Programa Constellation, que previa viagens ao astro, foi cancelado. Proposta concede mais operações espaciais ao setor privado.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou nesta segunda-feira (01/02/2010) um orçamento para o exercício de 2011 que mostra "as graves dificuldades" pelas quais o país está passando, centralizando-se na redução de um deficit gigantesco com a decisão, altamente simbólica, de desistir do programa Constellation, que enviaria uma nova missão tripulada à Lua até 2020.
Ele dá à NASA um incremento de 6 bilhões de dólares em 5 anos, mas aborta o Constellation e transfere o transporte espacial para as companhias comerciais.
O orçamento da agência espacial cresceria para US$ 19 bilhões em 2011 de acordo com o orçamento proposto, colocando ênfase na ciência e menos gastos com exploração espacial. Ele "acrescenta 6 bilhões de dólares ao orçamento da NASA ao longo de cinco anos e mobiliza a inventividade americana para permitir que embarquemos num ambicioso programa do Século XXI de exploração humana do espaço" , lê-se na proposta de orçamento.
Volta à Lua No entanto, o plano põe fim ao programa Constellation, que tinha um custo previsto de US$ 100 bilhões e "planejava usar uma abordagem similar ao do programa Apollo para levar astronautas de volta à Lua 50 anos depois do triunfo daquele programa." O orçamento ressalta que um painel independente descobriu que o programa da Lua estava atrasado em anos. "Em vez disso, estamos lançando um esforço totalmente novo que investe a inventividade americana para o desenvolvimento de tecnologias mais capazes e inovadoras para a exploração espacial do futuro", lê-se.
Na prática, segundo o site do jornal "The Washington Post", isso significa uma sentença de morte ao foguete Ares 1, o sucessor dos atuais ônibus espaciais, cuja construção e desenvolvimento ao longo dos últimos anos já ultrapassou a casa dos bilhões de dólares. A NASA já gastou US$ 9 bilhões no Constellation e provavelmente ficará devendo outros milhões ao cancelar os contratos existentes. Os principais fornecedores do programa de foguete Ares incluem a ATK Launch Systems, Pratt & Whitney Rocketdyne e a Boeing Co.
O novo orçamento, que está sujeito a mudanças no Congresso, também amplia as operações da Estação Espacial Internacional para além da data planejada para a sua desativação, em 2016, sugerindo possíveis acréscimos como habitats espaciais infláveis.
A proposta de Obama concede mais operações espaciais ao setor comercial, dizendo que isso criará milhares de empregos novos e manterá os custos baixos.
"O orçamento presidencial cancela o Constellation e repõe [o investimento] com um novo e arrojado pacote, que investe na construção de blocos de mais capacidade e possibilidades para a exploração espacial", disse a NASA, em comunicado.
Com a reestruturação das prioridades espaciais, a agência deve enfocar em missões comerciais. O governo também prevê a injeção de US$ 1,2 bilhão para estimular a pesquisa em tecnologia espacial junto à iniciativa privada. Uma das medidas que o pacote prevê é o investimento de US$ 3,2 bilhões em pesquisa de telescópios estudando planetas e estrelas – incluindo novas missões para estudar a Lua e duas missões de exploração em Marte.
O novo pacote orçamentário para a agência espacial norte-americana pode ser lido na íntegra em inglês aqui.
"Estamos em guerra, nossa economia perdeu sete milhões de empregos nos dois últimos anos e nosso Estado está altamente endividado, depois do que somente pode ser chamado de década perdida", declarou Obama na manhã de segunda-feira, após a publicação do projeto.
Este orçamento para o exercício que vai de outubro de 2010 a setembro de 2011 prevê gastos de US$ 3,721 bilhões (ou 3% a mais em relação ao exercício em curso), mas também uma redução do deficit por meio da recuperação econômica e de um aumento de 19% da arrecadação fiscal. Assim, o déficit passaria ao recorde de US$ 1,556 trilhão de dólares em 2010 – correspondente a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) – a US$ 1,267 trilhões (8,3% do PIB).
"Não podemos continuar gastando como se os déficits não tivessem consequências. Chegou a hora de poupar o que podemos, gastar o que temos que gastar e voltar a viver de acordo com nossa situação real", sentenciou Obama.
Fontes: FolhaOnline e G1
"Plano de voltar à Lua está morto, afirma assessor da Casa Branca", 30/01/2010