Grande promessa é novo centro de lançamento no extremo oriente russo. Investimentos incluem foguetes maiores, sondas robóticas e missões tripuladas.
Nesta sexta-feira (12/4/2013),o presidente russo Vladimir Putin disse a astronautas em órbita que a Rússia deve lançar seus primeiros voos espaciais de seu próprio solo em 2018 com uma nova plataforma de lançamento que "irá ajudar a uma vez pioneira potência espacial a explorar o espaço profundo e a Lua".
Falando por vídeo com a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS) a partir do local de construção, Putin disse que ele será aberto para uso dos EUA e Europa – como parte das comemorações do aniversário do voo do cosmonauta Yuri Gagarin, que iniciou a Corrida Espacial da Guerra Fria. Com a imagem de um lançamento ao fundo, Putin também disse que quer que o Cosmódromo de Vostochny ajude a Rússia a alcançar outras potências na exploração além da órbita da Terra.
"Estamos um pouco atrás do mundo em algumas áreas", disse o presidente em um tour do futuro centro de lançamento no leste da Sibéria, perto da fronteira com a China. "Criamos uma lacuna notável das potências espaciais nas tecnologias da chamada exploração do espaço profundo."
A Rússia quer que Vostochny – que deve receber uma nova geração de foguetes com cargas maiores – rivalize com a atual base de lançamento de Baikonur, no Cazaquistão, cuja concessão tem sido uma controvérsia desde a separação da União Soviética em 1991.
Desde a aposentadoria dos Ônibus Espaciais da NASA no ano passado, os foguetes russos que decolam da antiga base soviética de Baikonur são a única forma de astronautas do mundo todo chegarem à ISS. Enquanto a NASA paga uma taxa pela viagem, a manutenção e concessão do Cosmódromo de Baikonur fica às custas da Rússia.
Cumprimentando os astronautas pela data russa do Dia da Exploração Espacial, Putin disse: "Não são apenas cumprimentos quaisquer, são cumprimentos do local de construção do nosso futuro."
Ele disse que o primeiro lançamento de Vostochny será em 2015 e o primeiro voo tripulado em 2018. O local, em Blagoveshchensk, próximo da costa pacífica da Rússia, foi escolhido para que os cosmonautas possam pousar na água após a missão.
"Espero muito que não seja usada apenas por nossos especialistas, mas por nossos colegas dos Estados Unidos, Europa e outros países."
"O espaço é uma esfera de atividade que nos permite esquecer todas as dificuldades de relações internacionais", disse Putin, que sofreu críticas dos EUA e da Europa sobre direitos humanos desde seu retorno ao Kremlin em maio passado.
Segundo o presidente, mesmo depois que a nova base esteja construída, a Rússia vai continuar usando Baikonur – que arrenda a US$ 115 milhões por ano em um acordo que acaba em 2050. Mas ele disse que as instalações em solo cazaque estavam "fisicamente velhas".
De volta ao espaço Putin, cuja ambição é restaurar a força de Moscou na era soviética, disse que a Rússia irá investir, R 1,6 tri (cerca de R$ 102 bi) em exploração espacial até 2020.
"Está claro que no Século XXI, a Rússia deve preservar seu status de potencia espacial líder", disse estimando o tamanho do crescimento do mercado de lançamentos espaciais, que estará valendo US$ 1,5 tri em 2030 e hoje vale de US$ 300 a 400 bi.
A União Soviética saiu na frente dos EUA na Corrida Espacial ao lançar o satélite Sputnik em 1957, uma sonda lunar em 1959 e Gagarin em seu voo orbital de 108 minutos em 1961. Mas a Rússia tem se ausentado do espaço profundo por mais de 20 anos.
Em 2011, o lançamento da sonda Fobos-Grunt deveria ser a estreia interplanetária da Rússia pós-soviética, mas não ocorreu como planejado, assim como outros lançamentos.
O país fez um acordo no mês passado com a Europa para uma missão coleta de amostras em Marte – um dos projetos que espera ajudar a resgatar sua reputação no setor. Moscou também ressuscitou um programa lunar adormecido há muito tempo: sonda não-tripulada Luna-Globe (Globo Lunar) deve ser a primeira a ser lançada de Vostochny em 2015.
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