Programa Artemis passou por revisões profundas. Base custaria US$ 30 bi até 2036.
A NASA está suspendendo os planos de desenvolvimento do a estação espacial lunar Gateway para concentrar-se no desenvolvimento de uma base na superfície da Lua.
Durante um evento na sede da NASA na última terça-feira, 24 de março, a liderança da agência anunciou grandes mudanças na arquitetura do programa Artemis. Elas incluem planos para investir US$ 20 bilhões ao longo de sete anos em uma base na superfície lunar.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, descreveu a mudança como parte de um esforço mais amplo para aprimorar a força de trabalho da agência, simplificar a arquitetura dos programas, aumentar a frequência de lançamentos e competir com as ambições lunares da China.
“Encontramos um verdadeiro rival geopolítico, desafiando a liderança americana na corrida espacial”, disse ele. A NASA se comprometeu a levar astronautas de volta à Lua “antes do fim do mandato do presidente Trump”, afirmou.
Base “A partir de hoje, estamos construindo o primeiro posto avançado da humanidade no espaço profundo”, disse Carlos Garcia-Galan, executivo do programa da NASA para a base lunar.
A base será construída em três fases. A Fase 1 vai de 2026 a 2028 e “tem como objetivo chegar à Lua de forma confiável”, disse ele. Isso inclui um aumento significativo na frequência de missões de pouso por meio do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), que usa naves de empresas privadas para missões não tripuladas, e outros programas. Também se concentrará no desenvolvimento de tecnologias habilitadoras e na obtenção de dados confiáveis para possíveis locais da base no polo sul lunar.
A Fase 2, de 2029 a 2031, inicia a construção da base. Isso inclui a expansão das infraestruturas de comunicação, navegação, energia e o desenvolvimento de grandes módulos de pouso de carga do CLPS e o apoio a duas missões tripuladas por ano. A fase também introduz módulos semi-habitáveis e logística de rotina para permitir missões de longo prazo, contando com “contribuições significativas de nossos grandes parceiros, como o veículo explorador pressurizado da JAXA [agência espacial japonesa]”, disse Isaacman.
A Fase 3, com início previsto para 2032, permitirá a “exploração humana de longa distância e longa duração” na Lua, afirmou Garcia-Galan, com missões logísticas de rotina à Lua e missões de retorno de carga não tripuladas.
A NASA prevê gastar US$ 10 bilhões em cada uma das Fases 1 e 2. A Fase 3, com duração prevista até pelo menos 2036, custaria mais US$ 10 bilhões ou mais.

Correção de curso A base aproveitaria os programas existentes, embora com algumas mudanças. A NASA planeja reformular o programa do Lunar Terrain Vehicle (LTV) após concluir que a abordagem atual levaria muito tempo para desenvolver um veículo capaz de transportar tripulação na Lua.
Esperava-se que o LTV estivesse na Lua até 2030. Agora, a agência está emitindo uma minuta de solicitação de propostas para veículos simplificados que poderiam ser mais rápidos e fáceis de desenvolver, mas que poderiam ser atualizados posteriormente.
A base também incluiria algumas novas capacidades e tecnologias. Um exemplo dado por Garcia-Galan foi o MoonFall, um drone capaz de saltar de um local para outro na superfície lunar. Os drones serão “construídos com base no legado” do Ingenuity, o pequeno helicóptero levado a Marte com o rover Perseverance.
Gateway Esse trabalho na base lunar ocorrerá em detrimento da estação Gateway, que operaria em órbita da Lua dando apoio a pousos tripulados na região do Polo Sul.
“Não deve surpreender ninguém que estejamos pausando o Gateway em sua forma atual e nos concentrando na infraestrutura que apoia operações sustentadas na superfície lunar”, disse Isaacman.
Para Garcia-Galan “Quando avaliamos a arquitetura atual do Gateway, embora ela ainda seja relevante para os objetivos de exploração futura, não é necessária para atingirmos nossos objetivos principais”.
Um dos motivos para a suspensão da Gateway é a capacidade dos módulos de pouso viajarem entre a estação espacial e a superfície. A estação foi projetada para uma órbita halo quase retilínea – muito elíptica -, gerando restrições rigorosas de combustível para as viagens até a superfície e de volta.
Segundo Garcia-Galan, a NASA trabalhará para reaproveitar grande parte dos sistemas já desenvolvidos, como o Power and Propulsion Element (módulo de fornecimento de energia e propulsão) e o Habitation and Logistics Outpost (módulo de logística e habitação), para uso na base lunar ou em outros programas. O mesmo valerá para os parceiros internacionais, mas não foram dados detalhes sobre como suas contribuições seriam reformuladas.
Qualquer mudança da Gateway para uma base na superfície exigirá aprovação do Congresso. Um projeto de lei de reconciliação orçamentária aprovado em julho passado destinou US$ 2,6 bilhões para a Gateway, com esse projeto definido em lei como um “posto avançado em órbita ao redor da Lua”. Essa definição impede o uso do orçamento em uma base na superfície.
Isaacman não descartou a possibilidade de retomar a Gateway em algum momento. “Mudar as prioridades da força de trabalho da NASA para a superfície, que tem muitas vantagens, não impede que se revisite o posto avançado orbital no futuro”, disse.
Artemis O anúncio foi feito uma semana antes do lançamento da missão Artemis 2, previsto para 1º de abril, a primeira missão tripulada do programa. Ela levará três astronautas da NASA e um da Agência Espacial Canadense em uma viagem de 10 dias ao redor da Lua.
A Artemis 3 está sendo planejada para 2027. Seu objetivo será testar as operações integradas da nave Orion e de um ou ambos os módulos de pouso lunar – em desenvolvimento pela SpaceX e pela Blue Origin. A acoplagem aconteceria na órbita da Terra. A primeira tentativa de alunissagem tripulada seria a Artemis 4, em 2028.