Titã tem ciclo hidrológico baseado em compostos de carbono. Lagos na superfície são maiores que todas as reservas do tipo na Terra.
 
 A lua Titã, de Saturno, possui reservas de hidrocarbonetos centenas de vezes mais abundantes do que todas as de petróleo e gás natural conhecidas na Terra, segundo observações realizadas pela sonda Cassini, revelou o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA.
 
Radar mostra lagos em Titã
Imagem de radar mostra lagos em Titã (Clique para ampliar.)
Foto: Arquivo

 Segundo estudo dirigido por Ralph Lorenz, membro da equipe de radar da Cassini da Universidade Johns Hopkins e do Laboratório de Física Aplicada dos Estados Unidos, os hidrocarbonetos de Titã, em forma de chuva, lagos e dunas, cobrem grande parte da lua.
 
 "Titã está coberta por material que contém carbono. É uma gigantesca fábrica de materiais orgânicos", manifestou Ralph Lorenz, membro da equipe de cientistas que controla as operações do radar da Cassini no laboratório.
 "Essas enormes jazidas de carbono são uma importante janela para a geologia e a história meteorológica da lua Titã", acrescentou.
 A temperatura média em Titã é de 179 graus Celsius abaixo de zero e em vez de água, sua superfície está coberta por hidrocarbonetos na forma de metano e etano.
 Até agora, a Cassini realizou uma prospecção de 20% da superfície da lua Titã, e foram observados centenas de lagos e mares. Segundo a NASA, cada uma das várias dúzias desses corpos "líquidos" contém mais hidrocarbonetos que todas as reservas de gás e petróleo conhecidas na Terra.
 Em comparação, as dunas escuras ao longo do equador podem conter um volume de hidrocarbonetos em estado sólido equivalente a centenas de vezes as reservas de carvão na Terra.
 Segundo a ESA, as reservas comprovadas de gás natural na Terra totalizam 130 bilhões de toneladas, suficiente para fornecer 300 vezes a quantidade de energia que os Estados Unidos usam anualmente para fins domésticos.
 Cada um das centenas de lagos na Titã tem pelo menos essa quantidade de energia sob a forma de metano e etano.
 "Este cálculo se baseia principalmente nos estudos dos lagos na região polar norte. Assumimos que o sul poderia ser semelhante, mas realmente ainda não se conhece a quantidade de líquido que está lá", disse Lorenz.
 Impenetráveis ao radar, os lagos e mares de hidrocarbonetos têm uma profundidade desconhecida. Os cálculos dos cientistas são baseados na estimativa do que se observa nos lagos terrestres, em quais a profundeza do lago é normalmente dez vezes menor que a altura do terreno circundante.
 A missão da Cassini é um projeto conjunto da NASA, da Agência Espacial Européia e da Agência Espacial Italiana.
 
Fontes: G1 e Folha Online