Primeira viagem de nave ao espaço é importante conquista de agência espacial rumo a Marte. Resultados são positivos e melhorias serão feitas em próximas naves.
“O teste de voo de hoje [05/12/2014] da Orion é um passo enorme para a NASA e uma parte realmente crítica de nosso trabalho de explorar o esaço profundo em nossa Jornada a Marte”, disse Charles Bolden, administrador da NASA. “A equipe fez um trabalho tremendo colocando a Orion em sua marcha no ambiente real que suportará enquanto levamos à frente a fronteira de exploração humana nos anos que virão.”
“A Orion é a espaçonave de exploração para a NASA, e unida ao foguete Space Launch System, ou SLS, nos permitirá explorar o sistema solar”, disse Mark Geyer, gerente do Orion Program, baseado no Johnson Space Center, em Houston.

“Realmente, vamos testar as partes mais arriscadas da missão”, disse Geyer. “Ascenção, entrada [na atmosfera] e coisas como separação de carenagens, separação do Launch Abort System, os paraquedas mais a navegação e orientação – todas estas coisas serão testadas. Além disso, vamos voar no espaço profundo e testar os efeitos da radiação nesses sistemas.”
A nave Orion ascendeu ao céu às 10h05 de Brasília a partir do Space Launch Complex 37 no Cape Canaveral Air Force Station, na Flórida, em um foguete Delta IV Heavy da United Launch Alliance. Um conjnto de painéis de carenagens ao redor do módulo de serviço foram descartados ante que a torre do sistema de abortamento de lançamento se separasse da nave, conforme o planejado.
A nave e o segundo estágio do foguete entraram em uma órbita inicial cerca de 17 minutos após o lançamento. Os controladores de voo iniciaram uma rolagem lenta com a Orion para manter a temperatura da nave controlada enquanto ela voou por uma fase de locomoção sem esforço de 97 minutos.
A ignição do segundo estágio ocorreu cerca de duas horas depois do lançamento e enviou a Orion aos Cinturões de Radiação Van Allen, um ponto chave já que instrumentos dentro da cabine mediam as doses de radiação – dado importantíssimo para planejar as missões futuras com segurança para os astronautas. As câmeras foram desligadas durante estas fases para protegê-las. A Orion passou duas vezes pelo Cinturão de Vah Allen, onde e atingiu a altitude de quase 5,8 mil km

Com cerca de três horas e vinte minutos de voo, o módulo de tripulação voou sozinho, após a separação do módulo de serviço e do segundo estágio do Delta IV Heavy. A nave foi direcionada para a atmosfera e ficou por conta dos computadores embarcados colocá-la na posição correta para que o escudo térmico pudesse aguentar a temperatura da reentrada.
A nave alcançou velocidades de quase 32,2 mil km/h e enfrentou temperaturas de quase 2,2 mil graus Celcius ao entrar na atmosfera terrestre. A Orion voltou à atmosfera cerca de quatro horas e dez minutos após o lançamento e os controladores perderam contato com a nave por aproximadamente dois minutos e meio, por conta do plasma que a envolveu.
A cobertura da parte superior foi alijada em um processo que iniciou a abertura dos paraquedas. O módulo amerrissou cerca de quatro horas e meia depois do lançamento no Oceano Pacífico, 965 km a sudoeste de San Diego, Califórnia.
Uma equipe de pessoal do Ground Systems Development and Operations Program, NASA, baseado no Kennedy, da U.S. Navy (a Marinha dos Estados Unidos) e da Lockheed Martin a bordo do USS Anchorage realizaram o processo de recuperação da nave. O USS Anchorage é uma embarcação anfíbia com um fechamento protetivo, que permite que a Orion simplesmente flutue a bordo, sem ter de ser levantada por um guindaste. O USNS Salvor também estava disponível para auxílio.
A nave será levada para a U.S. Naval Base San Diego nos próximos dias e, depois, ao Kennedy Space Center, na Flórida, onde será processada. O modulo da tripulação será renovado para uso na Ascent Abort-2, em 2018, uma missão de teste do sistema de abortamento do lançamento.

A Lockheed Martin, a principal empreiteira da NASA para a Orion, começou a fabricação do módulo em 2011 e o entregou em julho de 2012 à Neil Armstrong Operations & Checkout Facility, no Kennedy, onde a montagem, integração e testes finais foram completados. Mais de mil empresas pelo país fabricaram ou contribuíram com componentes da Orion.
Enquanto todo este trabalho acontece no chão, astronautas na International Space Station continuam a pesquisa inovadora que contribui para o entendimento de tudo em voos espaciais de longa duração e também com a melhoria da vida na Terra com a experimentação contínua de produtos e processos.
A Orion abrirá o espaço entre a Terra e Marte para a esploração tripulada. Este campo de provas será de valor inestimável para as capacidades de testes de que as futuras missões humanas a Marte precisarão. A nave foi testada no espaço para permitir que engenheiros coletasse dados críticos para avaliar sua performance e melhorar seu projeto. O voo testou o escudo térmico, aviônicos, paraquedas, computadores e eventos de separação importantes, colocando em exercício muitos dos sistemas críticos para a segurança dos astronautas.
“Nós realmente forçamos a Orion o máximo que pudemos para nos dar dados reais que podemos usar para melhorar o projeto indo à frente”, disse Geyer. “Nas próximas semanas e meses, estaremos dando uma olhada nesta informação de valor inestimável e aplicando as lições aprendidas na próxima espaçonave Orion já em produção para a primeira missão no topo do foguete Space Launch System.”

Em missões futuras, a Orion será lançada com o Space Launch System (SLS), da NASA, atualmente em desenvolvimento no Marshall Space Flight Center, em Huntsville, Alabama. Um SLS de 70 toneladas colocará a Orion em uma órbita retrógrada distante ao redor da Lua na Exploration Mission-1, o primeiro teste do sistema Orion e SLS totalmente integrado. O segundo teste será tripulado.
Desta forma, astronautas voltarão ao espaço profundo pela primeira vez em mais de quatro décadas. Além de Marte, a NASA pretende usar a Orion e o SLS para explorar um asteróide – talvez até antes.
“Ser capaz de mesmo pensar em ir a um asteroide e ser capaz de pensar neste tipo de exploração, isso é muito animador”, disse Bob Cabana, diretor do Kennedy Space Center. “Acho que existe uma atmosfera positiva genuína e não acho que está confinada ao Kennedy. Você pode ir por todos os centro da NASA e acho que a equipe está realmente animada sobre o futuro.”
Olá, amigo Eduardo e internautas. Td? Uma boa notícia. Em prática, primeiros testes para futuras missões a Marte e aperfeiçoamentos. Me surpreendi com os mais de 2 mil graus na reentrada (quase metade da temperatura superior do Sol). Duas pequenas dúvidas (e a primeira bem estranha): se houvesse redução da velocidade do módulo na reentrada com foguetes, diminuiria para uns 500 graus a temperatura externa? A NASA já aprimorou o sistema automático de ejeção da cabine, caso haja explosão no lançamento? Em 1969 garantiram aos astronautas que em menos de 2 segundos, se houvesse explosão nos tanques, a cabine seria ejetada. Depois, verificou-se que seria, mas não a tempo (as chamas os alcançariam antes). Que ótimo que ocorreu tudo bem. Parabéns a NASA e todos envolvidos. Abraços.
Olá, boa tarde.
Sim, são temperaturas altas na reentrada, quase a metade da fotosfera solar. Foguetes são utilizados para tirar a nave da órbita e fazê-la voltar à atmosfera. Não há grandes motivos para utilizá-los durante a reentrada, até porque o vento relativo tenderia a empurras os produtos de reação de volta aos nozzles, prejudicando a operação. Os materiais de cerâmicas utilizados na proteção térmica resistem muito satisfatoriamente.
Até onde sei, sim, a ejeção da tripulação já é um procedimento seguro. Estamos falando de quase 50 anos de avanços.
Abraços.