R136a1 tem atualmente 265 vezes a massa do Sol. Sua luminosidade é 10 milhões de vezes maior.

Astrônomos europeus anunciaram ter descoberto as três estrelas com mais massa já vistas no Universo. A maior delas, R136a1, tem massa 265 vezes maior que a do Sol – no momento do nascimento da estrela, esse número chegava a 320 – o dobro da massa da maior estrela já encontrada. 

RMC 136a1 faz parte do agrupamento de estrelas jovens RMC 136a, localizado na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha a 165 mil anos-luz. Outras estrelas de grande massa foram descobertas na NGC 3603, a Nebulosa da Tarântula, a 22 mil anos-luz.

RMC 136a1, faz parte do grupo RMC 136a (direita), na Grande Nuvem de Magalhães (esquerda), a 165 mil anos-luz (Foto: BBC)

Segundo o artigo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a expectativa é de que estrelas colossais como as encontradas existam apenas durante alguns milhões anos, antes de explodirem. A existência de estrelas como essas, afirmam astrônomos, era mais comum no início do Universo.

Embora a R136a1 seja a estrela de maior massa já encontrada, outras estrelas menos densas e com diâmetros maiores que a dela já eram conhecidas pelos astrônomos.

R136a1, no centro da imagem (Foto: ESO / divulgação)

A equipe liderada pelo astrofísico Paul Crowther, da Universidade de Sheffield (Inglaterra) fez essas descobertas usando o telescópio Telescopio Muito Grande (VLT), do Observatorio Europeu do Su l(ESO), no Chile, e dados do Telescopio Espacial Hubble (HST). Ele explica que estrelas tão grandes produzem um fluxo muito intenso de gases e poeira.

"Ao contrário dos humanos, as estrelas nascem bem pesadas e vão perdendo peso à medida que envelhecem. Com pouco mais de 1 milhão de anos de idade, a R136a1 já é uma estrela de ‘meia idade’ e passou por um intenso programa de redução de peso, o que a fez perder um quinto de sua massa [ou 50 massas solares] durante esse tempo."

Se a RMC 136a1 substituísse o Sol em nosso Sistema Solar, "a sua grande massa reduziria a duração de um ano na Terra para apenas três semanas e banharia o planeta em uma radiação ultravioleta incrivelmente intensa, tornando a vida impossível em sua superfície", afirma Raphael Hirschi, da Universidade de Keele, integrante da equipe. A R136a1 tem luminosidade 10 milhões de vezes maior do que a do Sol.

Trecho do "Jornal Nacional”, da Rede Globo, de 21/07/2010

Planetas Ainda segundo os cientistas, é pouco provável que alguma dessas estrelas venha a ter planetas orbitando a seu redor, já que demoram mais tempo para serem formados que a "curta" vida das estrelas.

Muitas das estrelas observadas têm temperatura superior a 40.000°C – mais de sete vezes superior à temperatura do Sol – além de serem dezenas de vezes maiores e milhões de vezes mais brilhantes que o astro.

Estrelas como essas são extremamente raras e se formam apenas nos agrupamentos estelares mais densos.

Vídeo da BBC Brasil de 21/07/2010

Se houvesse algum planeta dentro do agrupamento RMC 136a, o céu nunca escureceria, já que a densidade de estrelas na região é 100 mil vezes maior do que em torno do Sol e muitas delas são extremamente brilhantes.

A descoberta ainda confirmou a hipótese anterior dos astrônomos, de que há um tamanho máximo para estrelas, e a RMC 136a1 levou os cientistas a estenderem este limite.

Trecho do "Mundo Meio-dia", da Record News, de 21/07/2010