Geólogos do Caltech acharam grupos de hidroxilas no em rocha lunar. Pesquisadores da Universidade do Tennessee acreditam que água está espalhada pelo satélite.
Uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) encontrou grupos de hidroxilas estruturados em rocha trazida da Lua pela missão Apollo XIV, conforme estudo presente na edição desta semana da revista Nature – que será publicada nesta quinta-feira (22/07/2010).
As evidências de água na Lua, divulgadas nesta quarta-feira (20), foram detectadas em uma pedra chamada apatita, composta por cálcio e fósforo, inserida no basalto colhido pelos astronautas norte-americanos em 1971.
"A Lua, tida geralmente como desprovida de materiais hídricos, tem água", afirma John Eiler, especialista em geologia do Caltech. "Há mais água na Lua do que as pessoas suspeitam, mas as ordens de grandeza do material na Lua são muito menores do que as encontradas na Terra."
A molécula H2O não foi encontrada, porém os pesquisadores detectaram um íon com hidrogênio, o ânion OH–. "O hidróxido é um ‘parente’ próximo da água", explica George Rossman, professor de mineralogia e um dos autores do estudo. "Se você aquecer a apatita, os íons de hidroxila vão se decompor e virar água."
A ideia de procurar por indícios de água na rocha veio do professor Larry Taylor, da Universidade de Tennessee, que enviou o material com basalto e apatita para os pesquisadores do Caltech.
Uma primeira análise da apatita lunar foi feita em 1975, mas para o autor principal do estudo divulgado na Nature, o professor de geologia da Universidade da Califórnia Jeremy Boyce, os resultados foram diferentes por não considerarem o íon OH–.
Mesmo com a descoberta, os especialistas no Caltech ainda não estão certos sobre a quantidade de água presente no satélite natural da Terra. O montante de evidências de água encontrado na apatita – 1600 ppm (partes por milhão) – é insuficiente para determinar quanto H20 a Lua pode conter em sua superfície.
Por dentro Os pesquisadores da Universidade do Tennessee estão mudando a ideia que os cientistas tinham da Lua. Taylor e Yang Ilu, do departamento da Terra e das Ciências Planetárias, descobriram que a água na Lua é mais espalhada – dentro e fora dela – do que se imaginava e tem algumas semelhanças com a que existe em sistemas vulcânicos da Terra.
Há pouco tempo, Taylor descobriu "orvalho", água que é absorvida nas camadas mais altas do solo, na superfície do satélite natural.
Ao contrário do orvalho lunar – que os cientistas dizem que pode ter sido gerado por ventos solares, fazendo com que o hidrogênio entrasse em contato com o oxigênio – a água descoberta por Taylor e Ilu está dentro do satélite, e é originada em algum lugar diferente.
Os cientistas ainda não sabem como ela chega lá. A água pode ter surgido por causa do impacto de cometas, que contêm gelo, durante ou depois da formação da Lua e da Terra.
A existência de vulcões na Lua, há mais de 4 bilhões de anos, deu aos pesquisadores um indício de que a água pode existir dentro deles, já que na Terra é ela que os impulsiona.
Os pesquisadores dizem que a descoberta feita pela análise da rocha dá "provas contundentes da presença de água no interior da Lua, de onde algumas rochas foram retiradas, mostrando que existe uma relação química e geológica mais próxima entre a Terra e a Lua do que se sabia".
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