Satélites eram última parte do GLONASS. Sistema é concorrente do GPS.

Segundo a agência oficial de notícias da Rússia, RIA Novosti, três satélites russos, enviados à órbita para completar o sistema de navegação GLONASS, saíram de curso e caíram sobre No Oceano Pacífico neste domingo (05/12/2010). O local da queda fica a 1.500 km de Honolulu, capital do Estado do Havaí – longe das rotas de navegação. Especialistas também disseram que o estágio final do foguete, provavelmente, também caiu perto do Havaí

Os satélites estavam sendo levados pelo foguete Proton-M, lançado do centro espacial Baikonur, no Cazaquistão.

Segundo um representante da indústria espacial russa que preferiu permanecer no anonimato, "o foguete Proton-M colocou o bloco acelerador com os três satélites em uma trajetória incorreta". O erro seria de oito graus.

Um porta-voz da Roscosmos, a agência espacial russa, disse que os satélites saíram de curso e causaram uma "situação não planejada". Ele não confirmou sua queda.

Em consequência disso, o bloco acelerador não conseguiu situar os satélites na órbita prevista e com eles entrou na atmosfera.

Segundo autoridades, os satélites saíram de curso após se separaram com um propulsor do foguete principal dez minutos após o lançamento.

Em uma outra declaração, a Roscosmos informou que "de acordo com os resultados de nossa análise telemétrica, foi determinado que o gruo de satélites saiu da órbita".

O sistema GLONASS é semelhante ao GPS estadunidense. Ele começou a operar em 1999, mas só agora terá cobertura global. Em sua composição definitiva, contará com 24 satélites operacionais, oito em cada plano de órbita, e de vários equipamentos reservas em órbita. Os três satélites que caíram no Pacífico eram os últimos da constelação.

Soberania  A falha poderia atrasar o que o Primeiro-Ministro Vladimir Putin chamou de "soberania em navegação por satélite" e a tentativa russa de estimular sua economia com empresas nacionais produzindo em massa dispositivos que usam o GLONASS.

O país gastou US$ 2 bilhões nos últimos dez anos com o projeto, desenvolvido pela empresa Sistema – que abrange de petróleo até telecomunicações. O governo também propôs uma série de medidas protecionistas anti-GPS para encorajar a adoção do GLONASS.

Antes do lançamento de domingo, a Roscosmos disse que o sistema estaria operacional em seis semanas.

Em outubro, o Vice-Primeiro-Ministro Serguei Ivanov disse que a Rússia estava examinando adicionar 25% de taxas em celulares importados sem o GLONASS em 2012.

Em agosto, o chefe de operação do GLONASS, Alexander Gurko, disse que a Nokia, a Motorola e a Qualcomm estavam conversando com fabricantes de Chips russos sobre a produção em massa de dispositivos portáteis com o GLONASS.

Gurko também disse que o mercado russo de navegação por satélite, estimado em US$ 1 bilhão em 2010, cresceria para cerca de US$ 10 bi em 2014 e que o GLONASS também venderia sua tecnologia na Índia, no Oriente Médio e em países ex-soviéticos.

O diretor geral da M2M Electronics, subempreiteira especializada em microeletrônicos para o programa GLONASS, disse que a falha "não foi uma grande tragédia".

Evgeny Belyanko disse ao canal estatal de notícias Rossía 24 que os satélites já em órbita cobrem toda a Rússia e possuem cobertura boa das latitudes polares e "talvez não tão boa" da região equatorial. "Assim, a ausência destes três satélites … não terá nenhuma consequência séria."

Atualmente, há 26 satélites da rede em órbita – muitos lançados pelo Proton-M. 20 estão em condição de trabalho, dois estão em espera e quatro estão em manutenção, informou Belyanko.