ver o clarão da detonação. Além disso, como já vimos, o plano era que a luz solar revelasse a nuvem.

“Temos a imagem do material lunar movendo-se para cima como um pistão gasoso [saindo da superfície] da Lua […] com uma fração considerável do material radiotivo sendo expelido ao espaço.”

O relatório acrescenta que, embora a distribuição da poeira irradiada ejetada seja um tanto imprevisível, cálculos sugeriram que o volume de material radioativo chegando à Terra deveria ser muito baixo. Agradeça a Sagan por essa avaliação.

“Deixei claro na época que haveria um grande custo à ciência por destruir um ambiente lunar intocado, mas a Força Aérea estava preocupada principalmente com a forma como a explosão nuclear teria efeitos na Terra”, disse Reifell ao The Observer em maio de 2000, aos 73 anos. E por “efeitos na Terra”, ele referiu-se a aspectos geopolíticos, militares e de moral do povo americano.

Vida  A herança dos inúmeros testes nucleares feitos na Terra é bem clara. Até porque, na Guerra Fria, foram feitos sem muita preocupação com o impacto ambiental. Cercadas de instrumentos científicos e equipamentos para registro, bombas cada vez mais potentes iluminaram os horizontes.

Às vezes, navios antigos eram alvos em atóis, com o vento levando a contaminação radioativa a pescadores ou assentamentos. Em outras ocasiões, soldados marchavam rumo ao cogumento que se erguia em direção ao céu – praticando para uma invasão que ocorreria após um ataque a uma posição inimiga.

Com o passar do tempo, os efeitos das explosões e da radiação resultante foram tornando-se claros. As crateras geradas por detonações subterrâneas eram curiosamente parecidas com as de maar-diatremes, um tipo de vulcão que ainda intriga cientistas quanto à sua formação. De forma semelhante, o documento explica que, sendo uma bomba química ou nuclear, o subsolo da Lua seria revelado, encerrando anos de debate científico.

Na Terra, os isótopos forjados nas explosões, provaram-se úteis a oceanógrafos, que os usaram para criar uma cartografia detalhada das maiores correntes aquáticas, que transportam calor e nutrientes pelo planeta.

Quanto à detonação lunar, esqueça o espalhamento de material radioativo pela superfície. Os cientistas consideraram o risco da explosão trazer para Terra material biológico perigoso. Nos anos 1950, já se achava que Marte e Vênus não tinham tal material, mas a Lua – apesar de muito menos hospitaleira – ainda era uma incógnita nesse assunto, especialmente quanto a seu subsolo.

O documento enfatiza que “se tal contaminação biológica da Lua ocorresse, representaria um desastre científico sem paralelos, eliminando a várias abordagens possívelmente frutíferas de problemas como a história do início do sistema solar, a composição química da matéria no passado remoto, a origem da vida na Terra e a possibilidade de vida extraterrestre”.

Mas também menciona que essa preocupação pode ser meramente acadêmica, até levantando a possibilidade de que um veículo soviético chegasse à Lua primeiro. Assim, a questão da contaminação biológica estava além de seu alcance de qualquer forma. “As possibilidades de propaganda dos EUA após uma contaminação lunar da URSS – ou vice-versa – não deveriam ser negligenciadas”, disse Reiffel.

Desafios  Os perigos das comtaminações biológica e radiológica não foram os únicos obstáculos levantados no documento. Segundo Reiffel, os potenciais problemas para executar o plano eram tantos que era impossível prever todos.

Uma passagem, em particular, enfatiza quanto tempo seria necessário para passar pelas questões abordadas pelo documento. “O esforço enorme que seria envolvido em qualquer experimento controlado na Lua ou próximo a ela  requer nada menos do que uma avaliação exasustiva de sugestões pelas muitas pessoas qualificadas que começaram a pensar a respeito desse problema geral.”

Apesar de poder parecer um aspecto abstrato, a opinião pública era uma preocupação bem concreta de Reiffel. O país poderia demontrar superioridade técnologica em relação aos soviéticos, mas também poderia parecer-se com um vândalo extraterrestre.

“A menos que o clima da opinião mundial fosse bem preparado antecipadamente, uma reação consideravelmente negativa poderia ser estimulada”, consta no relatório.

Isso se a ogiva chegasse à Lua. As repetidas falhas de foguetes da época mostravam a dificuldade de acertar. Mesmo hoje, há muitos riscos envolvidos – particularmente no caso de voos tripulados. No caso de uma bomba nuclear rumo à Lua, uma bola de fogo em grande altitude espalharia detritos radioativos por uma área enorme.

“A maior intenção era impressionar o mundo com a proeza dos Estados Unidos”, disse Reiffel ao The New York Times. “Era um dispositivo de R.P. [relações públicas], sem dúvida, nas mentes das pessoas da Força Aérea.”

O projeto foi abandonado em questão de meses. Realmente, não valia o esforço. O ambiente lunar permaneceu intocado até que algumas sondas soviéticas e americanas chegassem a sua superfície.

Sem dúvidas, a explosão teria sido um momento épico. Mudaria o ritmo da Corrida Espacial e de toda a Guerra Fria – que moldou as décadas seguintes. Se vivemos em um multiverso (como agora é moda para DC e Marvel), qual terá sido a reação do mundo ao ver esta notícia em um universo paralelo?

“O Projeto A119 é um microcosmo da habilidade de nossa espécie de ser perigosamente absurda”, escreveu o doutor em vulcanologia experimental e jornalista científico Robin Andrews, à Forbes. “Embora os fatores antagonistas tenham evolído, muitos de nós ainda permanecem dominados por noções difíceis de controlar hoje, assim como gerações passadas estavam em 1959. Mas isso não significa que tenhamos que nos render a elas.”

O historiador nuclear do Reino Unido David Lowry chamou a proposta do projeto de “obscena”. “Se tivessem prosseguido, nunca teríamos a imagem romântica de Neil Armstrong dando ‘um salto gigante para a humanidade’.”

“Então, de todas as formas, reflita sobre aquelas pegadas se isso lhe dá um senso de otimismo. Eu argumentaria, porém, que elas se tornam muito mais poderosas quando você considera que houve uma chance de quase decidirmos deixar uma cratera radioativa lá em cima no lugar [delas]”, escreveu Andrews.

Falando sobre o “pequeno passo”, se você se interessa pela Corrida Espacial, confira a live que fiz na Idade do Bronze a respeito do tema. É baseada em uma palestra que fiz no Ano Internacional da Astronomia, 2009.

Pretendo continuar tirando a poeira no BdA nas próximas semanas. Críticas e sugestões de temas são sempre bem-vindas! Principalmente agora, que finalmente conto com hardware decente…

Voltei a trabalhar em alguns rascunhos engavetados. Não é muita coisa, mas é um começo. O primeiro passo é atualizá-los, mas até já estou fazendo uma mudança de abordagem em alguns casos. Aliás, sobre mudança de abordagem, seria muito legal se rolasse um podcast em 2020, hein?

Watch the Skies!

“Observei mais distante no espaço do que qualquer humano fez antes de mim. Observei estrelas cuja luz, pode-se provar, deve levar dois milhões de anos para alcançar a Terra.”

– William Herschel (1738-1822), astrônomo britânico

Eduaro Oliveira
editor