Telescópios óticos não conseguem estimar com precisão tamanho de NEOs. Pesquisa com Spitzer está fazendo descobertas.
Uma pesquisa de 101 objetos que passam relativamente perto da Terra descobriu que eles têm uma grande variedade de refletividade, indicando composições variadas.
Milhares de NEOs (Near-Earth Objetcs, objetos próximos da Terra), principalmente asteroides, foram catalogados nos últimos anos, mas a maioria deles foi descoberta por telescópios ópticos que não conseguem determinar diâmetros – apenas quão brilhante o objeto parece, o que depende tanto do diâmetro quanto da refletância. Assim, caçadores de NEOs têm que supor uma refletância (ou albedo) plausível para todos os objetos para estimar o tamanho deles.
Apenas por meio de observações complementares de radar ou infravermelho de NEOs, os astrônomos conseguem determinar precisamente os tamanhos. O projeto ExploreNEOs objetiva exatamente isso, pesquisando uma amostra de cerca de 700 NEOs conhecidos com o Telescópio Espacial (infravermelho) Spitzer para medir albedos e diâmetros.
O grupo publicou resultados preliminares da pesquisa, baseados em observações de 101 NEOs, na edição de setembro da The Astronomical Journal. Descobriram que o albedo dos NEOs não é constante para todos – varia muito de asteroide para asteroide. Em outras palavras, "a população NEO parece ser composicionalmente diversa", escreveu por e-mail David Trilling, da Northern Arizona University, principal autor do estudo. Alguns podem ser simplesmente rochosos, alguns podem carregar compostos orgânicos e alguns podem ser os chamados cometas mortos – objetos rochosos do Sistema Solar externo que um dia tiveram cauda.
Os dados preliminares do ExploreNEOs também mostram que objetos maiores, com mais de um quilômetro, tendem a ter menores albedos do que os objetos menores. Essa descoberta pode indicar que observadores de asteroides subestimaram o tamanho dos maiores? (Depois de tudo, um asteroide brilhante que se descobre ter uma superfície muito opaca teria de ser muito grande para refletir tanta luz.)
É uma possibilidade, diz Trilling, mas uma ideia observacional significante preconcebida torna difícil dizer. NEOs pequenos e escuros refletem muito pouca luz e por isso tendem a não ser detectados por telescópios óticos. "Uma vez que nosso projeto com o Spitzer usa NEOs conhecidos (descobertos por pesquisas óticas no solo) como nossa entrada de lista de alvos, esperávamos desde o início que nossos resultados mostrassem que os objetos menores são brilhantes (alto albedo) e que não haveria objetos pequenos e escuros em nossa amostra", ele diz.
Outra fonte possível da discrepância de albedo além da composição variável é o clima espacial, que escurece os asteroides com o tempo. Objetos menores, que podem ser fragmentos produzidos em colisões de asteroides, seriam mais jovens e teriam sofrido menos ação do clima do que objetos maiores que evitaram colisões. A questão pode ficar mais clara conforme o ExploreNEOs coleta mais dados. Trilling diz que o grupo já observou mais de 300 objetos com o Spitzer e os resultados da primeira metade da pesquisa serão enviados para publicação no outono boreal.
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