Ideia é lançar missões a partir de plataforma orbital. Parceiros da Estação verificam possibilidade.
A possibilidade de usar a ISS (Estação Espacial Internacional) como ponto de lançamento para um voo tripulado ao redor da Lua está sendo estudada pelos parceiros do projeto.
Cartas discutindo o conceito têm sido trocadas entre as agências espaciais russa, europeia e estadunidense.
O voo lunar seria um evocativo da missão Apollo VIII, que, em 1968, tirou uma famosa fotografia da Terra.
As agências querem que a Estação se torne mais do que apenas uma plataforma orbital para experiências em microgravidade. Elas também gostariam de vê-la desenvolver tecnologias e técnicas que serão necessárias para a expansão para além da baixa órbita da Terra para explorar destinos como asteroides e Marte.
Usar a ISS como porto espacial ("espaçoporto") ou acampamento-base, de onde os astronautas partem para sua jornada é parte da nova filosofia sendo considerada.
"Precisamos da coragem de começar uma nova era", disse Simonetta Di Pippo, diretora de voos tripulados da ESA (agência Espacial Europeia).
"A ideia é levar à estação espacial os vários elementos da missão e tentar montar a espaçonave na ISS e ir da órbita da estação espacial para a Lua." "O que estamos pensando no momento – mas precisamos de mais trabalho técnico para ser feito – é que deveria ser uma pequena espaçonave que viaja ao redor da Lua", diz ela. Este veículo provavelmente retornaria direto para a Terra, ao invés de retornar à ISS.
Da Terra Frank Borman, James Lovell e William Anders fizeram história ao realizar a primeira missão lunar, testando o Módulo de Comando/Serviço (CSM) e seus sistemas de suporte à vida em preparação para o posterior pouso da Apollo XI. A nave fez dez órbitas ao redor da Lua antes de voltar para casa.
Assim como a Apollo, qualquer missão moderna precisaria de algum tipo de CSM para os astronautas junto a um estágio de partida – uma unidade propulsora que poderia acelerar o veículo dos astronautas e tirá-lo da baixa órbita da Terra, colocando-o a caminho da Lua.
O novo estudo avaliará quais elementos precisos são necessário e quantos podem ser adaptados dos sistemas de espaçonaves que já existem.
Deve-se destaca, porém, que, até o momento, trata-se apenas de uma ideia. E o caminho até a realidade é longo; só porque o conceito está sendo examinado, não há garantia de que será aplicado.
Também deve ser lembrado que as agências, seus parceiros industriais e um número de defensores do turismo espacial já pensaram em "repetir" a missão Apollo VIII, nem que fosse para dar só uma volta ao redor da Lua.
O que pode ser diferente desta vez é o novo pensamento sobre como a ISS deveria ser explorada nos próximos anos.
Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá já manifestaram desejo de manter a plataforma, pelo menos, até 2020. E engenheiros acreditam que muitos de seus módulos estarão aptos a trabalhar mesmo no fim daquela década.
Ciências norteadas pela Terra em um ambiente zero-G sempre serão prioridade e, com seis indivíduos vivendo permanentemente na estação, o tempo que cada astronauta dedica a experimentação foi aumentado para cerca de 70 horas por semana.
Mas, com muitas tarefas laboratoriais sendo automatizadas, também deveria haver scope para iniciar novas atividades. Os parceiros da ISS acreditam que um papel fundamental para o prosseguimento da estação será o desenvolvimento da plataforma para a exploração do espaço profundo.
Tais atividades poderiam incluir demonstrações de novos robôs, módulos infláveis para se viver ou cultivar alimentos (estufas), novas tecnologias de suporte à vida, sistemas de proteção contra radiação, novas abordagens da telemedicina – qualquer coisa que seria necessária para astronautas numa missão alto-suficiente distante da Terra. Aprender como montar veículos de exploração na ISS também seria parte desta nova visão.
Se, algum dia, humanos forem a asteroides ou a Marte, a escala a infra-estrutura necessária para completar uma viagem segura não poderia ser possivelmente lançada em um único foguete a partir da Terra. Terá de ser lançada em múltiplos voos e unida em órbita.
Fazer esta montagem na ISS significa que pode ser supervisionada por astronautas com acesso direto a ferramentas, caso preciso.
Se a tripulação da missão viajar separadamente à estação, também significa que todos os elementos para seu voo de longa duração poderiam ser lançados sem as complicações de sistemas de abortagem ultra-seguros que tornam foguetes tripulados mais complexos.
A tripulação poderia chegar à órbita em um foguete simples e testado, como um Soyuz, e transferir-se para seu veículo já esperando na ISS.
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