Visita foi feita para comemorar os 40 anos da missão. Presidente não fez muitas promessas.
O presidente americano, Barack Obama, elogiou nesta segunda-feira (20/07/2090) o heroísmo dos astronautas que integraram a primeira missão tripulada à Lua, no dia do aniversário de 40 anos do evento. "Creio que todos nós lembramos o momento quando a humanidade finalmente se libertou das amarras que a prendiam a este planeta", disse Obama.
O presidente americano falou que os EUA continuam buscando inspiração em Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, integrantes da missão Apollo XI, a primeira que levou o homem à Lua. Obama, que tinha sete anos de idade em julho de 1969, disse ser "maravilhoso" estar na companhia dos três astronautas. Ele elogiou a capacidade dos astronautas de manter a calma em situações difíceis e ressaltou que suas pegadas ainda estão no satélite. As conquistas, disse Obama, "ampliaram nossos horizontes, não apenas aqui nos Estados Unidos mas em todo o mundo".
A indústria espacial americana quer que a administração Obama concorde em mandar astronautas novamente ao espaço, primeiro à Lua e depois para Marte, diz o correspondente da BBC em Washington Kevin Connolly. A decisão pode sair ainda este ano.
Lua ou Marte? Antes do encontro com Obama, Collins e Aldrin defenderam o lançamento de missões tripuladas ao planeta Marte.
"A melhor forma de honrar e lembrar todos aqueles que participaram do programa Apollo é seguir nossos passos; lançar de novo, audaciosamente, uma nova missão de exploração", disse Aldrin. Os dois disseram que Marte e não a Lua deveria ser o foco de novas explorações no espaço.
Porém, Eugene Cernan, astronauta americano que esteve na Lua durante a missão Apollo XII em dezembro de 1972 e foi o último a pisar no satélite, defendeu que os Estados Unidos primeiro voltem a lançar viagens tripuladas à Lua e lá estabeleçam bases para lançar viagens a Marte. "Nós precisamos voltar à Lua, nós precisamos aprender um pouco mais sobre o que julgamos saber atualmente, nós precisamos estabelecer bases e construir lá novos telescópios para nos preparar para Marte. O objetivo final, de fato, é ir a Marte", disse.
Collins se disse preocupado com a possibilidade de que "a atual ênfase em uma volta à Lua atrase desnecessariamente por décadas a exploração de Marte, um destino muito mais interessante". Atualmente, a NASA planeja realizar outra missão tripulada à Lua até 2020.
Armstrong, disse que a corrida para pousar primeiro no satélite foi a maior competição pacífica travada entre Estados Unidos e a União Soviética nos tempos da Guerra Fria. "Não vou dizer que foi um desvio que evitou a guerra, mas foi sem dúvida um desvio", disse ele. "No fim, ela proporcionou um mecanismo de cooperação entre antigos adversários. Neste sentido, entre outros, foi um investimento nacional para ambos os lados."
Mãos abanando O democrata os elogiou, disse confiar na NASA e prometeu deixar "matemática e ciência na moda ["cool", no original] de novo".
Foi pouco para um time que, nos últimos dias, vem pedindo para que os EUA voltem a liderar um campo, a exploração espacial tripulada, que sofre de falta de interesse do público e de verba – o orçamento do programa de exploração planetária da agência norte-americana passou de US$ 3 bilhões ao fim do primeiro mandato de George W. Bush (2001-2009) para o atual US$ 1,5 bilhão proposto por Obama para 2010.
"Temos um administrador maravilhoso da NASA na figura de Charles Bolden e da vice-administradora, Lori Garver", disse Obama, referindo-se a seus indicados para comandar a agência que espera o veredicto de uma comissão para definir quão rico será seu futuro. "Estamos confiantes em que eles farão tudo que puderem na próxima década para continuar a missão inspiradora da NASA."
Elogioso e empolgado ao lado do trio, Obama até lembrou-se de onde estava quando a cápsula lunar voltou à Terra – no ombro do avô materno, no Havaí. "Muito raramente eu tenho um prazer tão extraordinário como eu tive hoje ao dar as boas vindas a três figuras icônicas, três legítimos heróis americanos", disse. A seu lado, Armstrong, Aldrin e Collins observavam.
Ao final do encontro, Aldrin falou algo ao presidente, mas foi logo interrompido pelo cerimonial. Minutos antes, o porta-voz da Casa Branca toureava os jornalistas sobre a falta de empenho do novo governo em relação ao programa espacial. "Eu sei que esta administração está comprometida com a exploração espacial por humanos", disse Robert Gibbs. "Mas estamos esperando o resultado da comissão."
A recepção na Casa Branca foi o ponto alto de uma celebração que começou há alguns dias e reuniu pela primeira vez no mesmo lugar e em pelo menos uma década, segundo alguns relatos, Armstrong, Aldrin e Collins. Pela idade dos três – 78, 79 e 78, respectivamente – e pela vida reclusa do primeiro, analistas especulavam se não seria também a última reunião em torno da Apollo XI.
Na noite anterior, os três haviam dado palestra no Museu do Ar e do Espaço do Smithsonian, em Washington. Participantes, que concorreram a ingressos por sorteio, disseram que era a primeira vez que eles faziam um evento do tipo juntos desde os que se seguiram ao retorno da Lua, em 1969 – o museu não pôde confirmar a informação.
Nele, Aldrin defendeu fortemente a volta dos EUA à Lua e, de lá, a ida pela primeira vez a Marte, com o que Collins concorda em parte; avesso à fama e a falar de si, Armstrong preferiu fazer uma avaliação técnica intitulada "Goddard, governabilidade e geofísica", em que analisou o trabalho do pioneiro Robert Hutchings Goddard (1882-1945), chamado o pai do moderno foguete a propulsão. Dedicou poucos segundos de sua fala à Apollo XI.
"A melhor maneira de nos homenagear", disse Aldrin, piloto do módulo que chegou à Lua no dia 20 de julho de 1969 e segundo homem a andar no satélite, "é seguir nossos passos; ir corajosamente de novo numa missão de exploração".
Collins, que sobrevoou os colegas mas nunca pisou a Lua, desdenhou um retorno. "Às vezes eu me pergunto se nós não voamos para o lugar errado. Marte sempre foi meu favorito quando criança e ainda é hoje. Gostaria de vê-lo se tornar o foco, como JFK se concentrou na Lua."
Comandante da missão e instado a falar dela, Armstrong, o primeiro homem a andar na Lua, ressaltou o aspecto pacifista indireto do feito. "Era o mais acabado exemplo de competição pacifista, EUA versus URSS", disse. "Se não é certo que foi uma distração que preveniu a guerra [entre as então superpotências], certamente foi uma distração."
Ontem (20) pela manhã, Aldrin e Collins se encontrariam de novo com outros astronautas que andaram na Lua, num evento que lembrava no bom sentido a camaradagem e o clima do filme "Caubóis do Espaço", de Clint Eastwood, em que astronautas veteranos se reúnem para uma última viagem.
"Temos de voltar à Lua e deixar pessoas lá", resumiu Aldrin. "Assim, seremos obrigados a voltar cada vez mais e com maior frequência."
Fonte: Folha Online