Artigos retirados da Revista UFO número 95 (Janeiro de 2004) (pp. 14-19). (Com algumas modificações.) (Clique nas imagens para ampliá-las.)
LEVADOS
A minisérie Taken, de Spielberg, (…) mostra a realidade das abduções como nunca se viu na TV
Renato A. Azevedo, escritor e autor da coluna Espaço Ovni da revista Scifi News, autor de Contato em Methárion e seqüências [www.hotbook.com.br] e consultor da Revista UFO (e-mail: renatoalaz@uol.com.br)

Uma voz infantil surge na tela comentando a respeito das estrelas, sobre como as mesmas foram importantes para seus pais e avós. A imagem corre pelo espaço, até chegar a um planeta familiar, a Terra. O ano é 1945, final da Segunda Guerra Mundial. O capitão Russell Keys está em seu bombardeiro B-17, em missão sobre a França, em pleno combate. Crivado de balas, o avião começa a cair. Subitamente, uma misteriosa luz azul envolve o bombardeiro e sua tripulação, que acaba se salvando da morte certa. Porém, nenhum dos homens consegue se lembrar como conseguiram sobreviver. Depois da guerra, Keys tenta voltar ao normal, apesar dos bizarros pesadelos que o acometem e das dores de cabeça que sente. Eventualmente, descobre que todos os seus companheiros de missão morreram de forma enigmática, tempos depois.
É assim, então, que começa sua própria busca por respostas. A narrativa segue, chegando a grande onda ufológica de 1947, o avistamento de nove objetos voadores estranhos por um até então desconhecido Kenneth Arnold. Finalmente, num lugarejo chamado Roswell, numa região desértica do sul dos Esta dos Unidos, um objeto desconhecido cai e espalha fragmentos por uma grande área. Uma testemunha apanha um dos estranhos fragmentos e observa algo se movimentando, sem entretanto saber do que se trata. Ela entrega os destroços aos militares que cercam o local, antes de ser surrada por um deles.
Personagrens Owen Crawford, Sally, Jacob, e Allie Clarke
(Foto: BBC)
FICÇÃO HOLLYWOODIANA — Ficção ou realidade? Por incrível que possa parecer, ambos! Os fatos acima – os famosos foo fighters da Segunda Guerra Mundial, o avistamento de Kenneth Arnold e o Caso Roswell – são fartamente conhecidos por aqueles que se interessam pelo fenômeno ufológico. E todos estão agora formando o pano de fundo da minissérie Taken, a mais recente produção do consagrado diretor Steven Spielberg. Mais uma vez, os escritores de ficção científica de Hollywood buscam inspiração nas informações colhidas na manifestação do Fenômeno UFO para compor o enredo de suas produções. A história de Taken, uma das minisséries de maior sucesso de todos os tempos, já exibida em inúmeros países (…), começa com Russell Keys em seu avião, atingido mortalmente por fogo anti-aéreo. O B-17 cai em parafuso e a tripulação só pode rezar. Subitamente, estranhos objetos envolvem o avião em uma
luminosidade azul, interrompendo a queda.
Quando os tripulantes se dão conta, estão em terra firme, salvos. Entretanto, nenhum deles reteve a memória do que houve. Somente depois ficam sabendo que o avião e seus tripulantes foram abduzidos e submetidos aos conhecidos exames médicos feitos por alienígenas a bordo de uma nave de outro planeta. Keys, enfim, se dá conta de que sua vida, a partir e seu encontro com os ETs, será completamente diferente. Em sua procura por entender o incidente, percebe sua incapacidade de impedir que tanto ele quanto seu filho, Jesse, além das subseqüentes gerações, se tornem abduzidos múltiplos.
OVNI se aproxima da residência dos Clarke Rebeca Clarke, Chet Wakeman, Tom Clarke e Eric Crawford observam nave próxima à Area 51
(Fotos: Dreamworks)
CORPOS ALIENÍGENAS — Enquanto isso, logo após o incidente de Roswell, em 1947, os militares norte-americanos entram em ação para acobertar tudo o que diga respeito ao ainda incipiente Fenômeno UFO. Outras testemunhas, além da descrita no começo do artigo, entram em cena e é descoberta uma nave fincada no solo. Acabam sendo recolhidos os corpos de quatro aliens cinzentos, os famosos grays ou, como designados na Ufologia Brasileira, os ETs tipo alfa. Entretanto, quando conseguem entrar na nave, os militares se dão conta de que existem cinco assentos. A conclusão óbvia é de que um quinto tripulante conseguiu escapar. Um dos aliens resgatados ainda estava vivo e consegue, ao se recuperar, influenciar um cientista com suas habilidades mentais. Outro fato alarmante é descoberto nas autópsias dos seres encontrados mortos: estes alienígenas podem mudar de aparência, motivando a intensificação da caçada que já se fazia em terra. Sabendo disso, o coronel Owen Crawford, da Base Aérea de Roswell, lidera a operação governamental para lidar com a informação e, ao mesmo tempo, acobertar tudo. É aí que entra em cena outro personagem de Spielberg, Sally Clarke, uma dona de casa solitária que acaba dando abrigo a um estranho que se apresenta como John. O sujeito consegue interpretar os sentimentos e pensamentos de Sally, eventualmente seduzindo-a. John finalmente tem que fugir depois que é denunciado pelo filho da mulher. Sally, meses depois, descobre estar grávida… Grávida de um ser extraterrestre!
Esses são apenas alguns dos eventos que tomam lugar no primeiro episódio de Taken, eventos bastante semelhantes aos já largamente conhecidos dentro da pesquisa ufológica. De acordo com o autor da história, Frank Bohem, o enredo da minissérie gira em torno de fatos incríveis acontecendo a pessoas comuns – e é pelo ponto de vista destas que a trama é contada, tornando-a muito mais interessante e envolvente. “Eu queria uma história com três pontos de vista”, diz Bohem. “Queria observar uma família comum, como os Keys, cujas vidas foram alteradas por tais fatos. Os Clarke, especialmente o personagem Tom, surgiram por ser intrigado pela razão de os céticos não aceitarem os UFOs e pouco foi mostrado até então, no cinema, sobre pessoas como eles”.
Bohem também informa que se interessou mostrar em Taken uma visão sobre o que poderia estar acontecendo dentro do governo, quando então surgiram os fatos envolvendo a queda de Roswell sendo acompanhada pelo coronel Owen Crawford. Foi tomado um extremo cuidado no visual do programa, como locações e vestuário de época, bem como nos efeitos especiais envolvendo os aliens, suas naves e artefatos, sempre com o constante acompanhamento do produtor Spielberg. Taken foi filmado em Vancouver, Canadá, cidade bem conhecida devido às primeiras cinco temporadas de Arquivo X, onde também foram rodadas. Em Vancouver os produtores conseguiram reproduzir uma variedade de locais envolvidos na minissérie, indo do árido Texas ao gelado Alasca. Abarcando um período de cinco décadas, através da trajetória de três famílias, Taken examina o lado humano da questão das visitas e da complexa ação alienígena na Terra. O programa acaba abordando a maioria dos aspectos familiares à Ufologia, observações constantes de UFOs, contatos diretos com ETs e questões mais intrincadas, como a busca por respostas, as possibilidades de hibridização entre humanos e aliens, conspiração e acobertamento governamental etc.

Nave alienígena da abertura de Taken Circulo em plantação dos Estados Unidos investigado pela equipe de Crawford
(Fotos: Dreamworks)
“Taken tem a marca de Spielberg. Mostra a gravidade da questão ufológica com uma profundidade jamais vista na TV. E não esconde do público nem os aspectos mais assustadores.”
— DAN ACKROID, ator de Hollywood simpático à Ufologia que já produziu programas voltados ao assunto
AÇÃO DE APROXIMAÇÃO — No segundo episódio da minissérie já estamos em 1958, quando Russell Keys tenta manter seu filho Jesse, então com 13 anos, a salvo da ação dos seres extraterrestres. Entretanto, o ex-piloto descobre que o menino também é um múltiplo abduzido, chegando até mesmo a encontrá-lo a bordo de uma nave, quando ambos são submetidos a exames pelos abdutores. Novamente, se vê no programa características profundas da Ufologia, fatos que somente agora são de conhecimento dos ufólogos, o que mostra a atualidade da temática. Ainda no segundo capítulo, o coronel Crawford vê falhar seu esforço de uma década para obter respostas a respeito do UFO acidentado em Roswell e os alienígenas resgatados. Chega a apelar para os conhecimentos de cientistas alemães recrutados durante a Segunda Guerra Mundial, mas o máximo que estes conseguem fazer é obter do que encontraram dentro da nave a tecnologia do velcro, usado em vestuários e calçados.
Bohem mergulha nas possibilidades que Taken oferece. Jacob Clarke, que é o resultado do relacionamento de uma noite de sua mãe Sally com o alienígena John, sobrevivente de Roswell, cresce plenamente consciente de sua natureza híbrida, mesmo sendo fisicamente normal e idêntico aos humanos. Entretanto, o rapaz não tem emoções e possui incríveis habilidades mentais, como telepatia, clarividência e capacidade de influenciar outras pessoas. Ele passa boa parte de sua vida se escondendo dos militares e homens do governo dos Estados Unidos, e também é plenamente consciente da perseguição que estes lhe movem. Para complicar, Jacob é igualmente objeto de interesse dos alienígenas, que sabem de sua verdadeira origem.
Jesse Keys, já adulto, eventualmente procura o coronel Crawford, em uma tentativa de encerrar sua sina de abduzido. Seu pai Russell faz a mesma tentativa. Anos depois, os filhos de Owen – Sam e Eric Crawford – continuam a saga do pai, depois que a carreira deste é encerrada sem glórias. Sam vai ao Alaska para descobrir mais a respeito do perigo representado pela presença alienígena na Terra, enquanto Jesse volta do Vietnã assombrado por seu passado – ambos têm intrínsecas ligações com o plano extraterrestre de se aproximarem de nosso planeta. Nesse meio tempo, o híbrido Jacob volta para casa a fim de dar adeus a sua mãe, que está morrendo. É apenas então que Sally revela o segredo a seu outro filho, Tom, um conhecido cético quanto ao fenômeno ufológico. Por sua conta, Eric Crawford continua os esforços do pai e caça de Jacob e Jesse, agora auxiliados pelo cientista Chet Wakeman.
Owen Crawford se aproxima de nave em Roswell no primeiro capítulo da série
(Foto: BBC)
VIVÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS — Como se vê, em Taken foram exploradas todas as possibilidades para os personagens. Bohem esbanja criatividade, sem nunca perder de vista a casuística ufológica, que tem elementos tão complexos quanto os de sua trama. Mas o autor inovou ao empregar elementos céticos no enredo, ainda mais ligados diretamente àqueles que têm participação direta na presença alienígena no planeta. Coube a Spielberg e sua excepcional equipe, dar forma real a tamanho emaranhado de situações, e o fez de forma brilhante.
“Aprendi muito cedo que o mistério dos objetos voadores não identificados é algo bastante complexo e fascinante, mas foi com a assessoria que tive do doutor Joseph Allen Hynek, ao produzir
Contatos Imediatos do Terceiro Grau, que entendo como separar a ilusão da realidade de tudo o que se fala sobre eles”, declarou o produtor à revista Time. Na continuação da saga de Taken, Lisa Clarke, filha de Jacob, retém a herança híbrida do pai e é levada para uma nave, onde engravida de Charlie Keys, filho de Jesse e neto do piloto Russell. A partir daí, ambos se tornam o foco das atenções dos alienígenas e dos militares, e o projeto governamental de Eric Crawford, que havia sido encerrado, é reativado pelo doutor Chet Wakeman, agora auxiliado pela filha de Eric, Mary, com quem mantém uma relação de amantes. A filha de Lisa e Charlie é Allie e ocupará, então, o ponto central da trama devido a suas imensas habilidades e sua herança ao mesmo tempo terrestre e alienígena. Entrementes, o projeto de Wakeman e Mary Crawford continua, tendo a garota como alvo. A trama chega aos dias atuais em um momento decisivo, crucial para o futuro da Terra e da intervenção alienígena que aqui se faz. Agora, os descendentes das três famílias terão que cumprir seu papel, a fim de desvendarem os últimos segredos da infiltração, quando muitas escolhas decisivas terão que ser feitas.
Taken
contém todos os ingredientes já bem conhecidos passados mais de meio século de investigação ufológica. Encontros com UFOs e abduções são comuns no enredo, conspirações e acobertamento também são mostradas com certa naturalidade – tal como na vida real. E uma incansável luta para se descobrir uma verdade muito além do que podemos imaginar é explorada por Bohem e Spielberg de forma a atingir em cheio o telespectador. Poucas pessoas abertas a outras possibilidades conseguirão manter-se indiferentes ao que se verá ao longo dos capítulos da minissérie. A trama, mesmo possuindo ingredientes que já fizeram sucesso em outras produções, cultiva como nenhuma outra o lado humano do Fenômeno UFO. Com a marca inconfundível de um grande mestre do universo sci-fi, como Spielberg, Taken é programa obrigatório tanto para os fãs do gênero, quanto para os interessados na temática.
A ficção científica comprova, mais uma vez, sua importância fundamental como um dos gêneros artísticos mais significativos que existem. Nenhum outro penetra tão fundo na psique humana. Nenhum outro mostra tão bem, com tramas e personagens inspirados em nossos medos, sonhos, terrores e esperanças, a natureza da alma humana. Por isso, a ficção se destaca como o gênero que mais fala a respeito de nós mesmos, antecipando-se aos próprios avanços. Tem sido assim desde os primeiros filmes do gênero, desde a invenção dos satélites de comunicação, que foram previstos por outro grande mestre, Arthur Clarke, o autor do fantástico 2001, Uma Odisséia no Espaço. Ou o lançamento dos telefones celulares que, muito antes de virarem realidade, eram os comunicadores utilizados pelo capitão Kirk e sua tripulação, em Jornada nas Estrelas.
A ficção é também um dos gêneros do cinema que mais motivação causa às pessoas. Quantos talentos promissores não foram inspirados a entrar para os campos astronômico ou ufológico com o Arquivo X? E para demonstrar que a ficção científica também serve como um alerta para nossa realidade atual, podemos facilmente comparar asconspirações e sórdidas tramas, criadas dentro da sombra do aparato estatal, como mostradas nesse seriado, com uma realidade bem próxima de nós mesmos.
SENTIMENTOS HUMANOS — Assim, somos mais uma vez brindados com outra grande produção. Taken aprofunda-se na alma e nos sentimentos humanos, ao mesmo tempo em que conta uma história baseada em um dos mais complexos problemas atuais, a presença extraterrestre em nosso planeta. E perscruta um enigma dentro do enigma, representado pelas abduções alienígenas.
Quem sabe se, inspirada em mais essa obra de arte, a Ufologia possa fazer o caminho inverso ao tomado pelos produtores, ou seja, da ficção para a realidade? Talvez possa debater a trama que nos é mostrada, num esforço para conseguir respostas para as questões que nos desafiam há mais de meio século! Como mais uma excelente obra de ficção de Spielberg, Taken é plena de questionamentos essenciais que, finalmente, quando compreendidos, podem nos dar a razão para a presença de nossos visitantes entre nós. A curiosidade é parte indissociável da inteligência. Questionar é um exercício que nos faz evoluir, e essas questões parte da própria definição da ficção científica, são também peças do enigma ufológico e bem podem estar sendo feitas pelos próprios alienígenas. São grandes questões que nos movem a todos. Quem sou? De onde vim? Para onde vou?
Com
Taken, Spielberg mostra mais uma vez que é o mestre da ficção
Taken representa a volta do produtor Steven Spielberg ao gênero que o consagrou, com lançamentos como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, ET e tantas outras obras de sucesso. (…) Spielberg é, há muitos anos, um interessado na problemática dos UFOs. Correm nos bastidores de Hollywood e no meio ufológico teorias de que ele seria uma autoridade no assuntojunto ao governo norte-americano, abordando o tema em suas produções como um tipo de preparação para um futuro contato. Outras hipóteses mais ousadas dão conta de que ele próprio seria um abduzido.
(Foto: Hollywood Directory)
Alguns leitores talvez se lembrem do documentário especial Dreamland, produção da BBC enfocando a Área 51, exibido no Brasil há alguns anos pelo canal a cabo GNT. Nele foi citado um suposto projeto secreto denominado Cosmic Journey, do governo norte-americano, que envolveria a sofisticada produção de filmes e exposições nas quais seria gradual e controladamente revelado o que os militares daquele país conhecem sobre o Fenômeno UFO. Aos poucos, segundo o Dreamland, o governo iria começar a liberar ao público o que sabe sobre alienígenas, naves acidentadas e casos de UFOs. Não são conhecidas maiores informações sobre tal projeto, tampouco se o mesmo está em andamento, mas o lançamento de Taken e o fabuloso sucesso que atingiu talvez sejam parte dele. O que se sabe ao certo é que Spielberg pesquisou a fundo o fenômeno, os relatos de contatos, as evidências físicas e até a mitologia envolvendo a presença alienígena na Terra – ele próprio chegou a entrevistar testemunhas para Contatos Imediatos.

Cena de ET
(Foto: Mushroom Library)
Durante a produção de Taken, ao receber as amostras do material gravado, ele as devolvia com comentários, a fim de que tudo estivesse de acordo com seus desejos. “Sempre fui interessado no assunto e achei que não poderia enfocar esse fenômeno em um filme para cinema, por isso fiz uma série para a tevê. Para mostrar toda a história das abduções, começando em 1947, teríamos que dispor de muito mais tempo e paciência. Taken é sobre isso, as abduções”, afirma o diretor.
Sobre a inspiração para o projeto, Spielberg diz que as abduções sempre o atraíram, “assim como todas as maravilhas ligadas à vida extraterrestre”. Desde que fez Contatos Imediatos já mostrava de forma avançada e vanguardista para a época os seqüestros por seres extraterrestres. “Sempre quis explorar todas possibilidades, ir realmente fundo nas histórias de abduções”. E conseguiu. Contatos, lançado ainda em 1977, quando o assunto engatinhava, teve um resultado imediato no desenvolvimento da Ufologia. “O que me atrai mais na ficção é que ela liberta a imaginação para irmos a qualquer lugar que se possa pensar. Nela não existe limite, nada que possa nos restringir. Para mim, é o gênero mais livre de todos”, finaliza. Não podemos deixar de concordar!
Arquivo X
explorou o fenômeno ufológico como nenhuma outra produção já fez
Arquivo X, completou 10 anos de exibição no Brasil em 2004. O seriado criou uma legião de fãs, que se denominam excers, tornando-se alvo de adoração que só pode ser comparada, dentro do gênero, a Star Wars e Jornada nas Estrelas. Desde o começo da série houve uma separação entre os episódios. Havia os chamados “monstros da semana”, em que os personagens principais – os agentes do FBI Dana Scully e Fox Mulder – investigavam toda sorte de monstros, mutantes, parasitas, fenômenosparanormais, sobrenaturais e até demoníacos.
Mas o que fez mesmo a fama do seriadoforam os episódios conhecidos por “mitológicos”, desenrolados dentro da trama dos fenômenos ufológicos e extraterrestres, com bastante nuances de conspiração governamental e seu subseqüente acobertamento. Por exemplo, logo na primeira temporada ficamos sabendo da abdução de Samantha, irmã de Mulder, que nunca retornou. Esse foi o motivo do agente ter devotado sua vida a busca da verdade. Já Scully fora designada para desacreditar seu trabalho, mas em pouco tempo percebeu que a busca do colega se embasava em evidências reais, e aderiu a ela.
Também surgiram aí duas facções dentro da comunidade excer. De um lado estavam os noromos – expressão literalmente derivada do inglês no romance ou não ao romance –, que torciam para que o relacionamento do casal continuasse estritamente profissional. Por sua vez, os shippers – de relationship ou relacionamento – desejavam um envolvimento mais íntimo entre os dois heróis. Uma das marcas de Scully e Mulder, entretanto, foi exatamente a grande amizade que os uniu, que eventualmente acabou desembocando em romance. Bem como sua profunda ética, mais uma vez – como é tradição na ficção científica – enfatizando o lado humano, a amizade e o respeito.
Gillian Anderson interpretando Dana Scully
(Foto: Fox)
O programa quase foi cancelado na segunda temporada, devido a gravidez da atriz Gillian Anderson, intérprete de Scully. Felizmente, os produtores viram aí uma oportunidade de acrescentar um aspecto extraordinário à mitologia, criando assim sua abdução. Como curiosidade, no episódio A Ascensão, em que o rapto de Scully acontece, na cena que mostra a barriga de Scully sendo “inflada” durante as experiências, o truque foi a própria barriga da atriz, nas semanas finais de gravidez.
Num fato inédito na história do cinema e da televisão, um seriado continuou no ar enquanto um filme para os cinemas foi produzido. Resista ao Futuro foi exibido, aqui no Brasil, ao final da quinta temporada de Arquivo X, e os fãs, mais uma vez, chegaram ao êxtase. Outro ponto alto foi a abdução de Mulder ao final da sétima temporada, motivada pelo desejo do ator David Duchovny – intérprete de Mulder – de ter mais tempo para sua carreira no cinema. E a mitologia foi novamente alterada, tendo a volta de Mulder ocorrido na metade da oitava temporada, um dos momentos mais emocionantes do seriado. O ator sairia definitivamente ao final daquela temporada, retornando apenas no último episódio da série, as duas partes de A Verdade. É aguardada para breve uma segunda aventura de Mulder e Scully nos cinemas.
Cena de Arquivo X
(Foto: Excers Unlimited)
PISTOLEIROS SOLITÁRIOS — O seriado chegou a ter um spin-off, uma série derivada, produzida durante a oitava temporada. Era The Lonegunmen [Pistoleiros solitários], protagonizada pelos amigos de Mulder. Eles eram o trio de hackers Langly, Byers e Frohike, que surgiram em Arquivo X no episódio da primeira temporada, O Ser do Espaço, tornando-se rapidamente alguns dos personagens mais queridos da série. Sempre auxiliando Mulder e Scully em suas investigações, os Três Malucos, como ficaram conhecidos, encenavam um seriado de muito humor e ação, mas que infelizmente não convenceu os teimosos executivos da tevê, forçando seu cancelamento.
Em suas nove temporadas, Arquivo X enfocou quase todos os aspectos do Fenômeno UFO. Abduções, contatos com aeronaves, falsos gurus, seitas ufológicas, vida alienígena, o projeto SETI, acobertamento governamental, o evento de Tugunska, o Caso Roswell, a existência da Área 51 etc. Aqui no Brasil, em um feito absolutamente inédito e consagrador, chegou a ser a maior audiência do canal em que foi exibido. Nove temporadas, 10 felizes anos para todos os fãs, que mantêm viva a chama de Arquivo X até hoje. Para estes, a verdade continua lá fora!